Dia do Rock: Dinho Ouro Preto lista 24 discos essenciais do indie ao metal
Vocalista do Capital Inicial elege álbuns fundamentais do estilo

Dinho Ouro Preto no palco: cantor listou discos fundamentais do rock (Divulgação)
Pedir a um roqueiro que escolha os discos fundamentais da história do gênero é, por definição, uma baita provocação. Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, aceitou o desafio, mas não sem antes registrar o protesto.
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“Perguntas como essas são quase impossíveis de responder, porque, assim que você escreve, você lembra do que ficou de fora”, diz o cantor. “Essa lista é de acordo com o meu gosto e é perfeitamente legítimo discordar das minhas escolhas”, esclarece.
Discos essenciais do rock segundo Dinho Ouro Preto
O resultado é um panorama de mais de meio século de rock: 24 álbuns que vão de “Here’s Little Richard”, de 1957, a “Wasting Light”, do Foo Fighters, de 2011. No caminho, estão a invenção do rock and roll, o nascimento do metal, a revolução punk, o gótico, o grunge, o brit pop e o indie.
As ausências, previstas por ele desde a primeira linha, doem tanto quanto as presenças celebram. Dinho faz questão de nomear os que ficaram pelo caminho: The Who, Rush, Pink Floyd, The Clash, PIL, Thin Lizzy, Patti Smith, Bowie, Siouxsie, Soundgarden, Rage Against the Machine. E até chega a contestar a própria resposta ao escolher um disco dos Beatles: “Não falar do Sgt. Pepper’s? Deixar de fora o Revolver? Como? Eu não consigo e passo adiante…”. Divirta-se com Dinho:
Dia do Rock: The Who, Pink Floyd e RAtM fora da lista de Dinho Ouro Preto
A lista revela menos um cânone e mais um retrato do ouvinte. “Vocês devem também ter percebido que meu gosto é meio maluco. Cabe Oasis, Ramones, Cure, System of a Down, Metallica e Killers. Fazer o quê? Amo rock de todos os tipos”, resume Dinho.
No fim, ele devolve a provocação ao leitor: “Tente fazer uma pra ver se você consegue. Aposto como você também vai se lembrar depois de tudo que você deixou de fora. Boa sorte!”.
A seguir, os discos escolhidos por ele, em ordem cronológica de lançamento.
Little Richard – “Here’s Little Richard” (1957)
“Nesse álbum estão os seguintes clássicos: ‘Tutti Frutti’, ‘Long Tall Sally’ e ‘Ready Teddy’. Acho que pode se dizer, de modo quase consensual, que o Little Richard é um dos inventores do rock and roll, e esse é seu disco mais influente.”
Chuck Berry – “Chuck Berry Is on Top” (1959)
“Esse álbum tem ‘Johnny B. Goode’, ‘Sweet Little Sixteen’ e ‘Roll Over Beethoven’. Só isso. É um divisor de águas em gravação de guitarras e viria a inspirar os Beatles, os Rolling Stones e muitos outros.”
The Jimi Hendrix Experience – “Are You Experienced” (1967)
“Eu amo esse disco com fervor. E o ‘Axis: Bold as Love’ também. Mas esse tem ‘Purple Haze’, ‘Hey Joe’, ‘The Wind Cries Mary’, ‘Fire’, ‘Foxey Lady’ e mais. Acho que todos os guitarristas do mundo ficam pequenos do lado do Hendrix.”
The Beatles – “Abbey Road” (1969)
A escolha vem acompanhada de uma objeção do próprio autor: “Na verdade, essa resposta não vale. Como deixar o resto de fora? Me dói o coração. Não falar do ‘Sgt. Pepper’s’? Deixar de fora o ‘Revolver’? Como? Eu não consigo e passo adiante…”.
The Rolling Stones – “Let It Bleed” (1969)
“Nenhum álbum representa melhor os conflitos da contracultura no final dos anos 60. Ele é cru, áspero e direto ao ponto. A música que abre o disco, ‘Gimme Shelter’, é uma das melhores canções de rock já feitas.”
Deep Purple – “Deep Purple in Rock” (1970)
“Acho que ali estão fundações do metal. Ali tudo vai ficando muito rápido e pesado.”
Black Sabbath – “Paranoid” (1970)
“É um divisor de águas. A partir dali o rock muda para sempre. Como é possível ‘Paranoid’, ‘War Pigs’ e ‘Iron Man’ estarem no mesmo disco? É inacreditável. E, claro, com eles nasce o metal.”
Led Zeppelin – “Led Zeppelin IV” (1971)
Aqui, Dinho admite o empate técnico com Physical Graffiti, de 1975: “Eu também acho quase impossível escolher o melhor disco deles, mas fico entre o ‘Led Zeppelin IV’ e o ‘Physical Graffiti’. A razão é simplesmente porque eles são os deuses do rock. Nunca houve e nunca haverá uma banda como eles”.
Ramones – “Ramones” (1976)
“Os Ramones, junto com o MC5 e os Stooges, inventaram o punk rock. Sem eles nunca teria havido a cena punk. E sem punk não teria surgido o gótico ou o grunge. Se você pensar numa sequência de eventos, eu me pergunto o que teria acontecido sem os Ramones?”
Sex Pistols – “Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols” (1977)
“Esse é possivelmente o disco mais revolucionário já feito. Tudo mudou com ele. O jeito de fazer rock, o jeito de se vestir e o jeito de pensar.”
Queen – “News of the World” (1977)
“Esse disco saiu no meio da explosão do punk rock e é um testamento à indiferença da banda com o que estava acontecendo à sua volta. Eles trilhavam um caminho que era só deles. Nunca tinham tentado fazer algo remotamente parecido. Eles eram desbravadores. Eram uma criatividade singular. Eles criaram uma sonoridade sem paralelo. Eles merecem estar em qualquer lista dos maiores da história do rock, e esse disco é sensacional.”
AC/DC – “Back in Black” (1980)
“É do começo dos anos 80, embora eles sejam dos 70. E eles não podem ficar fora de nenhuma lista sobre os gigantes do rock.”
The Cure – “The Head on the Door” (1985)
“Outro impossível de decidir qual disco é o mais representativo deles. Eu escolhi esse pela qualidade das canções. O disco é irresistível. Acho que uma das maiores contribuições do Cure é pro surgimento do gótico. Ele chegou a tocar e gravar com a Siouxsie, que eu vou deixar de fora dessa lista mesmo eu amando seu trabalho.”
U2 – “The Joshua Tree” (1987)
“Goste-se ou não, é impossível não reconhecer a importância e a dimensão que o U2 tomou nos anos 80. Eles eram onipotentes e onipresentes. Até hoje muitas bandas pegam a sonoridade deles emprestada. Eu lembro que, quando ouvi Coldplay pela primeira vez, eu tinha certeza que era U2. Várias outras bandas se pareciam com eles também.”
Guns N’ Roses – “Appetite for Destruction” (1987)
“Esse disco é possivelmente o mais bem-sucedido disco de estreia da história. Sua influência e furor reverberam até hoje.”
Pixies – “Doolittle” (1989)
“Essa banda serviu de inspiração para o que mais tarde seria chamado de grunge. Esse disco é sensacional, da primeira à última música. Se você não tem, precisa ter.”
Metallica – “Metallica” (1991)
“Mesmo o Metallica sendo uma banda dos anos 80, eles têm nesse disco uma transformação que os joga para estádios e os faz a maior banda de rock do mundo. Até hoje”.
Nirvana – “Nevermind” (1991)
“Esse é o disco mais importante do grunge. Ele é transformador em vários sentidos. Música, roupa, opiniões. Ele é quase uma plataforma multimídia. Ele é a voz de uma geração, e é possível ouvir sua influência até hoje.”
Red Hot Chili Peppers – “Blood Sugar Sex Magik” (1991)
“Os Red Hot Chili Peppers se tornam, com esse disco, uma das maiores bandas do mundo. Posição que eles mantêm até hoje. Todos os músicos da banda estão entre os melhores instrumentistas de sua geração. E sua mistura de funk e punk é algo absolutamente novo e revigorante.”
Oasis – “Definitely Maybe” (1994)
“O brit pop se torna algo gigantesco com o álbum de estreia deles. Todas as músicas são clássicos, e esse é um dos melhores discos de estreia da história do rock.”
System of a Down – “Toxicity” (2001)
“Quando eu ouvi essa banda pela primeira vez, não acreditei no que meus ouvidos estavam dizendo para o meu cérebro. Algumas vezes, a cada ano bissexto, surge uma banda que aponta numa direção nunca trilhada antes. É o caso deles. É inovador, corajoso e sem pretendentes. É um dos maiores e melhores discos de todos os tempos. Se você ainda não conhece, você passou os últimos anos dormindo.”
Audioslave – “Audioslave” (2002)
“Eu poderia ter falado mais cedo do Chris Cornell e do Tom Morello, mas preferi deixar para um projeto que envolve os dois. Amo ambos com paixão. A voz do Chris Cornell é às vezes suave como uma brisa, só para, no segundo seguinte, virar um vulcão em erupção. O Tom Morello destrói a guitarra, e, quando o disco acaba, parece que um caminhão passou por cima de você.”
The Killers – “Sam’s Town” (2006)
“Em se tratando de indie, os Killers não têm rivais. Eles conseguiram transformar um gênero que era circunscrito a plateias menores em algo imenso. E esse é o disco que eu mais gosto deles. Ouçam. Ele é excelente do começo ao fim. Os arranjos, as vozes e principalmente as letras são únicos. Eu nunca ouvi nada parecido.”
Foo Fighters – “Wasting Light” (2011)
“Também sei que eles deveriam estar na lista da década anterior, mas eles lançaram esse disco, que na minha opinião é sensacional, em 2011. Fazer o quê? Boa parte da trilha sonora do começo do século é ao som de Foo Fighters, e o Dave Grohl é um gênio.”
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