Castel lança álbum de house music com conceito de ‘anatomia da noite’
'Noturno' chegou às plataformas nesta sexta-feira (21)

Castel (Divulgação)
Em entrevista à Billboard Brasil, Denusa Castellain e Luís Fernando Diogo, dupla por trás do duo Castel, falaram sobre o processo de transformar sua formação em música erudita em um álbum de house music, o conceito de “anatomia da noite” que estrutura o disco “Noturno” e o posicionamento social por trás das parcerias reunidas no projeto.
Vindos de uma formação sólida em música erudita, com décadas de orquestra e câmara, Denusa e Luís explicaram como essa vivência técnica abriu espaço para o desejo de criar dentro de gêneros mais populares.
“O estudo da música sinfônica exige muita técnica, pesquisa, contextualização histórica, recursos materiais e tempo de dedicação… Foi essa vivência que possibilitou uma abertura técnica e intelectual para que um dia pudéssemos sonhar com uma criação artística que apontasse para nosso gosto pessoal: a música para dançar, a arte contemporânea, a arte urbana e a tecnologia”, afirmaram.
Segundo eles, todo o conceito de “Noturno” nasceu de uma pergunta central: “O que é necessário para viver uma noite, uma pista, de maneira intensa?”.
A resposta, segundo eles, apontou para o próprio corpo — termos como “Córtex”, “Pineal”, “Lobos Temporais”, “Dopamina” e “Euforia” nomeiam faixas do álbum, enquanto “CMax” e “TMax”, termos emprestados da farmacologia, abrem e fecham o disco, representando os estímulos externos da pista, como música, luzes e encontros.
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A ordem das 10 faixas do álbum também segue uma lógica proposital. “A primeira (‘CMax’) e última música (‘TMax’) foram colocadas de maneira proposital nesses lugares, justamente por abrirem e fecharem o álbum. As demais faixas foram sendo batizadas conforme um sentido poético identificado por nós, com relação à maneira como a música era percebida em nossos corpos”, explicaram, destacando que a sequência também segue a cronologia de composição de cada faixa.
Entre as participações estão Lio, Kabuto, Siamese, Wes Ventura, Lay Soares, Xan, Donna Bagos, Jorba e Beli Bertalha.
Sobre o time diverso de artistas convidados para o álbum, Denusa e Luís afirmaram que o critério não se limitou a recortes sociais, mas envolveu principalmente vínculos pessoais.
“Toda diversidade presente no Noturno é a diversidade presente em nossas próprias vidas… acreditamos que fazer arte com os amigos pode adicionar ingredientes que nenhum conhecimento técnico poderia oferecer.”
A produção do álbum é assinada por Macha, da banda Tuyo, parceiro da Castel há seis anos, desde a fundação da banda. Segundo a dupla, ele foi responsável por moldar os timbres característicos do house music no disco e pelo tratamento vocal de cada convidado: “O trabalho com Macha é sempre satisfatório. A sensibilidade e comprometimento que ele carrega na vida são presentes em suas percepções musicais.”
A Castel também comentou a decisão consciente de reunir mulheres, artistas negros e pessoas LGBTQIAPN+ no álbum, resgatando as raízes históricas da cultura house.
“Apesar de a Cultura House ter sido criada por pessoas negras e pela comunidade LGBTQIAPN+, não era assim que as pessoas imaginavam uma festa de house… decidimos que o ‘Noturno’ faria parte dessa retomada”, afirmaram.
“Acreditamos que as pessoas que compõem essas comunidades se sentirão abraçadas quando notarem que as pessoas que fizeram o álbum Noturno se parecem com elas, têm a mesma origem que elas.”
Ouça Castel
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