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Dia do Rock: 10 riffs que você reconhece em poucos segundos

Seleção passa por rock, blues e grunge com Chuck Berry, Hendrix e Nirvana

Beatles no estudio Abbey Road (Divulgação Abbey Road)

Beatles no estudio Abbey Road (Divulgação Abbey Road)

Um bom riff pode ser mais forte que um refrão. Em alguns casos, bastam dois ou três segundos para identificar a música, a banda e uma época inteira. O rock construiu boa parte de sua linguagem em torno dessas frases curtas de guitarra, diretas e fáceis de reconhecer. Para celebrar o dia do Rock, comemorado nesta segunda-feira (13), reunimos os 10 mais marcantes da História.

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Como o riff virou uma das assinaturas do rock

Esta lista não trata de virtuosismo, pelo contrário. Alguns dos riffs abaixo são tecnicamente simples. Outros mudaram o som da guitarra elétrica, ajudaram a definir subgêneros ou atravessaram décadas até chegar a estádios, comerciais, filmes e aulas de instrumento.

De Chuck Berry aos White Stripes, a seleção passa por rock and roll, blues rock, hard rock, heavy metal, psicodelia, grunge e garage rock. São dez riffs que funcionam quase como logotipos sonoros: quando começam, ninguém precisa perguntar que música está tocando.

1. “Smoke on the Water”, Deep Purple

Gravada para o álbum “Machine Head”, de 1972, “Smoke on the Water” virou uma espécie de rito de passagem para guitarristas iniciantes. O riff de Ritchie Blackmore, tocado em quartas paralelas e reforçado pelo órgão de Jon Lord, tem uma clareza rara: é pesado, mas não é cheio; é simples, mas não é genérico. A música nasceu da temporada do Deep Purple em Montreux, na Suíça, quando a banda presenciou o incêndio no cassino local durante um show de Frank Zappa, episódio narrado na letra.

2. “(I Can’t Get No) Satisfaction”, The Rolling Stones

O riff de “Satisfaction” é um dos casos em que uma ideia provisória virou versão definitiva. Keith Richards imaginava aquela linha como algo que poderia ser tocado por metais, mas a guitarra com fuzz acabou ficando no centro da gravação. A faixa foi concluída em maio de 1965, em Los Angeles, depois de sessões iniciadas em Chicago, e Richards usou um fuzz box da Gibson para dar ao tema a textura que se tornaria inseparável da música.

3. “Whole Lotta Love”, Led Zeppelin

“Whole Lotta Love”, faixa de abertura de “Led Zeppelin II”, de 1969, consolidou Jimmy Page como arquiteto de riffs grandes o bastante para sustentar uma música inteira. O guitarrista afirmou que criou a frase principal no verão de 1968 e percebeu que ela não serviria apenas como introdução: poderia conduzir a faixa do início ao fim. O público da BBC Radio 2 colocou o riff no topo de uma votação de 2014 sobre os maiores da história, à frente de “Sweet Child O’ Mine”, “Back in Black” e “Smoke on the Water”.

4. “Smells Like Teen Spirit”, Nirvana

O riff de “Smells Like Teen Spirit” não inventou o jogo de dinâmica entre verso contido e explosão no refrão, mas o levou ao centro da cultura pop dos anos 1990. Kurt Cobain reconhecia a influência dos Pixies na alternância entre partes baixas e altas, e chegou a chamar o próprio riff de clichê. Ainda assim, o resultado escapou do cálculo: quatro acordes, ataque seco, distorção aberta e uma sensação de colapso juvenil que transformou o Nirvana em fenômeno global. Segundo relato atribuído a Cobain, Krist Novoselic achou a ideia “ridícula” quando a ouviu pela primeira vez, e a banda acabou repetindo a sequência por cerca de uma hora e meia. Poucos riffs traduziram tão bem a chegada de uma década.

5. “Back in Black”, AC/DC

“Back in Black” é o som de uma banda recomeçando sem mudar sua espinha dorsal. Lançada em 1980, depois da morte de Bon Scott e da entrada de Brian Johnson, a faixa tem um riff que parece simples no papel, mas depende de precisão, espaço e acento. Malcolm Young dá a base com rigidez quase mecânica; Angus Young entra com o ataque que transforma a música em celebração e comunicado. A entrada de Johnson no AC/DC veio após uma audição em Londres, cercada de sigilo, quando o cantor ainda não sabia oficialmente qual banda procurava um vocalista.

6. “Purple Haze”, Jimi Hendrix

“Purple Haze” colocou Jimi Hendrix em outro patamar logo no início de sua discografia. Lançada em 1967, a faixa abre com uma tensão que vem do trítono e se desenvolve em um riff de blues psicodélico, cheio de distorção, ataque e instabilidade. A música costuma ser associada à cultura lisérgica dos anos 1960, mas Hendrix descreveu a origem como algo mais próximo de uma imagem onírica, ligada à leitura de ficção científica e a um sonho de caminhar sob o mar em meio a uma névoa púrpura.

7. “Iron Man”, Black Sabbath

 Se “Smoke on the Water” é o riff escolar do hard rock, “Iron Man” é uma das matrizes do heavy metal. Tony Iommi criou a introdução e o riff principal em uma jam com Bill Ward, a partir de uma batida simples e pesada. Ozzy Osbourne associou o som à imagem de um homem de ferro andando, ideia que serviu de ponto de partida para Geezer Butler escrever a letra.

8. “Johnny B. Goode”, Chuck Berry

 A introdução de “Johnny B. Goode”, de 1958, é mais um lick do que um riff no sentido estrito, mas seria impossível deixá-la fora de uma lista como esta. Chuck Berry organizou ali boa parte do vocabulário que a guitarra do rock usaria nas décadas seguintes: bends, ataque rítmico, fraseado de blues e senso de espetáculo. A música também criou um mito fundador do próprio rock: o garoto que toca guitarra e pode sair do anonimato pela música. A faixa foi longe até literalmente: entrou no Golden Record da sonda Voyager, lançado em 1977 como uma amostra da cultura terrestre.

9. “Seven Nation Army”, The White Stripes

“Seven Nation Army” é a prova de que o riff de guitarra não morreu no século XXI. Jack White gravou a linha principal com uma guitarra processada por pedal de oitava, criando um som que muita gente confunde com baixo. A música, lançada em 2003 no álbum “Elephant”, não depende de um refrão vocal tradicional: o riff ocupa esse lugar. Por isso mesmo, escapou do rock alternativo e virou canto de estádio, entoado por torcidas de todo mundo. O riff se tornou maior que a própria banda.

10. “Day Tripper”, The Beatles

 Os Beatles não poderiam estar fora desta lista. “Day Tripper”, lançada em 1965 como single duplo com “We Can Work It Out”, mostra os britânicos em seu melhor em termos de riff. John Lennon teve a ideia inicial, com colaboração de Paul McCartney, e a música foi construída sobre um blues de 12 compassos em Mi, com deslocamento para Fá sustenido no refrão. O riff, tocado por Lennon e George Harrison, junta vocabulário de blues, soul e rock britânico sem perder a leveza pop. Basta a primeira volta da guitarra para localizar a canção.