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Plebe Rude toca ‘O Concreto Já Rachou’ na íntegra no C6 no Rock

Banda revisita o disco de estreia no ano em que ele completa quatro décadas

Plebe Rude (Caru Leão/Divulgação)

Plebe Rude (Caru Leão/Divulgação)

Quarenta anos depois de lançar o disco que apresentou a Plebe Rude ao Brasil, a banda volta neste sábado (22) às sete músicas de “O Concreto Já Rachou”. O grupo abre o C6 no Rock às 14h15, na área externa do Auditório Ibirapuera, em São Paulo, com uma hora de apresentação. O álbum será tocado do início ao fim, e o restante do repertório será preenchido por músicas de outras fases da carreira, segundo Philippe Seabra.

Para Seabra, a sucessão de comemorações tem um lado menos confortável. O vocalista diz que prefere enxergar a permanência do repertório não apenas como sinal de longevidade artística, mas também como consequência dos assuntos tratados nas letras.

“Como artista e como compositor, a gente fica feliz com a relevância da obra. Mas, como cidadão, fico um pouco aflito sabendo que a mensagem ainda ressoa e que o país não mudou tanto assim”, afirma à Billboard Brasil.

Lançado em 1986 como um mini-LP, “O Concreto Já Rachou” tem sete faixas e pouco mais de 21 minutos. Produzido por Herbert Vianna, o trabalho concentrou em um disco curto parte das tensões políticas, sociais e urbanas que orientavam a composição da banda naquele momento.

O aniversário chega em um ano movimentado para a Plebe Rude, que também completa 45 anos. Em julho, a Universal Music relançou “O Concreto Já Rachou” em vinil, acompanhado de um compacto de sete polegadas com demos de quatro faixas. A banda também voltou ao estúdio para regravar “Até Quando Esperar” com Herbert Vianna e Jaques Morelenbaum.

Por que o concreto rachou

O título nasceu de uma imagem bastante literal. Seabra conta que estava em um ônibus em Brasília quando observou rachaduras no concreto de um viaduto de uma cidade ainda jovem. A cena virou uma síntese das contradições que a Plebe pretendia abordar: uma capital projetada como símbolo de modernização nacional que também permitia leituras sobre desperdício, privilégios e uso do dinheiro público.

“O concreto rachou é o mau uso do dinheiro público, o descaso”, resume o músico. A mesma lógica aparece em “Brasília”, faixa que encerra o disco e transforma elementos cotidianos da capital federal em matéria para a letra.

 A relação da banda com esse tipo de comentário político, segundo Seabra, sempre passou mais pelas canções do que por intervenções entre uma música e outra.

“A gente nunca foi uma banda de ficar dando discurso. As músicas já têm um conteúdo sociopolítico que diz tudo”, afirma.

Esse contexto também explica “Proteção”, escrita ainda sob a experiência da ditadura militar, e “Até Quando Esperar”, que colocou desigualdade social no centro do repertório. Ao revisitar o material quatro décadas depois, a banda não pretende adaptar o discurso original às circunstâncias atuais. “A gente tem o nosso processo na música. Não dá para mudar”, diz Seabra.

Hoje, além dele na guitarra e voz, a Plebe Rude reúne André X no baixo, Clemente Nascimento na guitarra e voz e Marcelo Capucci na bateria. Seabra e André são remanescentes da formação que registrou o álbum original.

Plebe Rude abre o C6 no Rock

O show da Plebe será o primeiro da programação do C6 no Rock. Depois da banda, o sábado segue com Paulo Ricardo apresentando “Rádio Pirata ao Vivo”, Titãs com “Cabeça Dinossauro” e Os Paralamas do Sucesso com “Selvagem?”.

A noite termina com “Meu sonho é ser imortal”, homenagem a Rita Lee liderada por Beto Lee e com participações de Alice Caymmi, Baby do Brasil, Catto, Fernanda Abreu, Letrux, Marina Sena, Miranda Kassin e Sandra Sá.

A proposta da primeira edição do festival é justamente reunir discos ligados ao rock brasileiro dos anos 1980 e colocá-los novamente no palco.

Serviço: Plebe Rude no C6 no Rock

Data: sábado, 22 de agosto de 2026
Horário: 14h15 às 15h15
Local: área externa do Auditório Ibirapuera, Parque Ibirapuera, São Paulo
Acesso: Portão 10, Av. Pedro Álvares Cabral
Ingressos por dia: R$ 360 (inteira) e R$ 180 (meia); clientes C6 Bank têm 20% de desconto.