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‘Era Uma Vez o Amanhã’ de Amanda Magalhães: explorando o seu lado ‘irreverente’

Cantora comenta sobre o lançamento do álbum 'Era Uma Vez o Amanhã'

Amanda Magalhães (Divulgação)

Amanda Magalhães (Divulgação)

Em entrevista à Billboard Brasil, Amanda Magalhães contou sobre a “Amanda Irreverente”, uma espécie de persona que ela criou a fim de explorar em seu terceiro álbum, “Era Uma Vez o Amanhã”, lançado no último dia 5 de agosto.

“Essa junção das Amandas deu certo, pude trazer a teatralidade e brincar com a cultura dos tempos sem me levar muito a sério”, explica a artista sobre este novo tom “irreverente” que encontrou.

A cantora, compositora, produtora e multi-instrumentista vem consolidando sua carreira, e fez a estreia ao vivo do disco no festival Doce Maravilha no último dia 8 de agosto. A produção traz as participações de Chico César e da rapper pernambucana Bione, entre outros artistas.

Uma divergência de seus dois álbuns anteriores, “Fragma” (2020), que contou com colaborações de Liniker e Seu Jorge, e Maré de Cheiro (2023), “Era Uma Vez o Amanhã” explora um novo lado da cantora: uma mistura de rap com nova MPB e ritmos regionais, atravessados por colagens sonoras, e que não tem medo de falar de problemas sociais de forma humorística, irônica.

“Quis fazer um trabalho mais voltado pra temas sociais, e que incorpora elementos de teatralidade, que deixa você poder brincar mais com a voz. Neste sentido o rap foi uma escolha também porque permite que exista mais letra”

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O tal dos ‘memixes’ de Amanda Magalhães

Uma referência importante no som do disco veio das próprias experimentações de Amanda: os chamados “memixes”.  Em 2023, ela começou a postar nas suas redes sociais remixagens humorísticas de memes ou temas políticos. No mesmo ano, um remix de uma fala da atriz Luana Piovani viralizou nas redes:

@amandzmagalhaes

MÚSICA, POESIA, DROGA, MACHO 🎶 #luanapiovani #remix #música #memestiktok

♬ som original – Amanda Magalhães

A recepção dos memixes fez Amanda pensar: “Sempre gostei de trabalhar com humor, mas a minha discografia até o momento não trazia isso. Acredito que o humor tem um poder de criar conexões poderosas, até para falar de coisas difíceis. Foram as redes sociais que trouxeram essa perspectiva de que se divertir é o que acessa as pessoas, porque não explorar?”.

Na produção, o humor dos memixes foi uma referência de como descrever a realidade por meio de colagens de sons, vozes irônicas e até sonoras de pensadores famosos. “Foi um processo de brincar com isso até dar certo: eu vejo a tia do zap, a blogueira, e tudo isso”, disse Amanda Magalhães.

O single “Vida de Rei, Vida de Cão”, que lançou em junho deste ano, concretizou o tom humorístico do álbum.

Amanda Magalhães em "Vida de Rei, Vida de Cão"
Amanda Magalhães em “Vida de Rei, Vida de Cão”

Passado, presente e futuro

A ideia de falar sobre temas sociais veio dos livros de filósofos como Maria Homem e Ailton Krenak, que Amanda Magalhães conheceu durante o ano passado: “Quis contar uma história coletiva de atravessamentos coletivos. Uma história focada no Brasil”.

“Era Uma Vez o Amanhã” é organizado em três atos, separados entre passado, presente e futuro. Além de traçar uma linha do tempo, o álbum busca apontar como certas estruturas só “trocaram de roupa”: apesar das mudanças nas aparências, o funcionamento continua o mesmo. “É um álbum que questiona as promessas de progresso que nos trouxeram até aqui e pergunta: que futuro estamos construindo quando perdemos o tempo, a memória e uns aos outros?”, conta.

As letras apontam o dedo para relações que Amanda Magalhães vê como problemáticas: o fenômeno dos Coaches, automatização, dependência em IA e o adoecimento nas redes sociais.

“Se tornou quase imperativo ter uma presença nas redes – a gente passa a ter que existir ali de uma maneira que além de tudo é estimulado por um falso discurso de conexão. Se tornou um espaço da gente se mostrar e consumir, não vejo mais esse cunho de rede social como conexão”, disse Amanda sobre a música “Eu Quero Likes”.

A última faixa, “Canção pra Te Amar no Fim do Mundo”, volta para a sonoridade dos discos anteriores de Amanda Magalhães para pintar um contraste com a imagem de um mundo adoecido criado ao longo do álbum.

Sempre fui de trabalhos que navegam por sentimento. No final existe o amor tentando sobreviver no meio do fim do mundo”

Ouça “Era Uma Vez o Amanhã”, de Amanda Magalhães: