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Receita global da música gravada deve mais que dobrar até 2033, diz MIDiA
Direitos expandidos e economia dos fãs devem impulsionar mercado global
Por
Elizabeth Dilts Marshall
Até 2033, a receita global da música gravada deve crescer 62,9%, chegando a US$ 121,1 bilhões (cerca de R$ 628,5 bilhões), contra US$ 74,3 bilhões (aproximadamente R$ 385,7 bilhões) em 2025. A projeção é do novo relatório da MIDiA, divulgado nesta quinta-feira (13), que aponta os direitos expandidos como a segunda fonte de receita que mais crescerá no período, atrás apenas do streaming.
O estudo “Global Music Forecast 2026-2033” mostra que, embora o streaming continue sendo o principal motor de crescimento do mercado, a participação dos direitos expandidos, que inclui a fatia das gravadoras em receitas de branding, merchandising e eventos ao vivo, deve aumentar à medida que o crescimento do streaming desacelera em mercados saturados e as empresas de música buscam diversificar suas fontes de receita.
A projeção ocorre em um momento em que o streaming já representa a principal forma de consumo de música em diversos mercados. Com a expansão das assinaturas nos últimos anos, porém, o setor passa a enfrentar o desafio de encontrar novas formas de aumentar a receita por usuário e ampliar a participação dos fãs na geração de negócios.
Segundo o relatório, o valor da chamada “economia dos fãs” pode chegar sozinho a US$ 18,5 bilhões (R$ 96 bilhões) até 2033. O conceito reúne diferentes formas de consumo e relacionamento com a música que vão além da assinatura tradicional de serviços como Spotify e Apple Music.
“À medida que o streaming amadurece, a próxima fase de crescimento da indústria musical virá da exploração de novas possibilidades, tanto dentro quanto fora do modelo de assinatura”, afirmou Tatiana Cirisano, vice-presidente de estratégia musical da MIDiA, em comunicado. “Uma economia dos fãs em expansão está revelando oportunidades fora do streaming tradicional. Os direitos expandidos serão fundamentais para isso.”
MIDia diz que ‘economia dos fãs’ ganha espaço
O relatório define a economia dos fãs como o conjunto de receitas provenientes das vendas físicas de música, do streaming em plataformas sociais, de fitness e de games, além dos direitos expandidos em áreas como branding e merchandising.
A categoria inclui, portanto, tanto formatos considerados tradicionais, como CDs e discos de vinil, quanto novas formas de consumo digital. Redes sociais, aplicativos de exercícios e plataformas de jogos também passaram a desempenhar um papel maior na descoberta e no consumo de música.
A análise também prevê que o varejo musical crescerá em ritmo superior ao mercado de distribuição. Segundo a MIDiA, isso ocorrerá à medida que os serviços de streaming ampliarem sua participação nas receitas por meio de pacotes que combinam assinaturas de música com outros serviços de entretenimento em áudio e fontes de receita que não são compartilhadas com as empresas musicais.
As receitas do varejo musical devem alcançar US$ 62,7 bilhões (R$ 325 bilhões) até 2033, representando crescimento de 62,9%. Já as receitas do mercado de distribuição devem avançar 57,2% no mesmo período.
A diferença está relacionada à forma como as plataformas digitais vêm estruturando seus negócios. Ao combinar música com outros serviços, os DSPs podem aumentar sua participação no gasto dos consumidores e criar novas fontes de receita, enquanto as empresas musicais precisam buscar alternativas para acompanhar esse movimento.
O relatório também projeta mudanças nos preços das assinaturas nos próximos anos, o que deve levar posteriormente à retomada do crescimento da receita média por usuário, conhecida pela sigla ARPU (Average Revenue Per User). Recentemente, o Spotify projetou estabilidade no ARPU para o terceiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2025.
Para a indústria, a tendência aponta para um mercado em que o streaming continuará sendo fundamental, mas deixará de concentrar sozinho as principais expectativas de expansão. O crescimento projetado pela MIDiA depende cada vez mais da capacidade das empresas de transformar o vínculo entre artistas e fãs em novas oportunidades comerciais.