Colombiano Funk Tribu junta alma, corpo e mente no EP ‘LIFE’
Radicado em Berlim, produtor de Bogotá tem 25 anos e explora diferentes gêneros

Funk Tribu junta alma, corpo e mente no EP 'LIFE' (Divulgação)
Em “LIFE”, Funk Tribu organiza sua música a partir de uma divisão pouco comum na pista de dança: alma, mente e corpo. Lançado em agosto pelo selo TRIBE, o EP reúne quatro faixas e 14 minutos em que essas três dimensões funcionam como guia para o projeto.
A divisão não tenta transformar corpo, alma e mente em compartimentos independentes.
“Eles estão todos conectados, mas, ao mesmo tempo, representam partes muito diferentes de nós: como sentimos, como pensamos, como experimentamos as coisas fisicamente”, explica.
O conceito funciona como porta de entrada para entender o momento de Eduardo José Montañez Sánchez, DJ e produtor colombiano radicado em Berlim. Aos 25 anos, ele já passou por clubes, festivais e plataformas importantes da música eletrônica, mas fez o novo trabalho durante um período em que começou a repensar o ritmo da própria carreira.
A estrutura do novo EP surgiu aos poucos. O projeto começou por uma faixa que viria a se chamar “life (vida)”. Conforme outras músicas apareceram, Funk Tribu percebeu conexões entre elas e chegou à divisão entre “alma”, “mente” e “cuerpo”. “life (vida)” chegou a ser retirada do projeto por não se encaixar mais no desenho final, até voltar como faixa bônus. O EP ficou completo com “reborn (alma)”, “where are you taking me? (mente)”, parceria com Dillistone, “this is the moment (cuerpo)” e “life (vida)”.
O produtor diz estar menos preocupado em enquadrar cada faixa em um gênero específico. “Acho que fiquei menos interessado em saber se algo se encaixa em determinado gênero e mais interessado em saber se aquilo me faz sentir alguma coisa”, diz.
“As melodias sempre foram extremamente importantes para mim, mas, com ‘LIFE’, me dei mais liberdade para seguir a emoção de uma faixa em vez de pensar demais sobre onde ela pertence ou sobre como as pessoas esperam que uma música do Funk Tribu soe.”
Para o público brasileiro, o nome não é totalmente novo. Em 2025, Funk Tribu tocou no Time Warp Brasil, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, em uma escalação que também tinha Honey Dijon, KI/KI, Indira Paganotto, Azyr e Mochakk. No mesmo ano, também passou pelo Tomorrowland Brasil.
De Black Eko e Ed Jexxe a Funk Tribu
A relação com produção musical começou cedo. Ainda adolescente em Bogotá, ele descobriu programas de DJ e, por volta dos 14 ou 15 anos, passou a produzir no FL Studio. Antes de chegar ao nome Funk Tribu, chegou a publicar trabalhos como Black Eko e Ed Jexxe, projetos voltados a progressive, electro e tribal house.
“Você precisa fazer muita música que não soa como você antes de descobrir o que realmente soa”, diz.
A música já aparecia nas histórias de família. O pai havia mantido uma miniteca quando jovem, um formato popular na Colômbia em que sistemas móveis de som animavam festas e eventos. Funk Tribu não viveu aquela época, mas cresceu ouvindo os relatos. Segundo ele, a história ajudou a alimentar a curiosidade que mais tarde o levaria à produção.
A virada veio com “Phonky Tribu”, lançada em 2021. A faixa viralizou e abriu o caminho para sua mudança à Europa. Em entrevistas posteriores, o produtor contou que a repercussão da música levou ao contato com a Speedmaster Records e a um convite para viajar a Berlim. E o que seria uma passagem curta acabou se transformando em mudança definitiva. “Phonky Tribu” já ultrapassou a marca de 100 milhões de reproduções no Spotify.
Mudar de Bogotá para Berlim também alterou sua maneira de produzir. Se na Colômbia boa parte do trabalho era feita sozinho, na capital alemã ele passou a conviver diretamente com artistas, clubes e repertórios diferentes. Ao mesmo tempo, a distância reforçou a ligação com o país natal.
“Se existe uma coisa que a Colômbia me deu, acho que é otimismo. Sempre tive essa sensação de que, de algum jeito, as coisas vão dar certo”, afirma. “Berlim definitivamente mudou meu som e abriu meu mundo, mas acho que esse otimismo colombiano continua sendo uma parte importante de como abordo a música e a vida.”
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