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Kathleen Hanna: quem é a primeira ‘riot grrrl’ do rock

Cantora, escritora, ativista e vocalista de bandas fundamentais do para o punk

Kathleen Hanna (Divulgação)

Kathleen Hanna (Divulgação)

Lendária vocalista do Bikini Kill, Kathleen Hanna é a face mais conhecida do riot grrrl, movimento punk feminista que explodiu no início dos anos 1990 nos EUA.

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Hanna foi responsável por colocar em prática uma ideia simples e radical para o rock da época: garotas na frente, no palco, no público, nas letras, nas zines e na política.

Quem é Kathleen Hanna?

Kathleen Hanna é cantora, escritora, artista e vocalista de duas bandas importantes para a música alternativa: Bikini Kill e Le Tigre. É uma voz central do punk feminista, e sua autobiografia, “Rebel Girl: My Life as a Feminist Punk”, publicada em 2024, entrou na lista de best-sellers do “The New York Times”.

Riot grrrl foi um movimento punk feminista, feito de bandas, encontros, zines, manifestos e redes de apoio. Não era apenas um gênero musical. Era uma resposta à exclusão das mulheres na cena punk e ao modo como o rock tratava mulheres como fãs, namoradas ou personagens, não como autoras.

O termo passou por diferentes mãos. Bratmobile, com Allison Wolfe e Molly Neuman, ajudou a formular a expressão “girl riot”; Jen Smith, ligada ao circuito de zines, levou a ideia para “riot grrrl”; e Tobi Vail, Kathleen Hanna e outras artistas ajudaram a espalhar a linguagem do movimento. A grafia “grrrl”, com os “r” a mais, marcava raiva, ruído e recusa à passividade associada à palavra “girl”.

Bikini Kill e o grito “girls to the front”

Hanna ficou conhecida por pedir que as garotas fossem para a frente do palco, gesto que tinha um sentido prático: abrir espaço em apresentações punk dominadas por homens e tornar os shows menos hostis para mulheres. A frase “girls to the front” virou um resumo da missão da banda.

A discografia do Bikini Kill é curta, mas decisiva. “Rebel Girl” virou o hino mais conhecido da banda. “Double Dare Ya”, “Feels Blind” e outras faixas consolidaram uma escrita direta, em que a agressividade do punk não era pose: era linguagem de sobrevivência. A editora HarperCollins, ao apresentar a autobiografia de Hanna, aponta “Rebel Girl” e “Double Dare Ya” como canções centrais de sua obra.

Le Tigre e Julie Ruin: política na pista

 No Le Tigre, ao lado de Johanna Fateman e Sadie Benning na formação original, ela levou a política feminista para uma sonoridade mais dançante, com eletrônica, punk, pop e performance. A estreia do grupo, em 1999, foi lida pela crítica como uma tentativa de sair do círculo fechado do punk e fazer a mensagem circular em outro ambiente.

Essa fase ajudou a renovar a imagem de Hanna. Ela deixou de ser apenas “a vocalista do Bikini Kill” para se firmar como artista capaz de atravessar linguagens sem diluir o discurso. “Deceptacon”, do Le Tigre, segue como uma de suas faixas mais conhecidas fora do circuito punk.

Nos anos seguintes, Hanna também gravou como Julie Ruin e depois com a banda The Julie Ruin. Sua trajetória foi atravessada por uma batalha contra a doença de Lyme, tema tratado no documentário “The Punk Singer” e em textos sobre seu retorno à música. Em 2016, “Hit Reset”, do The Julie Ruin, foi recebido como um trabalho pessoal e ligado a esse processo de volta.

Por que Kathleen Hanna importa no rock?

Kathleen Hanna importa porque mudou a pergunta central. Em vez de pedir lugar no rock, ela e sua geração criaram outro modo de ocupá-lo. O palco deixou de ser apenas espaço de performance e virou disputa física. A letra deixou de ser só expressão pessoal e virou documento político. A fã deixou de ser público passivo e virou produtora de zine, banda, encontro e manifesto.

Seu arquivo pessoal, hoje preservado pela Universidade de Nova York, inclui zines, pôsteres, fotos, gravações, cadernos, documentos e materiais ligados à produção artística de Hanna e à participação dela no riot grrrl. Isso mostra como a obra ultrapassou a discografia e entrou na história cultural do punk.

No Dia do Rock, Kathleen Hanna ajuda a lembrar que o gênero não foi feito só por virtuoses, grandes palcos e solos longos. Também foi feito por quem pegou o microfone para dizer que o show precisava mudar de lugar. Primeiro as garotas na frente. Depois, o resto da história.