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Vandal cruza rap, pagodão e samba-reggae no álbum ‘Vanguardah’

Disco retrata a Bahia a partir da memória e da vivência do rapper

Vandal (Pedro Soares)

Vandal (Pedro Soares)

Vandal transforma a própria Salvador em matéria-prima para “Vanguardah”, álbum que cruza rap, pagodão baiano e samba-reggae para construir um retrato contemporâneo da Bahia. O disco chega às plataformas na quinta-feira (13), Dia de Santa Dulce dos Pobres no calendário religioso baiano.

Nascido Luis Sidnei Barbosa Correia, o rapper cresceu ouvindo pagodão antes de se aproximar do hip-hop. A relação entre as duas linguagens aparece como um dos eixos do novo trabalho, que reúne dez faixas e amplia a pesquisa sonora iniciada por Vandal em seus trabalhos anteriores.

A direção musical de “Vanguardah” ficou a cargo de Russo Passapusso, um dos integrantes do BaianaSystem. A produção musical é assinada por Tiago Simões, Calibre MC e Seko Bass, enquanto a direção artística ficou dividida entre Phodismo e o próprio Vandal.

O disco reúne ainda participações de nomes de diferentes pontos da música baiana e do hip-hop nacional. DJ KL Jay, Giovanni Cidreira, Hiran, Josyara, Liz Reis e Russo Passapusso aparecem em diferentes momentos do repertório.

Memória e ancestralidade atravessam o disco

Ancestralidade, memória e religiosidade aparecem como temas recorrentes em “Vanguardah”. Em vez de tratar a Bahia como cenário, Vandal parte de experiências pessoais para construir uma narrativa sobre a cidade e suas diferentes manifestações culturais.

Entre as faixas estão “Ah verdadeh dah cidadeh”, “Avemariah”, com Liz Reis, “Saveirozh” e “Pontoh deh revoltah”, que conta com samples e scratches de DJ KL Jay.

O repertório também inclui “Supereh”, colaboração com Hiran, “Requiémh parah umh sonhoh”, gravada com Josyara, e “Anjoh bomh dah Bahiah”, composta por Vandal e Ubiratan Marques.

A participação de Ubiratan Marques também leva ao álbum a dimensão orquestral. O maestro assina a produção musical de “Anjoh bomh dah Bahiah” e divide a composição com Vandal.

+Leia mais: Uma hora de conversa com Vandal: ‘Eu não vou aceitar e ouvir as coisas quieto’

O “h” como assinatura de Vandal

A grafia das músicas de “Vanguardah” segue uma característica recorrente na obra de Vandal: o acréscimo da letra “h” ao final das palavras. A escolha aparece nos títulos e funciona como uma espécie de assinatura visual e sonora do rapper.

A estética acompanha uma trajetória que ganhou destaque no hip-hop brasileiro com “Tipolazvegazh”, mixtape lançada em 2015. O trabalho ajudou a apresentar Vandal como um dos nomes associados à chegada do grime e do drill ao rap nacional.

Onze anos depois, “Vanguardah” amplia essa trajetória ao aproximar essas referências de ritmos diretamente ligados à formação musical do artista. O resultado é um álbum em que o rap não aparece isolado, mas em diálogo com uma tradição sonora profundamente ligada à Bahia.

Ouça Vandal