Nova tecnologia devolve controle financeiro e autonomia aos artistas

RUMPI (Divulgação)
O mercado global da música atravessa um período de crescimento exponencial e sem precedentes. Segundo o “Global Music Report 2026” da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), as receitas globais de música gravada atingiram a marca histórica de US$ 31,7 bilhões, impulsionadas por um crescimento acelerado de 6,4% no último ano, marcando o 11º ano consecutivo de expansão do setor. O streaming pago continua sendo o grande motor dessa indústria, com os serviços de assinatura alcançando impressionantes 837 milhões de usuários ao redor do mundo.
No entanto, essa era de bonança financeira esconde uma realidade extremamente desafiadora: o volume de lançamentos e a hipercompetitividade atingiram níveis estratosféricos. Hoje, estima-se que mais de 120 mil novas faixas sejam enviadas às plataformas de streaming diariamente. Com esse volume brutal de lançamentos, a disputa pela atenção do público está cada vez mais acirrada, tornando o destaque de uma nova música uma verdadeira batalha contra o ruído.
Somado a isso, a Inteligência Artificial e a música ainda não chegaram a um consenso ético e comercial. Embora haja um imenso potencial de inovação, a IA tem servido, muitas vezes, mais para o mal do que para o bem no cenário atual. Organizações criminosas e fraudadores estão utilizando essas ferramentas para gerar e inundar as plataformas de streaming com faixas falsas, usando bots para criar reproduções artificiais.
A Deezer, por exemplo, reportou receber mais de 60 mil faixas geradas por IA todos os dias, e alarmantes 85% dos streams em músicas geradas por IA em 2025 foram considerados fraudulentos. O mercado, contudo, está plenamente atento e em pé de guerra contra essa drenagem de recursos. Victoria Oakley, CEO da IFPI, declarou de forma contundente que “a fraude de streaming é roubo, pura e simplesmente”, e o setor exige ações rápidas das plataformas para mitigar esses danos que tiram o dinheiro dos verdadeiros criadores.
Nesse campo de batalha digital — marcado por alta competição e fraudes —, é vital que o artista domine os dados e as receitas do próprio catálogo. O grande problema é que tudo na indústria atual é profundamente fragmentado. Um artista ou selo independente lida hoje com um catálogo descentralizado, necessitando de múltiplos logins e senhas para acessar agregadoras, editoras e relatórios de plataformas. Os direitos autorais e fonográficos ficam em gavetas separadas, e os recebimentos de royalties chegam de dezenas de fontes diferentes, com porcentagens e splits variados, gerando o que o mercado chama de caixa-preta.
O resultado dessa fragmentação é trágico para a arte: o artista não consegue focar no que realmente importa, que é criar e fazer música. Afogados em burocracia, contratos perdidos, metadados confusos e planilhas indecifráveis, muitos talentos passam mais tempo tentando interpretar relatórios e métricas de forma simples do que dentro do estúdio ou promovendo sua carreira. Muitos artistas ignoram se seus recebimentos estão corretos e desconhecem a localização de suas próprias masters e contratos.
Foi exatamente para sanar esses gaps que o Rumpi foi construído. Idealizado pela Atabaque, o Rumpi atua como uma solução ARM (Artist Relationship Management), centralizando o caos. Ele se propõe a oferecer um único login e senha para gerenciar todo o catálogo, juntando dados analíticos de performance, gestão de contratos, visão consolidada de royalties e transações financeiras. A plataforma audita o que realmente está sendo gerado nas plataformas (DSPs) e cruza com o que efetivamente caiu na conta bancária, automatizando splits e facilitando cobranças ativas.
Para garantir a excelência dessa execução tecnológica, o Rumpi foi construído com o apoio de fomento do governo brasileiro, por meio da Embrapii e do Sebrae, e em parceria com o C.E.S.A.R. (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) no Porto Digital, um dos institutos de inovação mais premiados e reconhecidos internacionalmente. Esse peso institucional garante que a plataforma seja robusta o suficiente para transacionar milhões e gerenciar bilhões de execuções com segurança.
Ao devolver a transparência aos dados, a tecnologia atinge o seu propósito real: empoderar o criador. O futuro da música é o artista ter mais autonomia, liberdade e independência.
E é através da unificação de inteligência, conciliação e organização que essa independência deixará de ser apenas um ideal para se tornar a rotina da nova era da indústria musical
André Izidro é CEO e Co-Fundador Atabaque e Rumpi.
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