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No C6 Rock, Paulo Ricardo recria ‘Rádio Pirata Ao Vivo’, clássico do RPM

Cantor revisita show em festival dedicado a discos de rock dos anos 1980

RPM em 1985 (Rui Mendes)

RPM em 1985 (Rui Mendes)

Se 1986 pudesse ser resumido pela discografia do rock brasileiro, o sábado do C6 no Rock daria uma boa amostra. Plebe Rude toca “O Concreto Já Rachou”, Paulo Ricardo, fundador do RPM, revisita “Rádio Pirata Ao Vivo”, Titãs apresenta “Cabeça Dinossauro” e Os Paralamas do Sucesso leva “Selvagem?” ao palco. Quatro discos lançados no mesmo ano e que ajudam a explicar o gigantismo alcançado pelo rock nacional naquele período.

No caso de Paulo Ricardo, há uma particularidade. “Rádio Pirata Ao Vivo” nasceu do próprio espetáculo do RPM, dirigido por Ney Matogrosso, que percorreu o país entre 1985 e 1986. O disco foi registrado nos dias 26 e 27 de maio de 1986, no Anhembi, em São Paulo, e se tornou um dos maiores fenômenos comerciais do rock brasileiro.

Quarenta anos depois, Paulo não pretende simplesmente tocar as faixas em sequência. Em entrevista à Billboard Brasil, ele conta que vai retomar elementos da montagem original, inclusive músicas que desapareceram de seus shows ao longo das décadas.

“Eu vou fazer exclusivamente no sábado. A gente vai realmente reproduzir aquele show que o Ney dirigiu para esse festival. Tem canções que a gente nunca faz, que não foram sucessos radiofônicos, mas que compõem a Polaroid daquela época, com lados luminosos e lados escuros, influências da new wave e também mais góticas. Isso me dá flashbacks violentos, principalmente nessas músicas do lado B.”

De uma gravação de rádio ao fenômeno do RPM

A própria existência de “Rádio Pirata Ao Vivo” tem uma história pouco convencional. Antes do álbum, uma apresentação de “London, London”, de Caetano Veloso, durante o festival Atlântida Rock Sul, foi transmitida pela Rádio Transamérica. A gravação começou a circular nas emissoras e ganhou força sem que houvesse naquele momento um registro oficial do RPM para a faixa. A história acabaria empurrando a banda para o álbum ao vivo.

Paulo Ricardo concorda que a comparação mais próxima hoje seria a de uma faixa que surge fora do planejamento e começa a se espalhar pelas plataformas. Mas, para ele, o fenômeno foi além.

“Hoje seria uma viralização, porque o rádio continua existindo, mas talvez não seja mais o principal veículo; é o streaming. É como se a gente tivesse jogado uma coisa na internet e aquilo tivesse viralizado. Mas foi mais do que isso: a ideia de uma ‘Rádio Pirata’ propondo uma revolução e a versão pirateada virar sucesso no rádio oficial é muito louca. Essa metalinguagem transcende apenas a viralização.”

O álbum reuniu músicas do primeiro disco do RPM, “Revoluções por Minuto”, como “Olhar 43”, “A Cruz e a Espada” e a faixa-título, além de “Alvorada Voraz”, “Naja”, “London, London” e “Flores Astrais”.

A concentração de lançamentos de 1986 na programação do C6 no Rock também levou Paulo a refletir sobre aquele momento. Em sua leitura, a geração que chegava às gravadoras combinava a abertura política brasileira com mudanças que vinham acontecendo no próprio pop internacional, dos sintetizadores ao punk e à MTV.

“Quando a gente chega à idade de produzir e lançar nossas coisas, isso coincide com três fenômenos que afetaram diretamente a música: a revolução tecnológica dos sintetizadores, a revolução do punk e a revolução da MTV. A gente chega a um momento em que está tudo mudando. Acabou a ditadura, a gente está podendo falar, mas ao mesmo tempo havia uma angústia, da Guerra Fria à Aids. Era um sentimento de contrastes entre euforia e depressão, e as canções refletiam essas duas coisas.”

Recriar “Rádio Pirata” também significa voltar ao trabalho de Luiz Schiavon e P.A. Pagni, integrantes do RPM mortos em 2023 e 2019, respectivamente. Paulo diz que procura preservar arranjos e timbres da formação original justamente para manter essa identidade no palco. Para ele, a montagem dirigida por Ney Matogrosso foi o ponto em que o RPM encontrou a forma pela qual seria lembrado.

No sábado (22), Paulo Ricardo se apresenta das 15h45 às 16h45. O C6 no Rock acontece nos dias 22 e 23 de agosto, na área externa do Auditório Ibirapuera, em São Paulo, e reúne ainda shows dedicados a discos de Blitz, Ira!, Legião Urbana e Marina Lima, além de homenagens a Rita Lee e CazuzaIngressos à venda pela Eventim.