Bate-volta por Harry Styles: a viagem relâmpago de uma fã brasileira a Amsterdã
Em entrevista à Billboard, Ana relembra bate volta a Amsterdã para ver o cantor

Ana Luiza no show do Harry Styles em Amsterdã (arquivo pessoal)
Fã desde o fim de 2010, quando o One Direction ainda dava os primeiros passos, Ana Luiza cresceu com pôsteres de Harry Styles na parede e as músicas da banda como trilha sonora de praticamente toda a vida. Em entrevista à Billboard Brasil, ela contou como uma viagem de trabalho do primo virou, quase por acaso, a chance de finalmente ver o artista ao vivo, em Amsterdã, depois de mais de uma década de tentativas frustradas.
“Eu era fanática no nível de a minha roupa, a minha toalha, tudo era deles. Eu tinha um Harry Styles de papelão do lado da minha cama”, lembra. Com o tempo, o fanatismo de adolescente se transformou em algo mais discreto, mas nunca desapareceu de fato: “Eles sempre são meu top 1 no Spotify. É muito louco como uma coisa me acompanha há uns 16 anos já.”
Uma coincidência de datas
Tudo começou quando o primo de Ana Luiza, que mora na Holanda, convidou-a para acompanhá-lo em uma viagem de negócios. Desempregada na época, ela topou sem imaginar que a data batia quase exatamente com um show de Harry Styles em Amsterdã. “Fiquei com aquela pulguinha atrás da orelha. Abri o site e vi que ele fazia show no dia 26, e minha chegada era dia 27. Eu falei: ‘Não, dessa vez eu não vou deixar isso acontecer’.”
Ao pesquisar, ela descobriu algo ainda mais surpreendente: entre as dez datas da turnê em Amsterdã, aquela era a única com ingressos disponíveis. “Eu falei: gente, isso é um sinal.” No dia seguinte, ligou para a companhia aérea pedindo para trocar a data da passagem, algo que normalmente teria custo. “A atendente falou: ‘Como você já é uma boa cliente nossa, vou alterar de graça’. Eu pensei: ‘Meu Deus, está tudo se encaixando’.”
O emprego novo e a corrida contra o tempo por Harry Styles
Poucas semanas antes da viagem, Ana Luiza foi aprovada em um processo seletivo com início imediato, o que colocava em risco tanto a ida a Amsterdã quanto outra viagem já planejada para julho. Diante da impossibilidade de tirar duas licenças, decidiu cancelar a viagem original e manter a passagem para o show, mesmo sem saber se conseguiria embarcar. “Eu não vou cancelar minha passagem, vai que acontece um milagre”, repetia para si mesma. Nem a transferência de ingresso a ajudava: ainda não estava liberada pela produtora, e ninguém entre seus conhecidos em Amsterdã quis comprá-lo dela. “Eu falei: ‘Meu Deus, vou morrer com o dinheiro do ingresso na mão, vou perder o dinheiro da passagem’.”
O milagre veio na segunda semana do novo emprego. Encorajada por uma colega, ela conversou com o chefe: “Falei que sabia que tinha acabado de entrar, mas que fazia anos que eu tentava ver esse show e nunca tinha conseguido.” A resposta foi positiva, tanto do chefe quanto da diretoria, e ela passou a fazer horas extras, inclusive nos fins de semana, para compensar os dias de folga.
A ansiedade pela chance de rever o artista ao vivo também tinha um histórico de desencontros. Desde que One Direction acabou, ela nunca havia conseguido assistir a um show de Harry Styles em turnê solo, seja pela “Love On Tour”, seja por questões financeiras. Coincidências de datas se repetiam ano após ano: “Eu sempre viajava e chegava tipo um dia depois do show. Isso já tinha acontecido umas duas, três vezes.”
Amsterdã, enfim
Com tudo organizado, viajou no dia 25, chegou no dia seguinte e embarcou de volta no dia 27, um verdadeiro bate-volta. Ela ainda foi ao sexto show da turnê inteira sem ter visto uma imagem sequer do que rolava no palco. “Eu pulava tudo que aparecia sobre Harry Styles e sobre o show, justamente para o algoritmo não me entregar nada. Não foi nem decisão minha, foram meus amigos que falaram: você já vai no sexto show, deixa essa surpresa pra você.” E funcionou: “Acho que foi a melhor decisão que eu tomei.”
Antes do show, passou pela pop-up store oficial da turnê, sem saber exatamente o que ia encontrar lá, além do endereço e do horário. Comprou a camiseta exclusiva de Amsterdã, feita especialmente para aquela cidade, um casaco vermelho que descreve como “a coisa mais linda do mundo” e o vinil do novo álbum. De lá, correu direto para a loja da Pleasing, marca de beleza de Harry Styles, ainda lotada de fãs, mas, com o tempo curto, preferiu guardar aquela experiência para outra oportunidade e seguiu para o mercado, comprar comida antes de voltar ao hostel para se arrumar.


Amizades feitas na fila
Hospedada em um hostel, Ana Luiza dividiu quarto com duas fãs alemãs que também iam ao show. “É muito difícil encontrar pessoas que tenham o mesmo gosto. Elas me mostraram fotos da ‘Love On Tour’ antiga, o quão perto ficaram, foi uma troca muito gostosa que fazia tempo que eu não tinha.” Sozinha na viagem, encontrar companhia de última hora foi um respiro em meio à ansiedade: “Eu já gosto de falar pouco, então eu estava tipo: ‘Meu Deus, achei gente pra conversar comigo’.”
As amizades de ocasião continuaram dentro do próprio show. Ao lado dela na pista, um grupo de fãs belgas trocou histórias sobre outros festivais que já haviam frequentado juntas, e foi justamente esse grupo de desconhecidas que a amparou no momento mais intenso da noite, quando ela mal conseguia se manter em pé de tanto chorar. É um fenômeno que ela reconhece em qualquer show de ídolo: gente que nunca se viu antes, unida pelo mesmo propósito, capaz de abraçar uma estranha só porque ela também está vivendo aquilo com a mesma intensidade.
A entrada no Johan Cruyff Arena
O show aconteceu no Johan Cruyff Arena, casa do Ajax, e a organização do local surpreendeu Ana Luiza. “É tudo muito diferente. Ninguém se empurrava, ninguém tentava ficar na frente de ninguém. Eu conseguia ver a grade, tinha espaço ainda, daria para ter ido até mais para frente, só que eu não quis ser essa pessoa também.”
Antes da apresentação principal, ela assistiu ao show de abertura da cantora Robyn, cuja música “Dancing On My Own” reconheceu de imediato. Em seguida, veio o momento que esperava havia anos: “Começou a tocar a introdução nos telões e ele entrou bem do lado que eu estava. Eu travei, parei, e pensei: ‘Meu Deus, esse homem está na minha frente’. Eu conseguia ver o quão verde o olho dele era.”
As lágrimas para Harry Styles durante ‘Fine Line’
Ana Luiza contou que, mesmo tentando evitar spoilers do setlist, guardava uma esperança: “Eu tinha falado desde o início que, se ele cantasse ‘Fine Line’, eu ia ter um treco. E foi exatamente isso que aconteceu. Eu quase morri, quase caí de tanto chorar, ao ponto das meninas que estavam ali em volta de mim verem o estado que eu tava e virarem pra me abraçar.”
O show também guardou um momento inusitado, quando Harry Styles interagiu com um casal de brasileiros posicionado bem perto dela e, ao vivo, revelou que o rapaz pretendia pedir a namorada em casamento. O pedido aconteceu ali mesmo, durante a apresentação. “Foi muito engraçado. Eu fiquei pensando que só Brasil mesmo para representar dessa forma.”
Ao fim do show, já em prantos, Ana Luiza caminhava para o metrô quando encontrou um músico de rua tocando “What Makes You Beautiful”, hit que marcou a era One Direction. “Aquele tanto de gente cantando uma música que fez parte da minha infância, da minha adolescência e da minha vida adulta inteira. Uma banda que infelizmente não existe mais e nunca vai voltar a ser a mesma, principalmente depois da morte do Liam“, disse, referindo-se a Liam Payne, integrante do grupo, que morreu há quase dois anos.
De volta à rotina, com o Brasil no horizonte
Depois de uma noite maldormida por causa do fuso horário e da adrenalina, Ana Luiza acordou cedo, arrumou as malas e seguiu para o aeroporto rumo a São Paulo. Chegou por volta das 20h e, no dia seguinte, já estava de volta ao trabalho às 8h da manhã, como se a viagem relâmpago para ver Harry Styles nunca tivesse saído do roteiro.
Dessa vez, ela mesma não estará na plateia quando Harry Styles finalmente voltar ao Brasil: outra viagem já compromete a agenda dela. Mas a passagem do artista por São Paulo, depois de quase três anos afastado do país, pode ser exatamente a chance que outras fãs esperaram a vida inteira, do jeito que ela esperou pelo show em Amsterdã.
As apresentações acontecem nos dias 17, 18, 21 e 24 de julho, no Estádio MorumBIS, dentro da turnê “Together, Together”, com abertura da banda Fcukers. Os ingressos estão à venda pela Ticketmaster Brasil e pela bilheteria oficial; a data de 18 de julho já está esgotada, mas as demais ainda têm disponibilidade.
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