Dr. Dre defende IA na música e revela que já usa tecnologia em suas criações
Rapper e produtor compartilhou visão sobre o papel cada vez maior da tecnologia

Dr. Dre (Anthony Behar/Sipa USA via Reuters Connect)
Em entrevista ao “The New York Times” ao lado de seu parceiro de negócios de longa data Jimmy Iovine, o rapper e produtor Dr. Dre definiu a IA como uma “nova ferramenta para a criatividade” e afirmou que não enxerga a tecnologia “como uma ameaça”. A entrevista foi publicada neste domingo (23).
Dre comparou a resistência à IA ao ceticismo que acompanhou inicialmente a chegada de baterias eletrônicas e sintetizadores.
“Eu estava conversando com algumas pessoas há alguns dias. Elas eram contra a IA, e eu disse: ‘OK, você parece o tipo de pessoa que teria sido contra a bateria eletrônica quando ela surgiu’. Ou os sintetizadores, certo? É uma nova ferramenta para a criatividade. Algumas pessoas têm medo de aprender coisas novas”, disse Dre.
Dr. Dre conta como usa IA na música
Dre também revelou que já utiliza inteligência artificial em suas próprias produções. Segundo ele, a tecnologia funciona “como uma ferramenta para ver o que ela faria com aquilo que eu acabei de fazer”.
“Estou abraçando isso. Mal posso esperar para ver o que vai acontecer”, acrescentou Dre.
O ex-integrante do N.W.A. também rejeitou a ideia de que a inteligência artificial seja necessariamente uma ameaça aos músicos.
“Acho que as únicas pessoas que veem isso como uma ameaça são aquelas que têm dificuldade para criar”, afirmou o produtor.
Jimmy Iovine apresentou uma visão igualmente favorável sobre o potencial da IA na música. O executivo afirmou que existem “muitos produtores de IA escondidos por aí”, ao que Dre respondeu: “Essa é uma boa maneira de colocar. Eles estão usando, só não querem admitir”.
“Sou muito a favor da IA na criação musical”, disse Iovine. “Não vejo nenhuma desvantagem. Vai existir música ruim. Já existe música ruim agora. No estúdio, quando pessoas talentosas tiverem IA, elas vão fazer discos melhores.”
Dre e Iovine foram os responsáveis pela criação da Beats Electronics e da Beats Music. Em 2014, os negócios foram vendidos à Apple por mais de US$ 3 bilhões.
Indústria da música discute transparência no uso de IA
As declarações chegam enquanto a indústria musical tenta definir regras para lidar com o avanço da inteligência artificial generativa e com questões relacionadas a criatividade, autenticidade, direitos autorais e direitos dos artistas.
A Apple Music anunciou que seus indicadores de transparência sobre IA ficarão visíveis aos ouvintes como selos “Made With AI” (“Feito com IA”). A plataforma passou a permitir que fornecedores indiquem, nos metadados, situações em que inteligência artificial foi utilizada para gerar uma parte relevante de uma gravação, composição, videoclipe ou arte. A documentação oficial da Apple confirma a adoção dos campos de transparência de IA em 2026.
Em julho, a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), a Associação da Indústria Fonográfica dos Estados Unidos (RIAA) e outras entidades anunciaram um sistema voluntário de identificação das gravações. A proposta diferencia faixas “AI-Generated” (“geradas por IA”), nas quais a tecnologia produz a totalidade ou a parte principal dos elementos criativos, de músicas “AI-Assisted” (“assistidas por IA”), criadas majoritariamente por humanos, mas com inteligência artificial em alguns elementos.
[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui.]
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