SXSW: Brasileiros têm voz e bagagem no debate global sobre música e inovação

João Gomes e Jota.pê durante show no festival Nômade (Raphael Strabelli/Divulgação)
Para quem mira trazer práticas inovadoras para dentro de seus negócios, é fácil afirmar: inovação não acontece dentro de moldes. Exatamente por isso, o ambiente do South By Southwest (SXSW) é enriquecedor: ainda que os painéis e as palestras que integram a programação oficial sejam completos e relevantes, as trocas que acontecem fora da agenda formal – nos corredores, bares e clubhouses – são tão relevantes quanto as de dentro dela.
Isso só é possível porque o festival (o maior evento de inovação do mundo) pulsa diversidade. A dinâmica vibrante das conexões vem em parte das diferenças de cultura e de background: pessoas do mundo inteiro se deslocam até Austin, no Texas, todos os anos para um mergulho. Executivos, criadores, empreendedores, estudiosos, curiosos: estão todos ali. Além do repertório, a vinda ao festival faz com que essas pessoas se abram ao diálogo, criando um ecossistema intenso, orgânico – e gigante! – de networking e experimentação, sempre embalado por música.
A cultura vibrante de Austin
Se a diversidade vem de fora, ela encontra uma força identitária que vem de dentro em Austin. A capital do Texas é um lugar onde a cultura tradicional do country encontra a inovação, em uma combinação pouco óbvia e sempre rica. Quem está na cidade reconhece os estilos, mas os encontra em outra atmosfera. Bota e chapéu traduzem ousadia, ganhando ares tão cool quanto contemporâneos, mas mantendo-se fiéis à essência.
Essa mesma lógica atravessa a música. No SXSW, o country tem espaço e diálogo na programação. E não aparece apenas como um resgate nostálgico, mas como linguagem em evolução. Novos nomes, como Ella Langley, mostram essa virada: uma artista que carrega referências clássicas ao mesmo tempo em que dialoga com atitude e público atuais. Sua apresentação com casa cheia durante o SXSW só reforça essa relevância. Um comportamento que acompanhamos de perto por aqui.
Pela programação de 20 anos do Spotify, celebrados durante o festival, também passaram outros artistas que têm redefinido o gênero, migrando o country de uma cultura de nicho para um desejo coletivo, sinônimo de estilo de vida. É o caso de Lainey Wilson que, além de participar de um painel ao lado do co-CEO do Spotify, Gustav Söderström, se apresentou para o público do evento.
Tradição e inovação lado a lado
O encontro promissor entre tradição e modernidade traz aprendizados importantes para quem produz eventos musicais. Talvez um dos mais marcantes, para mim, é que não se trata de escolher entre raiz ou inovação, mas de entender como uma fortalece a outra. Traçando um paralelo com o Brasil, o sertanejo percorre um caminho semelhante: nasce de uma identidade cultural forte e se reinventa em grandes produções, novas narrativas e formatos de experiência.
Os eventos do Circuito Sertanejo materializam esse movimento. A cultura regional ganha escala, sofisticação e potência de negócio ao encontrar um nível elevado de produção e curadoria. É entretenimento e é também construção de relevância cultural com geração de impacto econômico.
O Brasil virou o jogo
Nosso país ocupa uma posição diferente no SXSW. Se, em edições anteriores, os brasileiros caminhavam como observadores, prontos para importar o que era criado em outros países do mundo, nosso lugar agora é bem diferente. Saímos das plateias para uma posição mais ativa na troca global de conhecimento.
Hoje vemos mais brasileiros à frente de painéis e palestras da programação oficial. Além de sermos a maior delegação internacional no evento, ambientes institucionais do Brasil também passam a marcar mais presença. É o caso da SP House, iniciativa do Governo do Estado de São Paulo que, além da promoção de debates ricos, proporcionou ao público lindos encontros da música brasileira em pleno Texas, com curadoria assinada pela Billboard Brasil – deixando o espaço lotado, principalmente, nos fins de tarde.
O jogo agora é outro: brasileiros têm voz, bagagem e espaço no debate global sobre música e inovação. Queremos ser ouvidos e querem nos ouvir. O Brasil pulsa em Austin.
Ludmila Ximenes é Chief Sales & Marketing Officer do Grupo DVT, um dos principais grupos de entretenimento do Brasil.
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