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Faixa a faixa: Harry Styles mergulha na dualidade em novo álbum

'Kiss All The Time. Disco, Occasionally' une pista e introspecção

"Kiss All The Time Disco Occasion", de Harry Styles

Harry Styles retorna ao Brasil em julho de 2026 para quatro apresentações da turnê “Together, Together” no Estádio MorumBIS, em São Paulo, nos dias 17, 18, 21 e 24. Os shows marcam a volta do cantor ao país pouco mais de três anos após sua última passagem, em dezembro de 2022.

A nova série de apresentações chega impulsionada por “Kiss All The Time. Disco, Occasionally”, quarto álbum solo do artista e trabalho que serve de base para a turnê. A abertura dos shows ficará por conta da banda nova-iorquina Fcukers, grupo de música eletrônica formado em 2022. Mais infos sobre os shows e ingressos aqui.

Lançado em março de 2026, o disco apresenta uma combinação de disco music, synth-pop, house e soft rock, equilibrando momentos feitos para a pista de dança com letras marcadas por nostalgia, autoconhecimento, amor e melancolia.

Harry voltou a trabalhar com Kid Harpoon, parceiro de longa data desde “Fine Line” e “Harry’s House”, além de Tyler Johnson, colaborador frequente de sua carreira solo. O álbum também conta com participações vocais de Ellie Rowsell, vocalista da banda Wolf Alice, em algumas das faixas.

Mais do que uma homenagem à disco music, “Kiss All The Time. Disco, Occasionally” funciona como uma reflexão sobre os contrastes entre euforia e introspecção. Bote o disco para rolar e confira o faixa a faixa abaixo.

1. “Aperture”

A abertura do álbum funciona como um convite para entrar no universo criado por Harry. O termo “aperture” significa abertura da lente de uma câmera, e Harry usa essa imagem para sugerir uma nova forma de enxergar o mundo após um período de transformações pessoais. A escolha do título também conversa com sua conhecida paixão por fotografia analógica, hobby que acompanha o cantor há mais de uma década. A produção traz sintetizadores expansivos e uma atmosfera cinematográfica que apresenta a estética do disco. Foi escolhida como primeiro single justamente por condensar a proposta sonora do projeto. Sonoramente, a faixa apresenta os sintetizadores e a atmosfera nostálgica que servem de base para todo o disco.

2. “American Girls”

Harry retorna a um tema clássico do pop britânico: o fascínio pela cultura dos Estados Unidos. A música lembra a tradição de artistas ingleses que observam o imaginário americano à distância, como fizeram bandas dos anos 1970 e 1980. A música retrata personagens femininas quase como símbolos de um imaginário coletivo. Alguns fãs também apontaram paralelos com sua própria experiência vivendo entre Londres, Los Angeles e Nova York durante a carreira solo. O resultado é uma canção leve e divertida, mas recheada de observações sobre identidade e pertencimento. A melodia é contagiante e reforça a influência do pop dos anos 1980 presente em boa parte do trabalho. A faixa foi escolhida como segundo single do álbum, reforçando sua vocação radiofônica e seu apelo imediato.

3. “Ready, Steady, Go!”

Com menos de três minutos, a música parece inspirada na tradição das bandas britânicas que apostavam em faixas curtas e explosivas. O título remete ao programa musical “Ready Steady Go!”, exibido no Reino Unido nos anos 1960 e responsável por apresentar artistas como os Beatles ao público britânico. A referência reforça a ligação de Harry com diferentes eras da música pop. A música soa como um dos momentos mais diretos do álbum, com refrão imediato, batida pulsante e espírito pop minimalista dançante. A letra sugere sutilmente um desequilíbrio emocional entre as duas pessoas envolvidas, indicando que o relacionamento pode não ser baseado em igualdade entre as duas partes.

4. “Are You Listening Yet?”

Aqui Harry parece dialogar com alguém em uma das letras mais diretas do álbum. A pergunta do título pode ser interpretada de várias maneiras: um diálogo com um amor distante, uma provocação à imprensa ou até uma mensagem para os próprios fãs. Harry parece se dirigir a alguém que não consegue ou não quer ouvir aquilo que ele tem a dizer. O refrão repetitivo reforça essa sensação de insistência. Nas redes sociais, muitos ouvintes destacaram a música como uma das mais autobiográficas do projeto. A produção mistura funk-pop, synth-pop e guitarras oitentistas, criando uma das músicas mais radiofônicas do disco. 

5. “Taste Back”

A faixa gira em torno da nostalgia e da tentativa de recuperar emoções do passado. Harry usa referências sensoriais, especialmente ligadas ao paladar, para representar memórias afetivas difíceis de abandonar. O verbo “taste” aparece como uma metáfora para memórias afetivas que permanecem vivas mesmo após o fim de uma relação. Alguns fãs interpretaram a canção como uma continuação emocional de temas explorados em “Fine Line” e “Harry’s House”, especialmente na forma como Harry associa lembranças a sensações físicas. Musicalmente, equilibra elementos eletrônicos e uma interpretação vocal mais íntima e quase sussurrada.

6. “The Waiting Game”

Harry desacelera o ritmo e mergulha em um tema recorrente de sua discografia: a dificuldade de lidar com o tempo e com aquilo que está fora do nosso controle. A espera é o tema central da música. A letra aborda a ansiedade de aguardar respostas, mudanças ou reencontros, transformando a espera em seu principal tema. Em vez de buscar uma solução, Harry parece aceitar a incerteza como parte inevitável da experiência humana. Curiosamente, o título coincide com uma expressão muito usada na cultura britânica para descrever situações em que não há nada a fazer além de esperar. A produção mais contida e misturada a dedilhados acústicos ajuda a transmitir essa sensação de suspensão e incerteza. 

7. “Season 2 Weight Loss”

Talvez o título mais curioso do álbum, que parece fazer referência à linguagem dos serviços de streaming, onde uma “segunda temporada” simboliza reinvenção e recomeço. Já a expressão “weight loss” pode ser interpretada não apenas de forma literal, mas como uma metáfora para abandonar bagagens emocionais. A ideia é que, quando uma série se torna um sucesso, o elenco retorna para a segunda temporada e novos desafios. A ambiguidade ajudou a transformar a música em uma das mais debatidas entre os fãs. 

8. “Coming Up Roses”

A expressão inglesa “coming up roses” significa que tudo está dando certo. Harry, porém, parece brincar com essa expectativa ao construir uma canção melancólica e contemplativa, que parece questionar se a felicidade aparente corresponde à realidade emocional dos personagens retratados na música. Esse contraste entre letras emocionalmente complexas e melodias agradáveis aparece em vários momentos do álbum e se tornou uma das características mais elogiadas do projeto, mas aparece muito bem realçada nesta faixa com violinos em staccato e um belo arranjo de cordas. Muitos ouvintes apontaram a faixa como uma das mais bonitas do álbum.

9. “Pop”

Se existe uma faixa-manifesto em “Kiss All The Time. Disco, Occasionally”, provavelmente é esta. A letra pode ser lida como uma reflexão sobre a fama e o próprio papel de Harry dentro da indústria musical, funcionando quase como um balanço de sua relação com o universo pop após anos tentando equilibrar sucesso comercial e credibilidade artística. O título simples reforça a proposta da música, enquanto a produção incorpora referências que vão da disco music aos teclados de synth-pop. 

10. “Dance No More”

Apesar da sonoridade festiva, a letra fala sobre exaustão emocional e a necessidade de interromper ciclos repetitivos. Harry descreve alguém que continua participando da festa, mas já não encontra prazer nela. A música explora a tensão entre aparência e sentimento, tema recorrente no álbum. O contraste entre música dançante e temática melancólica remete à tradição da disco music dos anos 1970, que frequentemente escondia histórias de solidão sob arranjos feitos para a pista. É uma das faixas que melhor representa o disco e o terceiro single divulgado.

11. “Paint By Numbers”

A composição utiliza a metáfora dos kits de pintura guiada para discutir autenticidade. Nos versos, Harry questiona a pressão para seguir caminhos previsíveis e reproduzir fórmulas prontas. O tema dialoga diretamente com debates frequentes sobre sua carreira, especialmente após a transição de ídolo teen para artista solo reconhecido pela crítica. É uma música com arranjo acústico e uma das mais orgânicas do repertório.

12. “Carla’s Song”

A canção celebra a alegria da descoberta e a beleza de vivenciar a vida, quase como um incentivo para despertar para o mundo ao seu redor. Sua letra retrata uma jornada da inocência à experiência, da ignorância à consciência aguçada do mundo e de suas possibilidades. A Carla do título é uma das amigas mais próximas de Harry na vida real. A música foi inspirada por um momento que os dois compartilharam, quando Harry apresentou músicas de Simon & Garfunkel e descreveu o momento como “ver alguém descobrindo a magia”. A faixa finaliza o álbum com atmosfera empolgante e sintetizadores oitentistas.

O que “Kiss All The Time. Disco, Occasionally” representa?

Embora tenha sido vendido como um álbum influenciado pela disco music, muitos ouvintes destacaram que o trabalho é mais amplo do que isso, alternando momentos dançantes com baladas introspectivas e experimentações pop. Enquanto “Disco” sugere celebração e escapismo, “Occasionally” funciona quase como um lembrete de que esses momentos são temporários. Essa dualidade entre euforia e introspecção atravessa todo o repertório e ajuda a explicar por que muitos críticos enxergaram o trabalho como um dos momentos mais ambiciosos da carreira de Harry. O resultado é um álbum que transforma a pista de dança em espaço para reflexão, consolidando uma nova fase artística do cantor.

Ouça Harry Styles