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‘Música brasileira precisa ocupar mais espaço’, diz A&R da Som Livre

A&R da Som Livre, Alan Rey fala sobre desenvolvimento de artistas

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Camila Zana e Alan Rey, A&R da Som Livre, no podcast Cabos & Cases / BillboardBR

Para Alan Rey, A&R da Som Livre, a música brasileira vive um momento de visibilidade global, mas ainda não ocupa o espaço que poderia. E essa lacuna, segundo ele, passa menos por talento e mais por estratégia. Convidado do podcast Cabos & Cases, apresentado por Camila Zana, durante o SXSW 2026, Alan compartilha a visão de quem está no centro do desenvolvimento artístico e acompanha de perto os movimentos da indústria fonográfica.

Para o executivo, ainda existe um descompasso entre o potencial da música brasileira e sua presença internacional – especialmente em circuitos globais. Ele aponta dois fatores principais: o desconhecimento de programadores internacionais e, principalmente, a falta de decisão estratégica por parte de artistas e equipes.

Na visão dele, artistas que entendem o valor desses espaços conseguem acelerar sua trajetória, não apenas pela visibilidade, mas pela troca.

“Você cria relações, troca experiências, entende o mercado e passa a ser visto de outra forma”.

Dentro da Som Livre, Alan atua na área de projetos especiais e estratégicos, frente que conecta repertório, posicionamento e visão de longo prazo. Ele reforça que o trabalho de A&R vai além de encontrar talentos. É sobre construir carreira.

“A gente está trabalhando com sonhos e com histórias que podem atravessar gerações”, explica.

A lógica se sustenta na própria história da gravadora, que há seis décadas lançou nomes como Djavan, Chico Buarque e Gilberto Gil — artistas que hoje são referência, mas…  “Em algum momento alguém teve que apostar nesses artistas”, reforça.

Esse equilíbrio entre tradição e inovação aparece em projetos como o “Canto Djavan”, que reúne Jota.pê, Melly e Bruna Black reinterpretando a obra do cantor. Além da relevância artística, o projeto se conecta diretamente ao DNA da Som Livre, responsável pelo primeiro disco de Djavan, lançado há 50 anos.

“Levar esse repertório para um público que está sedento por novidade é uma forma de conectar legado e futuro”.

A estratégia também passa por artistas em desenvolvimento, especialmente dentro do selo Slap, braço da gravadora voltado para novas apostas. Para Alan, parte fundamental do desenvolvimento artístico está na exposição a novas referências – algo que, segundo ele, ainda é subestimado por muitos artistas.

“Você anda, entra em um lugar e descobre um som que nunca ouviu. Isso muda a forma de pensar música”, diz. “A música transcende o idioma. Tem coisa que te pega antes de você entender o que está sendo dito.”

Outro ponto debatido é o momento atual da indústria: marcado por excesso de oferta e múltiplas formas de consumo. Para Alan, não existe conflito entre o digital e o físico. Existe complementaridade.

“Tem momento para tudo. Você pode ouvir no streaming, pode ouvir no vinil. O importante é o acesso”.

Ele reconhece o papel dos algoritmos na descoberta de novos artistas, mas reforça a importância do catálogo e do legado como pilares de construção cultural.

Para 2026, a Som Livre prepara uma série de projetos que reforçam essa estratégia de equilíbrio entre passado e futuro. Entre eles, novas edições do “Canto” e iniciativas ligadas a álbuns históricos, como as celebrações dos 50 anos de carreira de Djavan.