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Sold out, quarta edição do C6 Fest comprova o valor de uma boa curadoria

Festival atraiu 30 mil pessoas ao longo de quatro dias com ingressos esgotados

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Com um show de encerramento espetacular de Robert Plant, o C6 Fest se despediu de São Paulo no domingo (24) depois de quatro dias de programação em que a música ocupou o lugar mais importante, muito antes de ativações, brindes e experiências. Com público total de 30 mil pessoas, o festival se firmou como uma curadoria madura e com poucas distrações fora dos palcos.

Quando surgiu, em 2023, o C6 Fest já dava sinais de que poderia suprir a lacuna deixada pelo festival que formou a base de seu DNA, o Free Jazz Festival (que depois viraria Tim Festival). Criado pela mesma produtora do Free Jazz, a Dueto Produções, com alguns dos mesmos curadores, como Hermano Vianna e Ronaldo Lemos, o C6 Fest foi pensado para entregar um mix de novidades e lendas da música, tudo regido sob o manto da sofisticação.

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Robert Plant no C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)

Já integrado ao calendário anual de festivais brasileiros, o C6 Fest amadureceu sua curadoria mirando na força de um conjunto de nomes fortes em seus nichos, sem a necessidade de headliners gigantescos – exceto por Robert Plant e o trio The XX, artistas que certamente puxaram as vendas de ingressos.

Pela primeira vez em sua curta existência, o festival teve ingressos esgotados e conseguiu manter seus dois maiores palcos – a Tenda Metlife e a Arena Heineken – lotados desde cedo. Quinta (22) e sexta (23), os dias focados em jazz, também foram concorridos, com atrações de altíssimo nível, como o Branford Marsalis Quartet, a Hermeto Pascoal Big Band (com seus 21 integrantes) e a banda americana Knower, que fez uma mistura deliciosa de pop, free jazz, funk e música eletrônica.

The xx no C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)
The xx no C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)

Sábado (23) e domingo (24), os dias mais voltados para música eletrônica, indie rock e pop, foram recheados de atrações fora do óbvio: dos brasileiros Nação Zumbi, Mano Brown, BaianaSystem e Samuel de Saboia a atrações com timing acertado, como o americano Cameron Winter (vocalista de uma das bandas mais comentadas de 2025, a Geese), o inglês Benjamin Clementine, a ganesa-americana Amaarae, a francesa Oklou e o duo eletrônico Magdalena Bay.

Mano Brown no C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)
Mano Brown no C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)

O que saltou aos ouvidos do público foi a consistência de um line-up que talvez fosse desconhecido para muitos, mas que já havia conquistado a confiança da público, que embarcou na escalação.

Magdalena Bay no C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)
Magdalena Bay no C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)

Também vimos nomes consagrados no domingo, como Beirut, que fez um show belíssimo, com direito a uma versão de “Leãozinho”, de Caetano Veloso, e a sueca Lykke Li, que não deixou faltar o hino “Follow Rivers” e ainda acrescentou uma cover de “Sozinho” (Peninha) num bom português. No sábado, o line-up da Tenda Metlife fez com que boa parte do público, mais ávido por novidades, não arredasse o pé dali, com uma sequência de música refinada: começando com a banda americana Horsegirl, o inglês Baxter Dury (com seu indie dançante), o furacão Wolf Alice e a melancolia lírica de Matt Berninger, vocalista do The National.

Wolf Alice no C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)
Wolf Alice no C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)

Gigantes: The XX e Robert Plant

O palco Heineken concentrou dois grandes shows de encerramento. No sábado, o trio britânico The XX superlotou a parte externa do Auditório Ibirapuera, com sua melancolia indie temperada por beats dançantes. Os fãs, com o repertório afiado, cantaram junto, em faixas como “Angels”, “Say Something Loving”, e “Loud Places”, de Jamie XX – quase mais alto do que o sistema de som do palco, que em vários momentos deixou a desejar em volume e equalização, ponto a ser revisto para 2027.

Romy Madley Croft do The xx C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)
Romy Madley Croft do The xx C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)

Outro momento que entrou para a história do festival, e de muitos fãs de música, foi o show de Robert Plant com seu projeto Saving Grace. Ao lado da cantora Suzi Dian, que também tocou acordeon e baixo, Plant fez um dos melhores shows vistos por aqui nos últimos anos. Quem conhece o gosto do eterno vocalista do Led Zeppelin por música étnica e por rock’n’roll cru e potente já estava preparado para uma sequência poderosa, mas a entrega foi além. Ele trouxe releituras de clássicos do Led, como “Ramble On”, “Rock’n’Roll” e “Black Dog”, devidamente repaginadas em versões folk, cantou covers de Neil Young e Moby Grape e, humildemente, se apresentou: “Me chamo Robert e sou da Inglaterra”. Destaque para sua parceira de palco: Suzi Dian lembrava uma Stevie Nicks, sem se acovardar diante dos duelos vocais, totalmente entrosada com Plant.

C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)
Baxter Dury C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)

Para quem manteve uma reserva de energia, o Pacubra serviu no sábado e no domingo como uma válvula de escape para gastar a onda antes de voltar para casa, com programação cuidadosa de DJs que incluiu Jude Paulla, Aline Rocha e Nyack b2b com Pathy de Jesus.

Público do C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)
Público do C6 Fest 2026 (Tatiane Silvestroni)

Chegando aos detalhes da produção que funcionaram: ponto positivo para o piso plástico colocado em quase toda a extensão dos palcos externos no sábado, o que salvou o festival de se tornar um campo de lama depois da chuva forte, que só deu trégua mais para o fim da noite. Pontos a serem repensados: o som baixo (especialmente no palco Heineken) e um reforço no número de caixas volantes. Pontos para não mexer: a cenografia discreta e padronizada dos restaurantes, bares e das poucas ativações de marcas. Quando o prato principal é a música, todo o resto vira firula desnecessária.