Published by Mynd8 under license from Billboard Media, LLC, a subsidiary of Penske Media Corporation.
Publicado pela Mynd8 sob licença da Billboard Media, LLC, uma subsidiária da Penske Media Corporation.
Todos os direitos reservados. By Zwei Arts.

Xuxa emociona uma geração com a maior produção já vista em um show brasileiro

Entre lágrimas e memórias de infância, 'O Último Voo da Nave' levanta régua

Xuxa Meneghel

Xuxa Meneghel (@morivafilmes)

Fui ao Nubank Parque, em São Paulo, na sexta-feira (31) achando que ia rever a minha infância. Voltei com a certeza de que a régua da produção brasileira mudou de lugar. “O Último Voo da Nave”, de Xuxa, é o adeus de um símbolo, e veio do tamanho do símbolo.

Seis atos, mais de 20 músicas, cenografia, projeção, luz, os personagens que atravessaram gerações. A nave tem 18 metros de altura por 50 de largura e sobrevoa o público. Desde o momento em que ela acende até voltar ao ponto final, você se arrepia.

Todos os celulares e todos os olhos seguem o trajeto. É como se a arquibancada inteira estivesse ali voando junto, se preparando para pousar e ver descer todas as memórias que fizeram parte da nossa vida e da nossa construção.

Quem trabalha com música sabe o quanto isso é difícil. Logística, equipamento de ponta, orçamento, prazo, expectativa de venda de ingresso, divulgação. Sabe também das ideias que a gente mesma corta na reunião porque acha que não é possível no Brasil. Xuxa não cortou nenhuma. Colocou o país no mapa das megaproduções, e não como promessa.

Eu já fui a muitos shows fora – Justin Bieber, Lady Gaga, Beyoncé – e eu garanto que o “O Último Voo da Nave” se equipara a todos estes no quesito megaprodução, efeitos, figurino, coreografia, passagens, todos os cuidados e detalhes. Senti um orgulho no coração em ver tudo acontecendo bem na minha frente no Brasil.

A direção geral é de Kley Tarcitano, brasileiro que vive nos Estados Unidos, onde faz parte da direção criativa de Jennifer Lopez desde o intervalo do Super Bowl de 2020 até a residência em Las Vegas. Ele dirigiu a estreia de Anitta no Coachella, Ivete Sangalo no Maracanã, Luan Santana, além de Britney Spears, J Balvin e Maluma. É uma mente brasileira que já brilha nos palcos internacionais, e Xuxa a trouxe para casa para fazer um espetáculo dessa magnitude aqui.

+ Veja mais: 50 melhores álbuns brasileiros de 2026 (até junho), segundo a Billboard Brasil

Show da Xuxa
Show da Xuxa (@morivafilmes)

‘A gente decorava do início ao fim’

O que me pegou não foi só a estrutura. Foi perceber o que aquelas músicas estavam dizendo.

A gente já fazia dancinha antes de dancinha ter nome. Decorava do início ao fim, dançava do início ao fim, e hoje lembrei de passos que eu jurava ter esquecido. Só que aquelas canções não eram só coreografia. Eram história. Eram hinos de amor, de esperança, de afeto. A gente cantava com o peito inteiro, chorava, e nem sabia por quê.

Desde “Arco Íris” com as passagens “o que vale nessa vida é ser feliz”, na época era apenas um arco iris colorido no pensamento, hoje sabemos que já era símbolo da diversidade que Xuxa defendia e defende. Até “Lua de Cristal”, que a gente cantava sem parar “Tudo pode ser, se quiser será. Sonhos sempre vêm pra quem sonhar. Tudo pode ser, só basta acreditar…”, já era nosso grito de esperança.

Cantar isso hoje, adulta, empresária, mãe, com o estádio inteiro junto, é entender que a gente não foi só entretida, a gente comunicava com nosso comportamento, nossa atitude e construía nossa personalidade com estes versos.

Show da Xuxa
Show da Xuxa (@morivafilmes)

‘O Último Voo da Nave’: um marco de indústria

Xuxa sempre foi visionária, e o show é coerente com isso. Ela pegou um repertório de 40 anos e deu a ele tratamento contemporâneo, provando que o catálogo brasileiro aguenta esse investimento. Ela tem obra para isso e agora também tem produção à altura.

Este show é necessário, é essencial, e precisa rodar o Brasil inteiro. É o tipo de espetáculo que deveria ficar vivo por anos, como as residências de Las Vegas, em que cada vez que você volta enxerga uma coisa diferente. Tenho certeza de que vai esgotar por onde passar.

Eu queria conseguir explicar para os meus filhos o que a Xuxa é dentro de mim, e nem eu mesma lembrava disso. O que ela significou numa época, por ser mulher, visionária, defensora das mais diversas causas, e por ser um ser humano que pregava amor, respeito, união e alegria. Uma memória viva sem nenhum risco, só agradecimento e aplauso. O que ela acendeu quando eu era criança e reacendeu hoje: a ideia de que eu era capaz, de que eu podia sonhar. Ontem, hoje e amanhã.

Obrigada, Xuxa.

Serviço – Turnê ‘O Último Voo da Nave’, de Xuxa

A turnê tem realização da 30e e apresentação do Itaú, com direção geral de Kley Tarcitano. O show passou pelo Nubank Parque, em São Paulo, nos dias 25 e 31 de julho, com as duas datas esgotadas, e segue por:

  • 26 de setembro — Arena da Baixada, Curitiba
  • 14 de novembro — Arena MRV, Belo Horizonte
  • 20 de dezembro — Estádio Maracanã, Rio de Janeiro
  • 27 de fevereiro de 2027 — Nubank Parque, São Paulo (data extra)

Onde comprar: Eventim

Xuxa em "O Último Voo da Nave" em São Paulo (Iwi Onodera/Brazil News)
Xuxa em “O Último Voo da Nave” em São Paulo (Iwi Onodera/Brazil News)