Bad Bunny incendeia Londres com shows históricos: os 7 melhores momentos
Artista porto-riquenho realizou duas apresentações com ingressos esgotados

Bad Bunny durante show em SP (Clayton Felizardo/Brazil News)
Estrelas do pop frequentemente falam de forma grandiosa sobre a criação de mundos, especialmente ao discutir turnês concebidas para percorrer diversos locais. Poucos artistas, no entanto, concretizam essa promessa como Bad Bunny. O cantor porto-riquenho passou o último ano transformando seu álbum “Debí Tirar Más Fotos” — que alcançou o topo da Billboard 200 — em um espetáculo monumental para estádios, marcado por uma identidade cultural inabalável e um forte senso de pertencimento.
À medida que seu público crescia, o artista de 32 anos tornava suas apresentações ao vivo ainda mais específicas, reforçando detalhes culturais — desde imagens aéreas da paisagem da ilha durante a música “Weltita” até o icônico palco secundário rosa “La Casita” — e mantendo suas raízes no centro de tudo o que acontece no palco.
A última vez que Bad Bunny (nascido Benito Martínez Ocasio) esteve em Londres, ele se apresentou na casa de shows O2 Forum Kentish Town, com capacidade para 1.200 pessoas, durante a turnê de seu álbum de estreia, “X 100pre”. Oito anos depois, ele construiu uma carreira notável: aventurou-se em Hollywood, conquistou prêmios Grammy e tornou-se um dos maiores artistas globais em turnês na década.
Agora, com duas noites de ingressos esgotados (27 e 28 de junho) no estádio do Tottenham Hotspur, com capacidade para 50 mil pessoas, ele se torna o primeiro artista latino a liderar um show em um estádio no Reino Unido; além disso, dados recentes da Billboard Boxscore indicam que a turnê mundial de “Debí Tirar Más Fotos” ultrapassou US$ 360 milhões em receita bruta — um feito ainda mais impressionante considerando a ausência total de datas nos Estados Unidos ao longo da turnê.
E, após anos dominando o streaming global sem conseguir um grande avanço nas paradas do Reino Unido, 2026 marcou uma mudança significativa nesse aspecto. Depois de ser a atração principal do show do intervalo do Super Bowl em fevereiro, “Debí Tirar Más Fotos” disparou para a segunda posição na parada oficial de álbuns do Reino Unido, e sua faixa-título alcançou o quarto lugar, tornando-se o primeiro sucesso solo de Bad Bunny a figurar no top 10 britânico. A série de dois shows em Londres representa, portanto, o auge de um momento de transição há muito aguardado em um dos poucos grandes mercados que lhe faltavam conquistar: uma chegada triunfal em solo britânico.

No palco em Londres, durante a segunda noite, ele contou com o acompanhamento de uma banda tradicional, misturando os sucessos que fundem trap e reggaeton do início de sua carreira (“Monaco”, “Bichiyal”) com os elementos folclóricos que caracterizam grande parte de sua produção mais recente. Ao vivo, esses ritmos folclóricos frequentemente destacam elementos de percussão, assobios, variações dinâmicas intensas e o estilo vocal de chamada e resposta, tudo isso convergindo para transmitir uma energia vibrante, típica de festas de rua.
“Debí Tirar Más Fotos” é um álbum profundamente pessoal, que explora a perda e a saudade tendo como pano de fundo uma reflexão sobre a própria relação do artista com a nostalgia. Quase milagrosamente, o som ganha ainda mais força quando reproduzido em volume alto e com intensidade, com a aura da presença de palco eletrizante de Bad Bunny potencializando a experiência. Sua música é concebida para ser compartilhada, dançada e celebrada com entusiasmo, tanto quanto para ser ouvida ou cantada; ao vivo, fica evidente que os temas do álbum foram feitos para serem vivenciados coletivamente.
Estes foram os melhores momentos da grande festa promovida por Bad Bunny na noite de domingo (28) no Tottenham Hotspur Stadium, em Londres.
Como foram os shows de Bad Bunny em Londres
Que comece a festa
Um turbilhão colorido de cachecóis e faixas representando países de todo o mundo hispanofalante tomava conta do caminho entre a estação de metrô Seven Sisters e o estádio; ali, sucessos de Bad Bunny ecoavam de barbearias, enquanto riquixás rosa-choque transportavam o público para o local do show. Essa atmosfera contagiante se estendia naturalmente para o interior do estádio, onde grupos de amigos de chapéu de palha compartilhavam margaritas geladas e outros posavam para selfies vestindo camisetas iguais com estampas de sapo. Antes mesmo de a apresentação começar, os próprios fãs já haviam se tornado parte indissociável do espetáculo.
Um passo, dois passos, três passos…
Dando início ao show logo após o encerramento de “Debí Tirar Más Fotos”, “La Mudanza” estabeleceu um tom solene para a noite. Vestindo um terno sob medida, Bad Bunny conduziu a abertura com o estilo da salsa clássica; seu visual elegante harmonizava-se com movimentos de quadril calculados e uma coreografia contida. Após dedicar sua primeira fala da noite à força da comunidade — chegando a lançar um chamado de união aos imigrantes de todo o mundo —, ele parecia dosar cuidadosamente a energia, preparando-se para a inevitável explosão de vitalidade que viria mais adiante na apresentação.
O verão de “Oasis” continua civo
O trabalho de câmera imersivo conferiu ao estádio uma atmosfera surpreendentemente intimista em certos momentos, com closes ao vivo dos fãs nas arquibancadas superiores e tomadas panorâmicas de 360 graus que envolviam o público nos instantes de calmaria entre as músicas. Um destaque inesperado surgiu pouco antes de “Turista”, quando a sublime banda de Bad Bunny, Los Sobrinos, começou a tocar os acordes iniciais de “Wonderwall”, do Oasis; isso levou a plateia a cantar em coro, enquanto milhares de cordões de câmera com a marca da turnê brilhavam em uníssono, criando um efeito que lembrava as famosas pulseiras luminosas do Coldplay.
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Um caleidoscópio de bandeiras
Grande parte do apelo de Bad Bunny vem da maneira como ele energiza seu público: ele mantém um compromisso firme em representar as histórias de sua própria comunidade, ao mesmo tempo em que une a diáspora mais ampla por meio de sua música. Na introdução gradual de “Baile Inolvidable”, ele caminhava pelo palco enquanto fãs nas arquibancadas superiores realizavam suas próprias procissões de bandeiras, brilhando em um uníssono deslumbrante. Essa foi a mensagem da noite, capturada em um único momento: orgulho, união e resiliência.
A grande revelação
Depois de passar um bom tempo interagindo com os fãs junto à grade — recebendo flores, posando para fotos Polaroid e cumprimentando com o toque de punhos —, Bad Bunny começou a tocar a música surpresa da noite: “Ni Bien Ni Mal”, de 2018. Antes de a batida sincopada de *dembow* entrar, um alarme soou pelo sistema de som enquanto uma mensagem brilhava nos telões: “A próxima música é exclusiva para vocês hoje à noite”, dizia o texto. “Ela não será apresentada em nenhum outro show.” O resultado foi um verdadeiro delírio coletivo que durou quatro minutos de pura adrenalina.
Ah, oi, Damon!
Embora o La Casita — que costuma ser um ponto de encontro de celebridades; a estrela de TV Maya Jama, por exemplo, passou por lá na noite anterior — estivesse visivelmente mais tranquilo desta vez (à exceção da presença dos dançarinos da turnê “Together, Together” de Harry Styles), a maior participação especial da noite surgiu bem na hora do gran finale. Surgindo de um alçapão oculto com um sorriso no rosto, Damon Albarn dirigiu-se rapidamente ao piano para tocar dois sucessos do Gorillaz: “Tormenta” e “Clint Eastwood”. Após a última música, Albarn exclamou, radiante: “Esse cara!”, e abraçou calorosamente Bad Bunny, encerrando a noite com aquele tipo de colaboração inesperada que ninguém imaginava.
Uma ode à própria vida
Na parte intermediária do show, mesmo quando faixas como “Neverita” e “Yo Perrero Sola” elevavam o ritmo às alturas, Bad Bunny mantinha uma postura notavelmente relaxada, mascando chiclete enquanto vestia um agasalho da Adidas. No entanto, quando soaram os acordes luminosos de “DtMF” — e ele já havia trocado de roupa para um casaco de pele —, o clima mudou: falando inteiramente em espanhol ao longo da noite, ele adotou um tom mais suave ao incentivar o público a aproveitar cada momento — um lembrete comovente de quão efêmeras podem ser noites como essa.
[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].
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