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Como Shakira foi da rebeldia latina ao domínio global

Shakira no show para 400 mil pessoas no México (Gerardo Vieyra/NurPhoto/AFP)

Shakira no show para 400 mil pessoas no México (Gerardo Vieyra/NurPhoto/AFP)

Nos Estados Unidos, a música da América Latina chegou a US$ 1,4 bilhão em receitas em 2024 e a Federação Internacional da Indústria Fonográfica apontou a região como a de crescimento mais rápido em 2025, com alta de 17,1%. Mas o hype que hoje sustenta artistas latinos como forças do pop não surgiu do nada. E a carreira de Shakira é uma dos exemplos mais nítidos disso. A artista saiu do rock hispânico dos anos 1990, fez o crossover para o inglês com sucesso, transformou a própria vida em matéria-prima de hits e chega agora ao ápice para qualquer ídolo global: a Praia de Copacabana. A ascensão de Shakira começa com “Pies Descalzos”, de 1995, e “¿Dónde Están los Ladrones?”, de 1998. Os discos consolidaram uma voz com pulso roqueiro e ambição autoral pouco comum no pop latino radiofônico, à época lotado de canções melosas e de conjuntos repetitivos. Foi com esse segundo disco que ela deixou de ser apenas um nome grande no circuito hispânico e passou a ser vista como artista capaz de avançar para o mercado americano.

Após o impacto regional, inclusive por aqui no Brasil, ela passa a mirar de forma mais clara o público de língua inglesa. O disco da travessia foi “Laundry Service”, lançado em 2001. O projeto vendeu mais de 13 milhões de cópias no mundo e lhe deu os primeiros grandes picos na Hot 100 da Billboard americana, com “Whenever, Wherever” chegando ao sexto lugar e “Underneath Your Clothes” ao nono. O mais relevante, porém, não foi só a escala.

Em 2005, Shakira lançou “Fijación Oral Vol. 1” e “Oral Fixation Vol. 2”, brincando com os idiomas e fazendo disso uma estratégia. “La Tortura”, com Alejandro Sanz, ficou 25 semanas no topo da Hot Latin Songs e virou um marco para o pop em espanhol dos anos 2000. No ano seguinte, “Hips Don’t Lie”, com Wyclef Jean, chegou ao primeiro lugar da Hot 100.

Essa foi uma diferença importante em relação a muitos crossovers da época. Em vez de abandonar o espanhol para buscar validação global, Shakira transformou a convivência entre idiomas em modelo de expansão. Sua carreira ajudou a demonstrar que a música latina podia crescer não apesar de sua identidade linguística, mas também por causa dela.

No fim dos anos 2000 e ao longo da década seguinte, o som de Shakira passou a refletir um mercado já mais diverso. “She Wolf”, de 2009, empurrou sua música para a eletrônica. Em 2010, “Waka Waka (This Time for Africa)”, tema oficial da Copa do Mundo, fez ainda mais para consolidar sua presença planetária. A partir daí, a discografia foi se abrindo com mais naturalidade para um repertório de trânsito rápido entre gêneros, territórios e plataformas.

A lógica dos streamings

Como se sabe, a lógica do streaming premiou feats e músicas capazes de circular entre mercados diferentes, e Shakira leu cedo essa mudança. “Chantaje”, com Maluma, estreou em primeiro lugar na Hot Latin Songs e ficou 11 semanas no topo. “El Dorado”, de 2017, venceu o Grammy de melhor álbum pop latino em 2018. Nos anos 2020, o eixo da carreira mudou mais uma vez. Em vez de apenas acompanhar as linguagens do streaming, Shakira passou a usar a própria vida como matéria-prima de alta combustão pop.

“Te Felicito”, com Rauw Alejandro, chegou ao topo da Latin Airplay em 2022. Em 2023, “Shakira: Bzrp Music Sessions, Vol. 53” venceu o Latin Grammy de Canção do Ano e fez dela a primeira cantora a estrear no top 10 da Hot 100 com uma faixa em espanhol. Pouco depois, “TQG”, com Karol G, debutou em primeiro lugar na Billboard Global 200.

Esse movimento culmina na fase mais recente, batizada por parte do público como A Fênix, em referência ao renascimento artístico e pessoal que molda “Las Mujeres Ya No Lloran”. Depois de anos de silêncio discográfico, Shakira transformou turbulências íntimas em combustível pop de alta voltagem, convertendo dor em narrativa e narrativa em números impressionantes. O álbum sintetiza sua capacidade de se reinventar sem perder o pulso comercial. É um trabalho que reafirma sua longevidade e sua habilidade de se recolocar no centro da conversa global. “Las Mujeres Ya No Lloran” (2024) foi seu primeiro álbum em sete anos, atravessado por latin pop, reggaeton, bachata e corrido; meses depois, o disco venceu o Grammy de melhor álbum pop latino em 2025. É um trabalho que resume bem o presente da artista: pessoal no conteúdo e musicalmente desenhado para máxima circulação.

Com “Soltera”, Shakira chegou ao 24º número 1 na Latin Airplay, recorde entre artistas mulheres, o que dá medida de sua longevidade. Poucas artistas atravessaram tantas mudanças de linguagem, formato e consumo sem perder a audiência.

O show integra o projeto  Todo Mundo no Rio, evento que já recebeu Lady Gaga no ano passado. Copacabana é a consequência lógica para a carreira de uma artista que atravessou a América Latina para brilhar nos grandes palcos do mundo.

Nada mais justo, então, que em 2026 ela suba ao maior palco de todos.