Em filme sobre Michael Jackson, sobrinho faz você esquecer o que faltou
Com talento e semelhança física, Jaafar faz espectador esquecer as polêmicas

"Michael" (Divulgação)
Como fazem aqueles ilusionistas que desviam o olhar da plateia da bolinha escondida para outra cena, o grande trunfo de “Michael” está no talento e na estrondosa semelhança de Jaafar Jackson com o tio, Michael Jackson.
Sempre esteve claro que a primeira cinebiografia do Rei do Pop não tocaria em assuntos delicados. O diretor Antoine Fuqua (“Dia de Treinamento”) deve ter trabalhado sob a mira atenta da família para não entregar um microdesvio que fosse da rota pré-estabelecida. Como não vou ser a chata que estraga a surpresa sobre o quanto “Michael” é isento de polêmicas (ops, falei), vou mirar em outro assunto: Jaafar Jackson e os primeiros anos da carreira solo de Michael Jackson.
Num corte abrupto entre Juliano Valdi, espetacular intérprete da primeira infância do prodígio dos Jackson Five, e o pós-adolescente vivido por Jaafar, o primeiro choque é a semelhança física entre tio e sobrinho.
Filho de Jermaine Jackson (o baixista dos Jackson Five, que assim como Michael também saiu em carreira solo), Jaafar seguia sua carreira de cantor e compositor em busca de um lugar ao sol no show business. Até ser escalado para viver o tio no cinema e mostrar que talvez seja ele o ponto mais próximo de um segundo raio cair no mesmo lugar. A semelhança física, a voz, posta à prova nas cenas em que canta a cappella, a habilidade como dançarino (em coreografias mundialmente conhecidas, como os clipes de “Billie Jean” e “Thriller”) e a sensibilidade na interpretação fazem de Jaafar a grande ilusão do longa. Ele faz o espectador relevar o fato de que muitas fases importantes da carreira de Michael não passaram pela peneira da família.

Juntamente com Jaafar, a direção de Fuqua faz jus a grandes reconstituições de shows de arena e videoclipes, com imensa força cênica, esmero nos detalhes e, claro, no som final. É emocionante revisitar, ainda que de forma romantizada, como Michael teria pensado o tracklist de “Thriller” (1982, o álbum mais vendido do mundo), como se aproximou de novos passos de dança até então dominados por gangues e por que se tornou um imparável colecionador de pets, de lhamas a chimpanzés.
Além de Jaafar e Juliano, a família Jackson é muito bem representada pela complexa atuação de Colman Domingo como Joe Jackson, o pai controlador e sanguessuga.
Com suas brilhantes atuações, trilha sonora sublime e grandes cenas musicais, “Michael” vai agradar aos saudosos fãs do maior astro pop de todos os tempos. E, num passe de mágica, as peças que ficaram faltando talvez nem façam tanta diferença.
O público poderá conferir o longa em sessões antecipadas nos cinemas brasileiros a partir das 20h desta terça-feira (21). A estreia oficial é em 23 de abril.
+Leia também: Confira novo trailer de ‘Michael’, cinebiografia do rei do pop
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