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Matheus Torres lança álbum de estreia pela Universal Music; ouça

Veja o faixa a faixa do disco "Tanta Pressa"

Matheus Torres (Matheus L Herbele)

Matheus Torres (Matheus L Herbele)

O cantor e compositor Matheus Torres lança seu álbum de estreia, “Tanta Pressa”, pela gravadora Universal Music. O mineiro, que ganhou projeção nacional ao participar do reality show “Estrela da Casa”, da TV Globo, apresenta nove faixas autorais centradas em temas existenciais e afetivos. O trabalho marca uma nova fase na carreira do artista, que busca consolidar sua identidade emocional através de composições que exploram sentimentos de deslocamento e pertencimento.

Identidade e conceito

O repertório do disco equilibra reflexões sobre o mundo exterior e mergulhos na intimidade do artista. Segundo Matheus Torres, as letras abordam desde frustrações e perdas até as idealizações comuns da vida adulta. O álbum dá continuidade à discografia iniciada de forma independente com o EP “Pode Ser”, de 2023. No ano seguinte, o músico já havia apresentado o EP “Cadê Você”, seu primeiro projeto sob o selo da multinacional.

Estrutura musical

A sonoridade de “Tanta Pressa” é dividida em duas atmosferas complementares que guiam o ouvinte pela narrativa. A primeira metade do álbum foca em uma linguagem pop direta e acessível. Já a parte final assume um tom mais cru e denso, revelando canções guardadas há quase uma década. Essa transição permite que o público conheça registros de diferentes fases da trajetória criativa do compositor.

Processo de produção

A produção do disco começou de forma caseira em meados do ano passado, com o artista desenvolvendo as bases em casa. As gravações oficiais ocorreram no Estúdio NAVE 33, no Rio de Janeiro, sob a assinatura de Juliano Cortuah e do próprio músico. A engenharia de som contou ainda com a masterização de Felipe Tichauer, profissional do Red Traxx Mastering, sediado em Miami.

Narrativa visual

Para a capa e os materiais visuais, o artista utilizou projeções e sobreposições para criar uma estética imersiva. A principal influência citada para o projeto foi o especial “Inside”, do comediante Bo Burnham, devido ao seu caráter intimista. O objetivo da identidade visual é colocar o espectador dentro da mente do cantor, traduzindo visualmente as camadas emocionais presentes em cada composição.

Faixa a faixa por Matheus Torres

“Tanta Pressa”

“Tanta Pressa” é uma música que traz uma energia mais elevada, para cima, mas que parte de uma inquietação existencial. Ela fala sobre a busca por um lugar no mundo, sobre a tentativa de pertencer e de seguir em frente mesmo diante dos obstáculos e das dificuldades que surgem no caminho. Sonoramente, tem uma atmosfera indie pop.

“Não É o Fim”

“Não É o Fim” mergulha em uma temática mais afetiva e relacional. Fala sobre o encerramento de uma relação, mas a partir da perspectiva de alguém que ainda se agarra à possibilidade de continuidade. A sonoridade está mais próxima do indie rock, com andamento um pouco mais lento, clima melancólico e bastante potência emocional.

“Sonho de Papel”

“Sonho de Papel”, a faixa foco do álbum, fala sobre expectativa, projeção e fantasia — sobre a maneira como, muitas vezes, construímos nas outras pessoas uma imagem idealizada daquilo que queremos encontrar. A faixa aborda isso de maneira delicada, romântica e quase lúdica. É uma música construída apenas em voz e violão, e justamente por essa simplicidade ganha uma força muito especial.

“Pra Fazer Saber”

“Pra Fazer Saber” também parte de uma temática relacional, mas com uma energia mais alta e pulsante. A batida conversa com “Tanta Pressa” e carrega uma força rítmica que sustenta bem essa tensão emocional. Ao mesmo tempo, é uma música atravessada por vulnerabilidade: há um olhar, a partir de uma certa distância no tempo, para o fim de um relacionamento e para tudo aquilo que fica reverberando depois dele. Fala sobre insegurança, fragilidade e luto afetivo.

“Se Você Soubesse”

“Se Você Soubesse” é uma música muito delicada, com uma atmosfera leve, quase de canção de ninar. Fala sobre alguém que faz bem, que ilumina até os dias mais difíceis. Embora possa ser entendida dentro de um campo romântico, a força da música está justamente em poder atravessar diferentes formas de afeto. Pode falar de um amor romântico, mas também de um filho, de uma criança, de um cachorro, de um familiar ou de qualquer presença que traga aconchego, luz e sentido.

“Ponteiros”

“Ponteiros” é talvez a faixa que mais me representa como pessoa — nos meus conflitos, nas minhas inquietações e nas perguntas que me acompanham desde sempre. A música parte de uma questão muito simples, quase infantil, mas que carrega uma profundidade enorme: “mamãe, se eu arrancasse os ponteiros, o tempo pararia?”. É o tipo de pergunta que uma criança poderia fazer, mas que, de algum modo, continua ecoando na vida adulta.

“Amantes”

“Amantes” é a única música do disco que eu não assino como autor. Foi escrita por um grande amigo, Maurílio, e desde a primeira vez que ouvi, senti que me representava de alguma maneira. Sonoramente, é uma faixa que leva o disco para um território mais setentista, com uma atmosfera mais rock and roll e uma instrumentação que reforça esse caráter: guitarras, órgãos, pianos elétricos, Wurlitzer, Fender Rhodes. Em termos de tema, toca em algo muito humano: as durezas da vida, as marcas que ela vai deixando e a forma como isso atravessa o cotidiano.

“Saudade”

“Saudade” é uma música profundamente ligada a Minas Gerais. Ela nasceu de um momento em que eu estava muito tomado por esse sentimento. A música passa por memórias muito concretas e afetivas: os corredores dos colégios da infância, o cheiro dos fins de tarde de verão em Minas, a casa da minha bisavó cheia de netos e bisnetos nas férias. E também fala de algo que vai além da lembrança objetiva. Porque, muitas vezes, a saudade não está apenas em algo que existiu de fato, mas também em instantes que continuam vivos dentro da nossa cabeça.

“A Mil”

“A Mil” encerra o disco e ocupa um lugar muito importante dentro da narrativa da obra. Eu queria muito que o álbum terminasse num ponto mais cru, mais despido, e por isso ela aparece como uma gravação caseira, registrada no celular e tratada apenas o suficiente para manter a coerência com o restante do disco. De certa forma, “A Mil” funciona como um espelho invertido de “Tanta Pressa”, que abre o álbum. Se “Tanta Pressa” nasce de um lugar de movimento, impulso e enfrentamento das adversidades, “A Mil” trata sobre essas mesmas dificuldades a partir de um estado de esgotamento, vulnerabilidade e queda.