Titãs: Tony Bellotto diz que ‘Anitta é rock’ antes de show no C6
Músico elogia versão de ‘Bichos Escrotos’ e comenta show de 'Cabeça Dinossauro'

Tony Belotto, dos Titãs (Divulgação)
Quarenta anos depois de “Bichos Escrotos” estourar no disco “Cabeça Dinossauro”, a música voltou a circular entre um público que, em alguns casos, nem sabia que ela era dos Titãs. A responsável pelo reencontro foi Anitta, que regravou a faixa com produção do Tropkillaz para o filme “Corrida dos Bichos”, do Prime Video. A versão ganhou força nas redes sociais, virou meme e provocou uma pequena colisão de gerações. Para Tony Bellotto, o remix faz sentido: “A Anitta é rock”, diz o guitarrista à Billboard Brasil.
Quem quiser conferir a versão 100% original ao vivo, é justamente “Cabeça Dinossauro” que os Titãs levam ao C6 no Rock neste sábado (22), no Parque Ibirapuera, em São Paulo. A banda de Tony Bellotto apresentará o álbum clássico inteiro e na ordem original, em um show marcado para 17h15, dentro de uma programação dedicada a discos centrais do rock brasileiro dos anos 1980.
Tony Bellotto e Titãs tocam no C6 Rock
Para Tony Bellotto, parte da provocação que marcou o rock brasileiro dos anos 1980 migrou para outros gêneros.
“O funk e o rap têm hoje muito da provocação que o rock tinha nos anos 80, até nos anos 90 e início dos anos 2000”, afirma.
“Cabeça Dinossauro”, lançado em 1986, completa 40 anos em 2026 e também ganhou uma turnê comemorativa do trio formado hoje por Bellotto, Branco Mello e Sérgio Britto.
+Leia Mais: Miklos aprova ‘Bichos Escrotos’ de Anitta: ‘Deu o recado!’
Confira a entrevista completa com Tony Bellotto abaixo.
Billboard Brasil: “Cabeça Dinossauro” costuma ser ouvido como um retrato da abertura democrática. O que o disco ainda diz sobre o Brasil?
Mais do que um retrato, ele era um grito. Um grito de desaforo, de revolta guardada, que pode ser solta… Eu acho que 40 anos depois, ele continua um alerta. Agora, ele é um alerta para que a gente continue prestando atenção na importância da democracia, dos direitos individuais, lutando sempre contra as trevas ditatoriais, autoritárias. Ele continua um disco com um grito de liberdade.

O país de hoje segue merecendo músicas como “Polícia” e “Estado Violência”?
Não é uma questão de merecer, né? O Brasil merece as melhores coisas possíveis. Eu acho que o Brasil está se saindo muito bem no momento como um lugar de resistência democrática, quando existe toda essa ameaça retrógrada, fascista, vindo de todos os lados. Mas eu acho que músicas como “Polícia”, “Estado Violência” ainda fazem sentido para aumentar essa atenção que a gente tem com a preservação da democracia. E essas questões, como o abuso da, policial e tudo isso, são questões inerentes ao próprio convívio humano. Isso acontece em todas as sociedades do mundo. Então é, é preciso atenção para que essas coisas todas sejam controladas em favor do cidadão, em favor da democracia, em favor da liberdade.
O álbum confrontava instituições como polícia, Igreja e Estado. Esse enfrentamento ainda encontra o mesmo espaço na música brasileira?
Não sei se esse enfrentamento de, das instituições encontra o mesmo espaço na música brasileira hoje como tinha ali em 1986, quando a música foi lançada. E talvez não ocupe, né? Mas em compensação a gente vive uma situação melhor hoje, com uma democracia plena, que quando o “Cabeça de Dinossauro” foi lançado em 1986, a gente estava no fim da ditadura. Havia censura ainda, é, coisas absurdas ainda aconteciam, né? Então, acho que esse confrontamento cabe sempre na música. E, mas talvez, a grande mídia não, não mostre tanto isso quanto mostrava naquela época.
Como vêem o fato de jovens descobrirem “Bichos Escrotos” pela Anitta?
A gente vê com muito, muito bons olhos. A própria atitude da Anitta de gravar essa música corrobora a opinião que eu tenho de que a Anitta é bastante rock and roll. A postura dela como mulher, como mulher autônoma, livre, que faz o que quer. É a sexualidade livre que ela transmite. Então a Anitta é rock. E gente conhecendo o “Bichos Escrotos” pela gravação dela é muito bom. A gente vê isso com excelentes olhos.

O funk tem hoje algo da provocação que o rock carregava nos anos 1980?
O funk e o rap têm hoje muito da provocação que o rock tinha nos anos 80, até nos anos 90 e início dos anos 2000, né? Depois o rock que aparece no na grande mídia ficou um pouquinho domesticado. Mais pop, digamos assim. E essa postura mais política, mais provocativa do rock, que está na raiz do rock, na essência do DNA do rock, hoje em dia é muito mais explicitada pelos rappers e funkeiros.
O que o público do C6 no Rock pode esperar do show?
O C6, aliás, é um festival muito interessante. As bandas ali fazendo seus discos icônicos e homenageando também grandes personagens do rock brasileiro, como a Rita Lee e o Cazuza. Eu acho que é um festival muito legal, muito oportuno. E o que o público pode esperar do show do Titãs é sempre sangue, suor e lágrimas. A gente dá tudo ali. Vamos fazer o disco “Cabeça de Dinossauro” inteirinho na sequência em que foi gravado. Eu acho que isso é um acontecimento muito interessante. Então o público pode esperar muito rock and roll, muito, muita vibração, muita energia. Vai ser um showzaço.
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