Published by Mynd8 under license from Billboard Media, LLC, a subsidiary of Penske Media Corporation.
Publicado pela Mynd8 sob licença da Billboard Media, LLC, uma subsidiária da Penske Media Corporation.
Todos os direitos reservados. By Zwei Arts.

Feiras criativas em SP: por que o setor corre risco de sumir?

Feira das Feiras Criativas – SP (Divulgação)

Feira das Feiras Criativas – SP (Divulgação)

O cenário das feiras criativas em São Paulo atravessa um momento de incerteza que coloca em risco o ecossistema construído por pequenos produtores. Entre apropriações indevidas do setor e a falta de uma regulamentação pública eficaz, os empreendedores perdem terreno.

O movimento que nasceu da ocupação cultural nos anos 1990, impulsionado pelo Mercado Mundo Mix, sofre hoje com a falta de diálogo institucional. Sem organização, o propósito original dessas feiras começa a se dissipar na capital paulista.

Em meio ao período eleitoral, torna-se urgente distinguir o que é construção coletiva do que é desvio de finalidade. É fundamental evitar que o debate sobre a economia criativa seja reduzido a uma simples guerra política.

O legado e a necessidade de regulamentação

O termo feiras criativas surgiu como um legado do Mercado Mundo Mix para conferir identidade a um setor que era difuso. A experiência bem-sucedida em Campinas, com o Decreto Municipal número 19.609 de 2017, serviu como um precedente relevante.

Essa legislação permitiu a organização das feiras noturnas e estabeleceu critérios claros para o funcionamento de eventos culturais. Em São Paulo, essa movimentação ganhou força em 2018 com a ocupação da Medeiros de Albuquerque pela Comunidade Criativa.

Durante a pandemia, o setor trabalhou para consolidar a categoria e criar bases técnicas para uma retomada segura das atividades. Além disso, a realização da Feira das Feiras Criativas, no Memorial da América Latina, serviu como modelo nacional.

Obstáculos burocráticos e distorções de mercado

O evento obteve reconhecimento da imprensa e validou a economia criativa brasileira após dois anos de restrições sanitárias. No entanto, o papel facilitador das subprefeituras paulistanas encontra limites burocráticos nos órgãos de fiscalização como o Contru.

A alta rotatividade de subprefeitos dificulta a construção de uma política pública de longo prazo para o setor. Por outro lado, alguns organizadores privados se apropriam do discurso de proteção cultural para cobrar taxas abusivas dos expositores.

Essa prática torna impagável a ocupação de ruas públicas por quem realmente produz cultura e arte na cidade. Diante disso, uma audiência na Câmara Municipal de São Paulo deve reunir todos os atores envolvidos para buscar soluções.

Propostas para a sustentabilidade do setor

Entre as sugestões para a prefeitura, destaca-se a necessidade de condicionar os espaços públicos a associações ou organizadores verificados. É preciso estabelecer valores acessíveis para o Termo de Permissão de Uso, o popular TPU.

A fiscalização deve focar no controle de público e na comercialização de produtos artesanais de origem comprovada. Além disso, o poder público pode definir taxas máximas de inscrição para garantir a viabilidade dos pequenos negócios.

A criação de cotas para projetos sociais e associações sem fins lucrativos é outra medida essencial para a equidade. Por fim, a estrutura deve oferecer tendas gratuitas, banheiros limpos e segurança privada para o público.

A transparência nas chamadas para expositores e a comunicação prévia com moradores vizinhos garantem a harmonia urbana. Tais medidas protegem o patrimônio imaterial da cidade representado pelo trabalho de pioneiros.


 

Beto Lago – Fundador do Mercado Mundo Mix. Presidente da Comunidade Criativa, associação  cultural, dedicada à articulação institucional, empreendedorismo criativo e ocupação cultural dos espaços urbanos.