Trinix celebra conexão com a música brasileira em show nesta quarta (27)
Dupla francesa declara que o país tem uma sonoridade 'realmente especial'; leia

TRINIX (Divulgação)
“Há muitos anos esperamos para fazer um show no Brasil. É um país que nos inspira demais e já trabalhamos com muitos artistas brasileiros. Então, sim, definitivamente podemos dizer que este é um show que significa muito para nós. Esperamos de verdade que a atmosfera seja de festa, união e muita vibe positiva! Mas conhecendo o Brasil, temos certeza de que será exatamente assim!”
É com esse entusiasmo que Trinix define sua relação com o público brasileiro em entrevista à Billboard Brasil. Formada por Josh Chergui e Loïs Serre, a dupla de DJs e produtores franceses desembarca no país nesta quarta-feira (27) para uma apresentação única na ZigStudio, em São Paulo, com início marcado para as 21h.
Apesar de ser a primeira vez dos artistas nos palcos daqui, a familiaridade com a música brasileira vem de longa data. Eles já assinaram remixes e versões de faixas como “Vaitimbora”, com Mari Froes, e “Emorio”, clássico de Gilberto Gil e João Donato. “De fato, já lançamos várias faixas com artistas brasileiros porque as sonoridades e a cultura musical daí são incrivelmente ricas e nos inspiram profundamente”, revelam.
Quando questionados sobre como descobriram essas relíquias, a resposta entrega um misto de nostalgia e acaso: “A história por trás de ‘Emorio’ é bem engraçada: o Josh viajou para o Brasil há mais de 10 anos e trouxe muitos vinis de música local. Enquanto arrumávamos nosso estúdio em 2020, reencontramos esses discos. Ouvimos a faixa e sentimos imediatamente que aquela voz era incrível, que unia as pessoas e que tínhamos que criar algo em cima. Já no caso de ‘Vaitimbora’, foi simplesmente a magia das redes sociais — topamos com a música completamente por acaso!”
Para Trinix, o mercado fonográfico brasileiro carrega uma identidade única, difícil de ser replicada no resto do mundo. “A música brasileira como um todo é realmente especial. Os ritmos soam muito frescos e os sons são bem diferentes do que costumamos ouvir. Não existem limites ou barreiras — dá para sentir uma sensação real de liberdade e originalidade. E, claro, já estamos trabalhando com muitos novos artistas brasileiros incrivelmente talentosos. Não vemos a hora de lançar tudo isso.”
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Essa conexão global, aliás, moldou a identidade do Trinix desde o início. Conhecidos por fundir texturas e idiomas de diferentes partes do planeta, eles explicam que a curadoria desses sons não segue uma fórmula matemática, mas sim o instinto.
“Não existe um método real: nós simplesmente seguimos nossos gostos e sensibilidades artísticas. Nunca dizemos a nós mesmos: ‘Vamos fazer uma faixa inspirada nos sons de tal país’. Apenas nos deixamos guiar, mantendo a mente aberta”, explicam. “Percebemos que esse era o nosso diferencial quando o público começou a elogiar a jornada musical que estávamos oferecendo. Músicas em português, francês ou em vários outros idiomas conseguem se conectar com pessoas do mundo inteiro. Isso é mágico — especialmente em um cenário onde a música eletrônica foi, por muito tempo, dominada pelo inglês, com vocais muito parecidos e sem identidade real.”
Essa sensibilidade para captar o que há de mais singular no mundo se reflete diretamente na forma como produzem. Para os produtores, qualquer ruído do cotidiano pode se transformar em arte, contanto que se saiba ouvir.
“Qualquer sample pode chamar nossa atenção. É justamente isso que tentamos mostrar em nossas redes sociais: a música está em toda parte, você só precisa escutar com atenção. Até sons do dia a dia podem virar samples! É difícil escolher qual cultura musical nos surpreendeu mais porque cada uma é incrivelmente rica, mas provavelmente diríamos o Brasil, já que é um país que nos inspira enormemente.”
Essa busca pelo espontâneo também dita o ritmo dos bastidores. Trinix foge de processos criativos rígidos para evitar a rotina, priorizando faixas que soem orgânicas e longe de soar puramente calculadas. O mesmo vale para as apresentações ao vivo: o objetivo é entregar um set vivo e especial.
No palco, a proposta é traduzir a essência do conceito do disco “Origin”, projeto que resume a trajetória da dupla de levar o público a uma verdadeira viagem global, conectando diferentes culturas, batidas e artistas de todo o mundo em uma única pista.
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