80 anos de Bethânia: voz única, entrega dramática e o nome escolhido por Caetano
Cantora faz aniversário nesta quinta-feira, 18 de junho

A cantora Maria Bethânia (Jorge Bispo/Divulgação)
Nesta quinta-feira (18), Maria Bethânia completa 80 anos. Nascida em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, ela estreou nos palcos em 13 de fevereiro de 1965 — quando substituiu Nara Leão (1942-1989) no musical Opinião, no Teatro Opinião, em Copacabana — e nunca mais saiu dos ouvidos e dos corações do Brasil. Para celebrar a data, revisitamos a entrevista exclusiva que a Billboard Brasil realizou com ela e com seu irmão Caetano Veloso durante a maior turnê nacional de 2024, “Caetano & Bethânia”.
Na ocasião, a cantora, sempre econômica com as palavras para a imprensa, enviou um breve áudio com sua declaração:
“Para mim é uma honra estar no palco ao lado de um dos maiores artistas do Brasil, da música popular brasileira, Caetano Veloso. Para mim é uma alegria imensa estar ao lado de meu irmão, realizando um espetáculo juntamente criado, amigavelmente criado, desejado por nós e entregue a um público que tem desejo de nos assistir. Essa é a minha alegria e é o que tenho a declarar.”
Já Caetano, falante e generoso com os detalhes, definiu com precisão a diferença fundamental entre os dois:
“Desde a infância de Bethânia e minha adolescência que somos muito próximos. Nos mudamos para Salvador juntos. Viemos para o Rio juntos, por exigência de meu pai. Sempre juntos e tendendo para as mesmas atividades, mas sempre fomos muito diferentes. Ela é passional, e eu sou equilibrista.”

Foi Caetano quem escolheu o nome da irmã, ainda menino, encantado com a valsa “Maria Bethânia”, de Capiba (1904-1997), então um enorme sucesso na voz de Nelson Gonçalves (1919-1998). Décadas depois, ele a vê com a mesma admiração de sempre – inclusive com o olhar atento de quem acompanha cada movimento artístico dela de perto.
A turnê de 2024, que reuniu mais 14 músicos no palco, sob direção musical de Jorge Helder e Lucas Nunes, e percorreu dez cidades em arenas e ginásios, foi o segundo e único show em dupla dos irmãos. O primeiro havia sido registrado no álbum “Maria Bethânia e Caetano Veloso ao Vivo” (1978), gravado no lendário Canecão. Quarenta e seis anos separam os dois encontros. Caetano resumiu o intervalo com simplicidade: “São tantos anos entre os dois encontros que é natural que assim seja.”
O processo criativo da turnê foi construído nos ensaios, sem roteiro rígido. O repertório, 41 canções, com predominância de composições do cantor, nasceu da escuta mútua e da confiança de décadas: “Bethânia me disse que queria sopros e vocal. Ensaiamos num estúdio em São Conrado, no Rio. Tipo por um mês. O clima era bom.”
Entre os momentos mais emocionantes do espetáculo estava a homenagem a Gal Costa — anunciada no palco como “Gal Para Sempre” —, com as canções “Baby” e “Vaca Profana”. Caetano explicou a escolha com o carinho de quem viveu aquela história:
“‘Baby’ foi composta para Bethânia, a partir de coisas que ela mesma me sugeriu que escrevesse numa canção. Como ela não quis participar do disco ‘Tropicália’ [1968], que era coletivo, Gal gravou em seu lugar — e isso se tornou o primeiro grande êxito de nossa querida irmã adotiva.”
+ Leia mais: Maria Bethânia é anunciada no line-up do Coala Festival 2026
Trajetória de Maria Bethânia
Maria Bethânia Vianna Telles Velloso nasceu em 18 de junho de 1946, em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. Cresceu numa família musical e numerosa, ao lado do irmão Caetano Veloso.
Na adolescência, mudou-se para Salvador, onde estudou e conviveu com Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé. Em 1964, participou dos espetáculos “Nós, por Exemplo” e “Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova”. No ano seguinte, foi convidada por Nara Leão (1942-1989) para substituí-la no musical “Opinião”, em Copacabana. Estreou nos palcos no 13 de fevereiro de 1965 e se tornou uma sensação imediata: reconhecida pela voz grave e pela entrega dramática incomuns para uma artista tão jovem.
Ao longo das décadas seguintes, consolidou-se como uma das maiores intérpretes da história da música popular brasileira, com um repertório eclético que transita entre o samba, a bossa nova, o bolero, a MPB e a música nordestina. Embora próxima dos artistas que lideraram a Tropicália, ela seguiu um caminho artístico próprio e nunca se vinculou formalmente ao movimento. Em 1976 e 2002, integrou os Doces Bárbaros, ao lado de Caetano, Gal Costa e Gilberto Gil.
É conhecida também por seu profundo vínculo com a cultura afro-brasileira e com a literatura — seus shows frequentemente incorporam poesia declamada, de autores como Vinícius de Moraes, Pablo Neruda e Fernando Pessoa. Lançou dezenas álbuns de estúdio e ao vivo, entre eles clássicos como “A Tua Presença” (1971), “Drama” (1972), “Pássaro Proibido” (1976), “Álibi” (1978) e “Memória da Pele” (1989).
Ouça Maria Bethânia
As músicas mais ouvidas no Spotify
- “Cheiro de Amor”
- “As Canções Que Você Fez Pra Mim”
- “Sonho Meu”
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