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Paulo Miklos aprova versão de Anitta para ‘Bichos Escrotos’: ‘Deu o recado!’

Ex-Titãs comentou releitura produzida para o filme 'Corrida dos Bichos'

'Bichos Escrotos': Paulo Miklos comentou releitura produzida pelo Tropkillaz para o filme 'Corrida dos Bichos' (Reprodução)

'Bichos Escrotos': Paulo Miklos comentou releitura produzida pelo Tropkillaz para o filme 'Corrida dos Bichos' (Reprodução)

A versão de “Bichos Escrotos” gravada por Anitta ganhou o aval de Paulo Miklos, intérprete da faixa na gravação original dos Titãs. Lançada em 7 de agosto como parte da trilha de “Corrida dos Bichos”, a releitura troca o peso do rock de 1986 por uma produção do Tropkillaz e passou a circular nas redes sociais entre ouvintes que, em alguns casos, sequer conheciam a origem da música.

Em entrevista exclusiva ao Portal POPline, Miklos aprovou a mudança de linguagem da canção. “Adorei a versão da Anitta com Tropkillaz para ‘Bichos Escrotos’”, afirmou. Para o músico, a cantora preservou o humor e o sarcasmo que já faziam parte da composição: “Anitta cantou com essa ironia fina e deu o recado!”

A gravação acompanha “Corrida dos Bichos”, thriller de ação brasileiro produzido pela O2 Filmes e dirigido por Fernando Meirelles, Rodrigo Pesavento e Ernesto Solis. O longa estreou no Prime Video em 7 de agosto e imagina um Rio de Janeiro futuro no qual o jogo do bicho foi transformado em uma competição mortal acompanhada pela população e usada como entretenimento pela elite. Anitta também integra o elenco do filme.

‘Bichos Escrotos’ atravessa quatro décadas

A reação de parte do público à letra também evidenciou a distância geracional entre a nova gravação e sua primeira aparição em disco. “Bichos Escrotos” integra “Cabeça Dinossauro”, terceiro álbum dos Titãs, lançado em 1986, e tem composição de Sérgio Britto, Arnaldo Antunes e Nando Reis.

O histórico da música ajuda a explicar por que sua letra continua chamando atenção 40 anos depois. Na época do lançamento de “Cabeça Dinossauro”, a execução pública de “Bichos Escrotos” chegou a ser proibida pela censura federal. O disco, produzido por Liminha, Vitor Farias e Pena Schmidt, tornou-se um dos trabalhos centrais da discografia dos Titãs.

Para Miklos, a chegada da composição a uma geração que não viveu o lançamento original faz parte da capacidade de uma música adquirir outros sentidos quando deslocada de época e contexto. O cantor relacionou esse processo ao próprio repertório recente, no qual também tem retomado músicas conhecidas por meio de novas interpretações.

A associação entre “Bichos Escrotos” e a música eletrônica, aliás, não começou agora. Em 2021, os próprios Titãs lançaram um remix da faixa com o DJ e produtor brasileiro Mochakk, outro exemplo de como a composição tem sido transportada para fora do arranjo registrado em “Cabeça Dinossauro”.

Miklos também acompanhou a repercussão bem-humorada da gravação de Anitta. “Os memes são a melhor parte!”, disse, ao comentar a circulação da música e do clipe nas redes.

Outros integrantes dos Titãs também aprovam

Sérgio Britto, um dos compositores de “Bichos Escrotos”, também aprovou a releitura. Em declaração repercutida pelo G1, o tecladista e vocalista dos Titãs disse enxergar pontos de contato entre a proposta original da música e a linguagem do funk. “É uma linguagem muito direta, mas é surpreendente e anárquica”, afirmou. Para Britto, embora a gravação feita para Corrida dos Bichos seja “radicalmente diferente” daquela registrada pela banda, “tem ali uma leitura pertinente daquilo que a gente quis dizer”.

Britto também elogiou Anitta, a quem definiu, segundo o g1, como uma artista “incrível” e capaz de se reinventar, além de destacar sua técnica como cantora e seu carisma. O músico celebrou ainda a redescoberta da faixa por ouvintes mais jovens. “É bacana que a música ganhe o mundo, tenha versões diferentes. E pessoas que não conheciam nosso trabalho possam conhecer”, disse.