Belchior tem álbum ‘Elogio da Loucura’ relançado pela Universal
Cantor descreveu o trabalho como uma continuidade natural de sua trajetória

Belchior tem álbum 'Elogio da Loucura' relançado pela Universal (Divulgação)
A Universal Music Brasil relançou “Elogio da Loucura”, 11º álbum de estúdio de Belchior (1946-2017), originalmente lançado em 1988. Na época, o disco chegou ao mercado logo após uma temporada vitoriosa do cantor no tradicional Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, com ingressos esgotados. Compre aqui.
À época do lançamento, Belchior descreveu o trabalho como uma continuidade natural de sua trajetória: “É um trabalho que eu acredito ter uma coerência singular, com os meus temas de sempre, aquela coisa de conflito de poderes, do cidadão comum contra o cotidiano da cidade, da luta do imigrante na cidade grande.”
O músico completava, na ocasião, vinte anos de carreira e via no disco a chance de refletir sobre sua geração: “Estou completando vinte anos de atividades e no disco novo vou tentar contar o que aconteceu com essa geração. Me sinto maduro para tratar disso.”
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O álbum reforça a postura contestadora que marcou a obra de Belchior. “Acho que a arte tem de ser contestatória e minha função é criar insônia, não música para dormir”, afirmou o cantor à época. A frase resume o tom de boa parte das faixas, que miram o consumismo desenfreado e o esvaziamento do idealismo que marcou a virada dos anos 1960 para os 1970.
“Os profissionais” é uma das faixas mais contundentes do disco. Em ritmo paródico de rancheira, a canção dialoga com “Ideologia”, rock de Frejat e Cazuza lançado no mesmo ano. Já “Recitanda” retoma versos do clássico “Como Nossos Pais” para tocar na mesma ferida, enquanto “Balada de Madame Frigidaire” usa a ironia para retratar um homem apaixonado por sua geladeira.
Outras faixas completam o panorama crítico do álbum: “No Maior Jazz” mira a estupidez da política mundial, e “Kitch Metropolitanus” usa o ritmo do reggae para expor uma juventude que Belchior via como “clonada”. Para encerrar o disco, “Arte Final” questiona: “A saída será mesmo o aeroporto?”
Produzido por Antonio Foguete, o LP emoldura o discurso afiado de Belchior com arranjos mais eletrônicos, característicos do fim dos anos 1980. As referências do disco transitam entre Rolling Stones e Bob Dylan, Freud e Martin Luther King.
O álbum ainda se apropria dos títulos de duas obras clássicas do século 19 para nomear canções compostas em parceria com o conterrâneo Francisco Casaverde: “Lira dos Vinte Anos” (1853), do poeta cearense Álvares de Azevedo, usada para criticar o conformismo social; e “Amor de Perdição” (1862), romance do português Camilo Castelo Branco, que dá nome à única faixa romântica do disco.
Ouça ‘Elogio da Loucura’ de Belchior
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