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Deezer: faixas de IA já são mais da metade dos novos uploads

Plataforma recebeu cerca de 90 mil músicas sintéticas por dia no pico de junho

Deezer

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As músicas totalmente geradas por inteligência artificial ultrapassaram, pela primeira vez, metade dos novos conteúdos enviados diariamente à Deezer. Segundo dados divulgados pela plataforma nesta terça-feira (21), o volume chegou a cerca de 90 mil faixas por dia no pico registrado em junho de 2026.

O crescimento na oferta, porém, não se repete na audiência. As faixas identificadas como sintéticas representam entre 1% e 3% das reproduções na Deezer. A empresa afirma ainda que até 85% dos streams atribuídos a esse material em 2025 foram considerados fraudulentos e retirados do cálculo de royalties.

A dificuldade de reconhecer essas gravações apenas pelo ouvido também levou a Billboard Brasil a desenvolver a IA Skips IA, ferramenta gratuita que analisa o áudio reproduzido no navegador, identifica possíveis faixas sintéticas e pula automaticamente para a próxima música.

Deezer ampliará remoção de músicas geradas por IA

Com o novo patamar, a Deezer anunciou que passará a retirar sistematicamente faixas geradas por inteligência artificial que tenham sido utilizadas para manipular números de streaming. Também serão excluídas as músicas sintéticas que não tiverem nenhuma reprodução durante seis meses.

A decisão não representa uma proibição geral de conteúdo criado com IA. Faixas que não estiverem associadas a fraudes e tiverem alguma audiência poderão continuar disponíveis, mas permanecerão fora das recomendações algorítmicas e das playlists elaboradas pela equipe editorial da plataforma.

“Agora que metade de todos os uploads diários são faixas geradas por IA, estamos tomando medidas adicionais para proteger os direitos de artistas e compositores, mantendo o foco na música que os fãs realmente amam”, afirmou Alexis Lanternier, CEO da Deezer.

Segundo o executivo, a adoção de padrões comuns entre plataformas, gravadoras, distribuidoras e entidades de gestão de direitos seria necessária para impedir que o aumento de conteúdos sintéticos prejudique a remuneração dos profissionais da música.

Volume de músicas com IA cresceu nove vezes

Os números divulgados pela Deezer mostram uma aceleração contínua desde o lançamento de seu sistema de detecção, em janeiro de 2025.

Naquele mês, a plataforma recebia aproximadamente 10 mil faixas totalmente geradas por IA por dia, equivalentes a 10% dos novos uploads. Em abril do mesmo ano, o número já havia dobrado para 20 mil músicas diárias, ou 18% do total.

Em setembro de 2025, eram mais de 30 mil faixas por dia, representando 28% das entregas. Em novembro, o volume chegou a 50 mil músicas, ou 34% dos uploads.

O avanço continuou em 2026. A Deezer registrou cerca de 60 mil faixas diárias em janeiro e quase 75 mil em abril, quando o conteúdo sintético passou a responder por 44% dos novos arquivos recebidos. No pico de junho, foram aproximadamente 90 mil por dia e mais de 50% das entregas.

Isso significa que o número diário de faixas identificadas como totalmente geradas por IA aumentou nove vezes em aproximadamente um ano e meio.

Billboard Brasil também identifica e pula faixas sintéticas

IA SKIPS IA BILLBOARD

A Billboard Brasil lançou em maio de 2026 a IA Skips IA, extensão gratuita desenvolvida para identificar músicas geradas por inteligência artificial enquanto elas são reproduzidas no navegador.

Quando uma faixa começa, a ferramenta captura uma pequena amostra do áudio e procura padrões associados a sistemas generativos. Em poucos segundos, o conteúdo é classificado como humano ou sintético. Caso a ferramenta identifique uma música gerada por IA, a reprodução é interrompida e a próxima faixa é iniciada automaticamente.

A tecnologia surgiu inicialmente como um protótipo instalado em fones de ouvido e testado com músicos. Depois, foi transformada em uma extensão gratuita e aberta ao público.

Enquanto a Deezer utiliza sua ferramenta para administrar o próprio catálogo, retirar recomendações e combater manipulações de royalties, a IA Skips IA funciona como uma camada de controle para o ouvinte, que pode escolher evitar conteúdos identificados como sintéticos durante a navegação.

Público brasileiro quer identificação das faixas

Uma pesquisa encomendada pela Deezer à Ipsos mostrou que a capacidade humana de identificar músicas sintéticas ainda é limitada. O estudo ouviu 9 mil pessoas em oito países entre os dias 6 e 10 de outubro de 2025.

No teste, os participantes ouviram três músicas e precisaram determinar quais haviam sido totalmente geradas por IA. Ao todo, 97% não acertaram todas as respostas. Entre os entrevistados, 80% defenderam a identificação clara de músicas sintéticas e 73% disseram querer saber quando um serviço recomenda esse tipo de conteúdo.

O índice de dificuldade foi o mesmo no Brasil: 97% dos participantes brasileiros não conseguiram distinguir corretamente as faixas. Ao mesmo tempo, 76% disseram que gostariam de saber quando uma plataforma recomenda música gerada por IA.

O Brasil também apresentou a maior curiosidade entre os países pesquisados. Cerca de 65% dos entrevistados brasileiros apontaram a curiosidade como uma de suas principais reações à tecnologia, enquanto 76% afirmaram que ouviriam uma música totalmente sintética pelo menos uma vez.

Em relação às paradas, 52% dos brasileiros aceitaram a presença de músicas totalmente geradas por IA nos rankings principais. Dentro desse grupo, 34% defenderam que as faixas fossem identificadas por um rótulo específico.