Da soul music ao K-pop, a influência de Michael Jackson é imensa
Cantor mudou a maneira do pop encarar a música, a moda e os videoclipes

O popstar americano Michael Jackson (Divulgação)
“Você se lembra nos anos 1980, quando a gente se perguntava quem era melhor, Prince ou Michael Jackson? Pois é, o Prince ganhou…” A piada do comediante Chris Rock, proferida no início dos anos 2000, quando Michael Jackson era vítima de zombaria por causa da sua aparência e assombrado por denúncias de pedofilia, poderia até arrancar algumas risadas da plateia. Mas hoje não há nada mais descolado da realidade. Prince, foi, é e será sempre um gênio da música. A contribuição cultural de Michael, no entanto, bem como seu impacto na cena pop, é incomensurável.
Para começar, ele de fato criou o pop. Até a década de 1970, a música jovem se dividia em dois nichos distintos. Havia o rock e suas variações, consumidos principalmente por adolescentes brancos e de classe média. E havia a música negra – soul, funk, disco, rhythm’n’blues –, que era ouvida por negros. Jackson quebrou essa barreira em discos como “Off the Wall”, de 1979, e “Thriller”, de 1982, e borrou para sempre a linha que separava os dois universos. Nesses discos, o cantor talhou as linhas de baixo e bateria na medida para as pistas de dança; mas associou-as à vibração característica do rock’n’roll. Até mesmo as origens de um fenômeno social notável entre os jovens americanos, o dos adolescentes brancos que querem falar, dançar e agir com mas associou-as à vibração característica do rock’n’roll. Até mesmo as origens de um fenômeno social notável entre os jovens americanos, o dos adolescentes brancos que querem falar, dançar e agir como negros, podem ser traçadas diretamente à sua influência.
A cultura do videoclipe, ilustrada principalmente na tríade –”Billie Jean”, “Beat it” e “Thriller”– mudou depois de Michael. Os vídeos, em sua maioria, eram peças de propaganda, na qual o artista aparecia dublando a canção que iria divulgar. Michael, por seu turno, desenvolveu o “story telling”, com uma trama bem elaborada e coreografia. Em alguns casos, o cantor contou com cineastas celebrados do mundo do cinema –”Thriller” ficou a cargo de John Landis, diretor de “Um Lobisomem Americano em Londres” e “Bad”, de 1987, caiu nas mãos de Martin Scorsese (precisa MESMO explicar o que Scorsese fez nas telas)?
Michael Jackson foi um homem do seu tempo, atento para as mudanças da música. Quando seu grupo, o Jackson 5, saiu da gravadora Motown –que os acolheu desde o início– e se mandou para a CBS, o popstar buscava também uma mudança no padrão sonoro de sua música. A escolha pela CBS se deu porque Michael queria trabalhar com Leon Huff e Kenneth Gamble, que tinham transferido seu catálogo para a companhia. Eles são os articuladores do “som da Filadélfia”, uma maneira mais acelerada de se tocar soul music, que foi posteriormente transformada em disco music. Álbuns como “Destiny”, de 1978, que tem os sucessos “Blame it on the Boogie” e “Shake Your Body (Down to the Ground)”, e “Triumph”, de 1980, trazem muita dessa energia. Aliás, uma curiosidade: “Can You Feel It”, do álbum “Triumph”, teve sua linha de baixo, digamos, “adaptada” pelo Jota Quest – ela virou a introdução do sucesso “Do seu Lado”.
A opção de Michael Jackson por Quincy Jones (parceria que se iniciou na trilha de “O Mágico Inesquecível”, de 1978, foi a união perfeita de uma sensibilidade e talentos na ponta dos cascos com uma visão musical mais elaborada –Jones veio do universo do jazz– e a capacidade de chamar os melhores músicos que ele tinha à sua disposição. Foi o que ele fez. “Off the Wall” e “Thriller” tinham a guitarra e o baixo dos Brothers Johnson e canção do hitmaker Rod Temperton, “Thriller” contou com o grupo de estúdio Toto, vocal do ex-Beatle Paul McCartney e guitarra solo de Eddie Van Halen. Quando a parceria com o produtor esfriou, Michael correu atrás da dupla Jimmy Jam e Terry Lewis (que, ora vejam só, trabalharam com Prince e depois com Janet Jackson). “Dangerous”, de 1991, talvez seja seu último trabalho de real impacto no universo musical.
A influência de Michael Jackson se alastrou por diversos estilos e gerações. Você gosta de hip hop? Pois o new jack swing –uma combinação de batidas eletrônicas de bateria com vocais adocicados– que Michael trouxe em “Dangerous” foi assimilado por vários versejadores de hoje. Aliás, Jay-Z e Kendrick Lamar criaram canções a partir dos samples de Michael –o primeiro em “Izzo (Hova)” e Lamar fez uma interpolação em “King Kunta”.
Acredite, todo popstar americano da atualidade tem um pouco de Michael Jackson. Alguns por conta da extravagância –caso de Lady Gaga. Outros preferiram o estilo vocal –Justin Timberlake, Bruno Mars, Beyoncé, The Weeknd… a filha é enorme. E se o seu caso é K-pop, então… Os grupos do gênero são useiros e vezeiros na apropriação de coreografias do popstar e muitas vezes em covers. Recentemente, Hongjoong, do ATEEZ, fez uma bela versão de “Beat It” e “Black and White”, e Tae Yang coverizou –com direito a coreografia e tudo– “Smooth Criminal”.
Conta outra, Chris Rock. Essa piada envelheceu.
TRENDING
- SUGA, do BTS, fala sobre encerramento da trilogia Agust D 19/04/2026
- Vote no melhor show do ExpoLondrina 2026 20/04/2026
- Jimin, do BTS, explica faixa de ‘ARIRANG’ que questiona o amor dos fãs 20/04/2026
- BLISSOO nega envolvimento de irmão de Jisoo em agência após prisão 20/04/2026
- DKZ anuncia disband após 7 anos 15/04/2026