Um ano sem Ozzy Osbourne: o legado do Príncipe das Trevas
Do Black Sabbath ao Ozzfest, cantor transformou o rock

Ozzy Osbourne em 2003 (Reuters)
Há um ano, o rock perdia uma de suas figuras mais importantes. John Michael “Ozzy” Osbourne morreu em 22 de julho de 2025, aos 76 anos, encerrando a trajetória de um artista que ajudou a definir o som e a estética do heavy metal. Conhecido como “Príncipe das Trevas”, o cantor construiu uma carreira que influencia gerações, do nascimento do Black Sabbath ao sucesso de sua fase solo, tornando-se uma das personalidades mais reconhecíveis da música.
Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Ozzy acumulou uma coleção de histórias que ajudaram a construir sua imagem de “Madman”. As letras sombrias, a persona provocadora, o histórico de abuso de álcool e drogas e episódios polêmicos fizeram dele alvo frequente de críticas – especialmente de grupos religiosos, que o acusavam de promover satanismo. O próprio cantor revisitou muitos desses episódios na autobiografia “I Am Ozzy”, lançada em 2009.
Mas reduzir Ozzy às controvérsias seria ignorar seu maior legado. Da fundação do heavy metal com o Black Sabbath à reinvenção como astro solo e fenômeno da cultura pop, o cantor deixou uma marca definitiva na história da música. Relembre por que seu nome continua entre os mais influentes do rock.
O nascimento do heavy metal com o Black Sabbath
Antes de se tornar um dos personagens mais reconhecidos da cultura pop, Ozzy era a voz de uma banda inglesa de Birmingham chamada Black Sabbath. Ao lado de Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo) e Bill Ward (bateria), ele ajudou a formar as bases do que seria conhecido como heavy metal.
Lançado em 1970, o álbum de estreia do Black Sabbath apresentou um tipo de rock diferente do que dominava as paradas naquele momento. Os riffs pesados de Tony Iommi, as letras sombrias de Geezer Butler e a interpretação única de Ozzy criaram uma atmosfera que misturava peso, fantasia e uma sensação de fascínio e perigo.
O disco seguinte, “Paranoid”, também lançado em 1970, consolidou a banda como uma das forças mais importantes do rock. Faixas como “War Pigs”, “Iron Man” e a própria “Paranoid” se tornaram clássicos e ajudaram a definir uma nova vertente musical que influenciaria bandas de rock por décadas.
A reinvenção de Ozzy em carreira solo
Ao fim da década de 1970, o abuso de álcool e drogas comprometeu sua permanência no Black Sabbath. Demitido em 1979, Ozzy parecia ter chegado ao fim de sua trajetória. O que veio depois, porém, transformaria sua carreira em uma das maiores histórias de reinvenção do rock.
O álbum “Blizzard of Ozz”, lançado em 1980, apresentou um Ozzy renovado ao lado do guitarrista Randy Rhoads e revelou músicas que se tornaram essenciais para o rock, como “Crazy Train” e “Mr. Crowley”. O trabalho também ajudou a estabelecer uma nova abordagem para o heavy metal, unindo virtuosismo instrumental e melodias mais acessíveis.
A influência de Randy Rhoads no som de Ozzy foi enorme, mas o vocalista também mostrou sua capacidade de se reinventar ao longo dos anos com diferentes músicos na sua banda de apoio –- sendo o mais recorrente o guitarrista Zakk Wylde. Discos como “No More Tears” (1991) e “Ozzmosis” (1995) mantiveram sua relevância em um cenário musical que passava por grandes mudanças.
O Príncipe das Trevas virou um fenômeno cultural
Ozzy Osbourne nunca foi apenas um vocalista. Ao longo da carreira, construiu uma persona que misturava terror, humor e exagero, tornando-se um dos personagens mais marcantes da história do rock.
Mas sua participação no reality show “The Osbournes”, exibido entre 2002 e 2005 pela MTV, apresentou o lado familiar e bem-humorado de Ozzy, ampliando seu alcance para além do público tradicional do metal. O programa, estrelado ao lado de Sharon, dos filhos Kelly e Jack e seus pets, aproximou Ozzy de um público que pouco conhecia sua trajetória no Black Sabbath e consolidou sua imagem como um ícone da cultura pop para além da música.
O legado do Ozzfest e a conexão com novas gerações
Criado por Sharon Osbourne em 1996 – depois que ela tentou incluir Ozzy no circuito do festival Lollapalooza e recebeu uma negativa – o Ozzfest se tornou um dos principais eventos do heavy metal nos Estados Unidos e ajudou a consolidar bandas que marcaram as gerações seguintes, incluindo nomes como Slipknot, System of a Down e Korn.
O Ozzfest representou uma ponte entre o metal clássico e a nova cena que surgia nos anos 1990 e 2000. Com isso, Ozzy passou de fundador de um movimento a padrinho de novas gerações do gênero. Além da música, ele continuou explorando sua imagem na televisão com projetos como “Ozzy & Jack’s World Detour” e “The Osbournes Want to Believe”.
A reconciliação com velhos amigos
Ozzy voltou a se reunir com o Black Sabbath em diferentes momentos da carreira. Entre 1997 e 2005, participou novamente das atividades do grupo e, em 2012, retornou novamente para gravar o álbum “13”, lançado no ano seguinte.
O disco marcou uma nova fase da formação original (sem Bill Ward, afastado por problemas de saúde) antes da turnê de despedida, encerrada em 2017. Mesmo após décadas de carreira solo, a ligação entre Ozzy e o Black Sabbath permaneceu como um dos capítulos mais importantes da história do rock.
Um último capítulo digno de uma lenda
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Em seus últimos anos, Ozzy enfrentou diversos problemas de saúde, mas continuou ligado à música. Em 5 de julho de 2025, ele participou do show “Back to the Beginning”, em Birmingham, evento que marcou sua despedida dos palcos ao lado dos integrantes originais do Black Sabbath. Apenas dezessete dias depois, Ozzy Osbourne morreu.
O retorno à cidade onde tudo começou teve um significado simbólico: após décadas transformando o rock mundial, Ozzy voltou para casa como uma das figuras mais importantes da história do gênero.
Um ano após sua morte, o legado do Príncipe das Trevas permanece vivo não apenas nas músicas que criou, mas na forma como ajudou a moldar a identidade do heavy metal. Poucos artistas mudaram tanto a história do rock quanto Ozzy Osbourne.
Ouça Ozzy Osbourne
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