Do tecnobrega ao pagode: Virada Cultural toma palcos de SP
Manu Chao, Gaby Amarantos, Péricles e Luísa Sonza comandam principais shows

Virada Cultura 2025 (Divulgação SMC)
A Virada Cultural 2026 atravessou a madrugada deste domingo (24) transformando o Centro de São Paulo em um grande mosaico musical que passou pelo tecnobrega paraense, pagode, rap, k-pop, piseiro e música latina. Mesmo com frio e garoa em diferentes momentos da noite, milhares de pessoas ocuparam ruas, avenidas e praças da capital paulista até o amanhecer.
No Vale do Anhangabaú, apresentações de Péricles, Luísa Sonza e Manu Chao reuniram alguns dos maiores públicos da madrugada. Já a Avenida São João foi tomada pela cultura amazônica, com shows de Gaby Amarantos, Banda Fruto Sensual e a aparelhagem Carabao — O Máximo do Marajó.
A Virada Cultural segue até a noite deste domingo (24), com programação espalhada por 22 palcos entre o Centro e as periferias da capital paulista.
Péricles aposta em clássicos do Exaltasamba
Veterano da Virada Cultural, Péricles abriu sua apresentação no Anhangabaú com “Melhor Eu Ir” e apostou em um repertório carregado de nostalgia.
O cantor reviveu sucessos do Exaltasamba, como “Telegrama”, “Me Apaixonei pela Pessoa Errada” e “Louca Paixão”, além de clássicos do samba e pagode brasileiro e hits de sua carreira solo.
Luísa Sonza enfrenta chuva e desmaios
O show de Luísa Sonza reuniu grande público no Anhangabaú e foi marcado por chuva, novos problemas técnicos nas câmeras e desmaios registrados na região central da plateia.
Equipes distribuíram água ao público durante a apresentação, enquanto bombeiros realizaram atendimentos relacionados ao calor provocado pela aglomeração.
Mesmo com os imprevistos, a cantora manteve o show completo e apresentou faixas como “Tropical Paradise”, “Campos de Morango” e “Telefone”.
Cultura paraense domina programação no Centro
A presença da cultura paraense virou uma das marcas da madrugada. Entre bandeiras do Pará, camisas de aparelhagens e fãs cantando tecnobrega pelas ruas, a região central de São Paulo ganhou clima de festa amazônica.
No Anhangabaú, a aparelhagem Carabao comandou os intervalos entre os shows principais com repertório que misturou brega romântico, melody e “rock doido”, ritmo acelerado popular nas periferias do Norte do país.
Gaby Amarantos abala mesmo com apagões
No Palco São João, o show de Gaby Amarantos também botou o público para dançar no “Pará Style”, com sucessos da Banda Fruto Sensual e acompanhou em coro clássicos de Gaby Amarantos, como “Xirley” e “Ex Mai Love”.
Entretanto, o show também ficou marcado por falhas técnicas. A apresentação sofreu interrupções após quedas de energia que afetaram o som do palco. Enquanto a equipe tentava resolver o problema, a cantora criticou a estrutura oferecida aos artistas brasileiros. Parte da plateia respondeu com gritos de protesto.
Apesar dos imprevistos, os problemas foram solucionados e Gaby encerrou o show devidamente, celebrando o espaço dado à produção amazônica na Virada Cultural. “Viva a cultura da Amazônia”, declarou.
Manu Chao faz Anhangabaú cantar em coro
Principal atração da madrugada no Anhangabaú, Manu Chao subiu ao palco pouco depois da meia-noite diante de uma praça lotada. Debaixo de garoa, milhares de pessoas permaneceram no local após o show de Luísa Sonza para acompanhar a apresentação do cantor franco-espanhol.
Vestindo camiseta do tradicional time de várzea Clandestinos, Manu transformou o show em um grande coro coletivo. Bandeiras da Palestina apareceram na plateia enquanto o artista puxava discursos sobre América Latina e anti-imperialismo.
Com violão e percussão acústica, o cantor frequentemente interrompia as músicas para deixar o público assumir os refrões.
Rap, k-pop e piseiro ocupam outros palcos
A diversidade da programação apareceu também em outros pontos da cidade. No Palco Arouche, a rapper Ebony reuniu uma plateia formada majoritariamente por jovens mulheres e falou sobre a presença feminina no rap brasileiro.
No Bom Retiro, o grupo de k-pop 1Verse se apresentou com apenas três integrantes após afastamentos por motivos de saúde. Apesar do desfalque e da chuva, os fãs que lotaram a grade em frente ao palco mantiveram a animação do início ao fim, cantando refrões, reproduzindo coreografias e levantando cartazes durante o show.
O trio também homenageou o BTS com uma versão de “Idol”, uma das mais celebradas da apresentação. Em português, os integrantes agradeceram o carinho do público brasileiro antes de encerrar o set com um cover de “Gorilla”, do Ateez. O grupo ainda volta a se apresentar neste domingo (24) em outra ação da Virada Cultural. Saiba mais aqui.
Já em Heliópolis, Filho do Piseiro reuniu famílias e crianças em um show embalado por hits viralizados no TikTok. Em Cidade Tiradentes, Turma do Pagode apostou em clássicos do gênero e músicas do projeto “Mixturadin”.
Público percebe melhora na estrutura
Frequentadores relataram melhora na organização da Virada Cultural deste ano, principalmente em relação à segurança e à quantidade de banheiros espalhados pela região central.
Ainda assim, o público reclamou da falta de sinalização entre os palcos, da ausência de pontos gratuitos de hidratação no Anhangabaú e de problemas técnicos em diferentes apresentações.
Mesmo com frio e garoa, a Virada Cultural seguiu cheia durante toda a madrugada e deve movimentar a capital paulista até o fim deste domingo. Veja a programação por palco do último dia.
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