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‘A música brasileira me inspira’, diz Paloma, filha de Bob Sinclar

A DJ estreia no Brasil em novembro e conversou com a Billboard Brasil

Paloma (divulgação)

Paloma (divulgação)

A DJ e modelo francesa Paloma se prepara para desembarcar no Brasil para sua aguardada estreia no país. A artista foi confirmada como uma das principais atrações da festa oficial do GP São Paulo de F1, no Posh Club, que acontece em novembro.

Em entrevista à Billboard Brasil, a jovem de 21 anos não escondeu o entusiasmo com a viagem e revelou que sua bagagem musical é fortemente moldada pela cultura nacional. “Acho que o que mais quero que as pessoas saibam é que sou muito inspirada pela música e pela cultura brasileira. Para mim, é uma honra tocar no Brasil, porque todo o meu gosto musical, tudo o que eu sempre amei em termos de música, tem sonoridades inspiradas na América do Sul, seja a música latina ou a brasileira”, afirmou Paloma.

“Estou realmente muito animada porque finalmente vou conseguir fazer um set completo apenas com as músicas que eu amo e que eles conhecem. Quero que saibam que eu simplesmente os amo e estou empolgada para tocar a música deles para eles.”

Questionada sobre suas referências específicas no país, ela explicou que sua conexão é puramente sensorial, baseada no ritmo e no movimento das pistas brasileiras. “A percussão, a música tribal, as batidas e o BPM bem rápido. Eu também amo o idioma português, acho tão lindo. São os ritmos rápidos, as danças, as cores e a vida que as pessoas colocam na música”, detalhou Paloma.

Ela também demonstrou estar antenada com as transformações da cena urbana periférica do país. “É uma música feita para dançar, mas eu também já ouvi um pouco de funk proibidão, com melodias que parecem tristes, mas são o ritmo e a melodia que te atraem. Eu sei que o funk brasileiro é um movimento que está crescendo muito. Quando as pessoas cantam e o mundo todo canta junto, eu acho que isso torna tudo muito especial para nós e para o público também.”

Não tem jeito: Paloma é inspirada pelo pai Bob Sinclar

Carregar o sobrenome de um dos maiores ícones da história da dance music mundial é um fator central em sua trajetória, mas Paloma encara a herança de Bob Sinclar com naturalidade e orgulho. “Ele é a minha identidade, no fim das contas, então é claro que conversamos sobre isso”, pontuou a artista, lembrando que os dois já dividiram o palco principal do festival Tomorrowland na Bélgica, além de ela se apresentar de forma independente em vários países.

A transição de ser vista apenas como filha para ser reconhecida como uma profissional da música é algo que Paloma enxerga como um processo interno e gradual. “Para mim mesma, existem momentos em que me considero uma verdadeira DJ e sou capaz de, nunca esquecendo, mas me posicionar e me valorizar como uma artista real. Mas, honestamente, isso só pode vir de mim, é um sentimento estritamente pessoal”, explicou.

“As pessoas sempre vão me associar ao meu pai e acho que isso depende de cada um; são etapas. Existem dois tipos de público: os que não são loucos por música e só me veem como a filha dele, e os que me conheceram por causa dele, mas que, com o tempo, por amarem música, pessoas apaixonadas e transmissão cultural, acabam me enxergando como uma artista completa por conta própria”, defendeu Paloma.

A conexão profissional com o pai vai muito além do parentesco. “De certa forma, serei sempre ligada a ele porque sou 100% inspirada por ele, pelo seu trabalho. Meu pai não se limita à sua própria música; ele ama todo tipo de gênero musical. As pessoas sempre me perguntam quem é a minha influência e, se eu disser que é apenas o meu pai, pode soar estranho. Mas a questão é que ele abrange tantos gêneros diferentes que me inspira através de todo tipo de música. Em um único artista, ele reúne vários artistas e tem muita bagagem cultural.”

Mesmo buscando seu próprio espaço, Paloma reconhece que o DNA artístico é compartilhado. “Às vezes sei que sou minha própria pessoa, tenho minha própria vibe e minha própria energia, mas isso vem dele. Eu consigo me separar disso e tento fazer as coisas por mim mesma para que as pessoas saibam que não é apenas fachada, que eu realmente amo fazer isso, que sou talentosa e tenho meu próprio caminho. Ao mesmo tempo, está tudo bem, eu amo ser associada a ele. Nós temos o mesmo trabalho e amamos as mesmas músicas, então é lógico para mim. Há pessoas que me amam por quem eu sou, e isso varia com a geração.”

 

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A internet também trouxe novos contornos para o legado familiar. O hit “World, Hold On”, lançado originalmente por seu pai quando Paloma ainda era um bebê, viveu uma enorme onda de ressurgimento no Brasil após viralizar na última edição do Big Brother Brasil. Para Paloma, o fenômeno das redes sociais como o TikTok é fascinante.

“Tem sido incrível ver músicas antigas, do Michael Jackson à Kate Bush, voltarem com tudo e criarem essa nova onda. Para mim, é maravilhoso ver as reações do público às músicas do meu pai e é muito inspirador em vários aspectos. Em primeiro lugar, pela capacidade de criar um som que simplesmente ressoa, um som baseado na paz mundial e que mexe com literalmente todas as pessoas do mundo”, celebrou.

“Às vezes estou rolando o TikTok e vejo edições com vídeos de pessoas dançando, pôr do sol, uma vibe boa, e a música ao fundo é ‘World, Hold On’. Nos comentários, as pessoas dizem que cresceram ouvindo aquilo ou que ainda escutam todos os dias. É inacreditável saber que eu ainda usava fraldas quando essa música foi lançada. É uma loucura, é lindo, e eu admiro muito meu pai por criar esse tipo de música.”

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Essa resposta calorosa se repete em suas apresentações ao vivo, embora Paloma tente dosar o repertório familiar. “Eu vejo a reação das pessoas quando toco qualquer música do meu pai. Eu tento não fazer isso em excesso, porque se a filha do Bob Sinclar tocar apenas as músicas do Bob Sinclar, onde vamos parar, certo? Mas eu amo. Eu toco remixes e as reações do público são tão puras, é incrível. Eu sinto a mesma coisa que sentia crescendo com essas memórias quando chego a um clube, um café, uma loja ou um restaurante e ouço a música tocar. É um sentimento louco e maravilhoso.”

A expectativa para o reencontro com a energia brasileira é alta, e Paloma promete entregar uma apresentação marcante, misturando suas principais paixões sonoras. “As pessoas podem esperar um set energético, barulhento e dançante. Eu vou dar tudo de mim, dar tudo o que tenho. Será uma mistura da música tribal africana que eu amo, com a música brasileira e também um pouco de house, música eletrônica e sonoridades europeias. Vou fazer um mix de tudo, mas totalmente relacionado ao que eu mais amo”, concluiu.