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Luminate aponta alta do eletrônico e queda do hip hop em 2026

Relatório destaca avanço dos CDs e força do K-pop nas vendas

John Summit (reprodução Facebook)

John Summit (reprodução Facebook)

O consumo global de música seguiu em alta no primeiro semestre de 2026, mas o comportamento dos ouvintes continua mudando. Segundo o relatório semestral da Luminate, os streams de áudio sob demanda cresceram 9,8% no mundo e 4,4% nos Estados Unidos, impulsionados por gêneros como música eletrônica, country e latina, enquanto R&B e hip hop perderam participação de mercado.

O estudo também aponta o fortalecimento da música de catálogo, o crescimento das vendas de CDs, impulsionadas pelo K-pop, e os primeiros sinais de adoção de músicas criadas ou assistidas por inteligência artificial.

R&B e hip hop seguem líderes, mas perdem espaço

Apesar da retração, R&B e hip hop continuam sendo os gêneros mais consumidos nos Estados Unidos. Cerca de um em cada quatro streams pertence à categoria, embora sua participação tenha caído 1,6% em relação ao mesmo período de 2025.

A perda de espaço também aparece na Billboard 200. Desde 2023, o gênero registrou a maior queda de participação no mercado de álbuns equivalentes, enquanto pop, country, rock e música latina ampliaram sua presença no ranking.

Música eletrônica lidera crescimento

Entre todos os estilos analisados, a música eletrônica foi a que apresentou maior expansão em 2026. Os streams sob demanda cresceram 18,9% nos Estados Unidos, impulsionados por artistas como John Summit e Disco Lines, além da redescoberta de faixas lançadas entre 2015 e 2017.

A música mundial também avançou. O segmento registrou crescimento de 11,9% e apresentou a maior proporção de lançamentos recentes entre os gêneros analisados, indicando uma audiência mais conectada às novidades.

Nostalgia impulsiona o rock

O relatório mostra que o rock continua sendo o segundo gênero mais ouvido nos Estados Unidos, mas seu desempenho está fortemente ligado ao catálogo.

Segundo a Luminate, 75% da audiência do gênero vem de músicas lançadas há mais de cinco anos. Entre os lançamentos recentes, o destaque foi “The Great Divide”, de Noah Kahan, que acumulou 1,35 milhão de unidades equivalentes em álbuns.

K-pop impulsiona vendas de CDs

Depois de anos em que o vinil dominou as conversas sobre mídia física, os CDs voltaram a ganhar força. As vendas do formato cresceram 16% nos Estados Unidos no primeiro semestre, alcançando 16,3 milhões de unidades.

A principal responsável pelo resultado foi a indústria do K-pop. Lançamentos de BTS, ENHYPEN, ATEEZ e outros artistas responderam por mais da metade desse crescimento.

Segundo a Luminate, se os lançamentos de K-pop fossem desconsiderados, o aumento das vendas de CDs seria de 6,7%.

O estudo também destaca uma mudança no perfil dos consumidores. Cerca de metade dos integrantes das gerações Z e millennial que compraram CDs afirmam não possuir sequer um aparelho para reproduzi-los, indicando que o formato passou a ser encarado como um item colecionável e uma forma de apoiar financeiramente os artistas.

Música em espanhol cresce nos EUA

O domínio das músicas em inglês continua elevado, mas perdeu espaço em 2026. A participação caiu de 88,1% para 87,1% do consumo nos Estados Unidos.

Em contrapartida, as músicas em espanhol passaram a representar 9,4% dos streams no país, impulsionadas principalmente pelo sucesso de Bad Bunny. Já as canções em coreano mantiveram participação de 1,1%, consolidando o K-pop como o terceiro idioma mais consumido no mercado americano.

O relatório também aponta que o público casual de música latina segue aumentando. Em 2021, 44% dos ouvintes americanos se declaravam consumidores ocasionais do gênero. Em 2026, esse índice chegou a 54%.

Inteligência artificial começa a ganhar espaço

A pesquisa também identificou os primeiros sinais de tração comercial de músicas produzidas ou assistidas por inteligência artificial.

Nos Estados Unidos, a faixa gerada com IA de maior alcance foi “Livin’ on Borrowed Time”, de Breaking Rust, com 19 milhões de streams. Fora do país, o destaque ficou com “Papaoutai (Afro Soul)”, releitura baseada na música de Stromae.

Entre os músicos entrevistados pela Luminate, 54% disseram ter uma visão positiva sobre ferramentas de inteligência artificial aplicadas à criação musical. Entre pessoas que não trabalham com música, esse índice é de 35%.

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].