Como o ‘chifrinho’ virou o símbolo do rock e heavy metal? Pioneiro não foi Dio
Jinx Dawson, vocalista da banda americana Coven, explica a história

Ronnie James Dio
É Dia do Rock, e poucos símbolos são tão associados ao heavy metal quanto o tradicional “chifrinho”, feito com os dedos indicador e mindinho levantados. Popularizado por Ronnie James Dio, o gesto se tornou um código universal entre artistas e fãs do gênero, mas sua origem na música é alvo de debate há décadas e remonta ao fim dos anos 1960.
Em entrevista ao UOL em 2018, Jinx Dawson, vocalista da banda americana Coven, afirmou que o grupo já utilizava o sinal na contracapa do álbum “Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls”, lançado em 1969. O disco apostava em uma estética ligada ao ocultismo, com caveiras, cruzes invertidas, referências a Satanás e uma faixa chamada “Black Sabbath”, gravada antes do surgimento da banda britânica considerada uma das pioneiras do heavy metal.
“Eu queria usar o ‘sinal dos chifres’ no álbum porque seria um reconhecimento por eu ter crescido na família em que cresci”, disse Jinx ao site. Segundo a cantora, ela foi criada em uma família ligada ao ocultismo, cercada por livros sobre magia, espiritismo e sociedades secretas, influências que moldaram a identidade artística do Coven.

Apesar dessa reivindicação, foi Ronnie James Dio quem levou o gesto ao mundo. Durante sua passagem por bandas como Rainbow, Black Sabbath e em sua carreira solo, o cantor adotou o sinal nos palcos e fez dele uma marca registrada do heavy metal. Em entrevista à revista Roadie Crew, Dio contou que aprendeu o chamado maloik com sua avó italiana, que utilizava o gesto como proteção contra o mau-olhado.
Ao UOL, Jinx apresentou outra versão da história. Segundo ela, Dio frequentava os mesmos clubes que o Coven na década de 1970 e teria conhecido o gesto por meio da banda. “Os integrantes do Coven faziam o símbolo para seus amigos. Uma vez Ronnie perguntou o que estávamos fazendo e nosso baterista explicou a ele, que começou a usá-lo, dizendo que tinha aprendido de sua avó”.
A cantora também defendeu que há uma diferença entre os dois sinais. Segundo ela, o maloik tradicional é direcionado a uma pessoa como forma de afastar o mau-olhado, enquanto o “chifre do diabo” é feito para cima, como ficou conhecido nos shows de rock e metal.
Outro capítulo da história aconteceu em 2017, quando Gene Simmons, do Kiss, tentou registrar uma versão do gesto como marca. A iniciativa gerou forte reação de músicos e fãs e acabou sendo abandonada poucos dias depois. A discussão ganhou outro ingrediente porque Simmons costuma fazer o sinal com o polegar levantado — configuração que, segundo Jinx, corresponde ao gesto de “amor” na língua de sinais e não ao tradicional “chifrinho” popularizado no metal.
A própria vocalista cita um exemplo famoso dessa confusão. Muitos fãs apontam que John Lennon aparece fazendo um gesto parecido na capa de “Yellow Submarine”. Jinx contou ao UOL que conversou com integrantes dos Beatles sobre o assunto nos anos 1980 e ouviu deles que nunca houve qualquer intenção de fazer referência ao ocultismo. Segundo ela, para a banda, tratava-se apenas do sinal de “amor”.
Décadas depois, Jinx reconhece que a disputa sobre a autoria perdeu importância. “Eu tentei corrigir as informações incorretas por anos, mas hoje este símbolo ganhou vida própria. O símbolo dos chifres sempre foi para ser algo secreto, para continuar sendo algo esotérico”.
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