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Madonna ganhará um Grammy (ou três) por ‘Confessions II’?

Como os votantes do Grammy lentamente passaram a abraçar a Rainha do Pop

Madonna (créditos Rafael Pavarotti)

Madonna (créditos Rafael Pavarotti)

A forte resposta inicial a “Confessions II”, de Madonna, faz parecer provável que o projeto possa vencer na categoria de Melhor Álbum de Dance/Eletrônica na 69ª edição anual do Grammy Awards em 7 de fevereiro — 20 anos após “Confessions on a Dance Floor” sair vitorioso com a mesma honraria em 2006. Isso tornaria Madonna a primeira mulher na história a vencer duas vezes nessa categoria (que foi introduzida em 2005) e daria a ela o maior intervalo de tempo entre vitórias na categoria (um título atualmente mantido pelo The Chemical Brothers, cujas vitórias abrangem 14 anos).

“Confessions II” tem uma sólida nota 83 no Metacritic, site agregador de críticas, sendo a segunda maior avaliação entre qualquer um dos 10 álbuns de Madonna lançados pós-2000 e listados na plataforma. (O único com uma nota mais alta é a coletânea “Celebration”, de 2009.)

Kate Bain, da Billboard, escreveu sobre o álbum no dia de seu lançamento, na sexta-feira (3): “No geral, ‘Confessions II’ é impressionante, funcionando como uma abordagem moderna da música de pista que simultaneamente evoca eras anteriores do gênero sem nunca cair no pastiche.” Em um ranking posterior da Billboard com todas as faixas do álbum, Bain e Joe Lynch, que se identificam como “dois acólitos de longa data da Rainha do Pop”, escreveram: “Madonna oscila confortavelmente entre a insegurança e a onipotência, a franqueza e o exagero caricato, a fortificação espiritual e a liberação libidinosa em seu lançamento mais convincente desde, bem, ‘Confessions on a Dance Floor’.”

Madonna também poderia ganhar Grammys por faixas individuais do álbum. A Warner Records está planejando provisoriamente submeter “I Feel So Free” para Melhor Gravação de Dance/Eletrônica e “Danceteria” ou “Bring Your Love” (com participação de Sabrina Carpenter) para Melhor Gravação de Pop Dance. Este último sucesso pode ser enviado para Performance de Pop em Dupla/Grupo. Se for aceito lá, não poderá competir também como Melhor Gravação de Pop Dance.

O projeto também competirá nas categorias de Álbum, Gravação e Música do Ano; Melhor Filme Musical por “Confessions II: The Film”; e Melhor Videoclipe por “Bring Your Love”.

Se Madonna vencer em todas as três categorias de dance, será a segunda vez que ela ganha três Grammys em uma única noite (depois de 1999) e levará a contagem total de Grammys de sua carreira para os dois dígitos. Até o momento, Madonna ganhou sete Grammys, um total saudável, mas que pode ser menor do que o esperado para uma artista de sua estatura e longevidade. Os votantes do Grammy demoraram para se encantar por Madonna.

Madonna nem sequer foi indicada para Artista Revelação em 1984 ou 1985. Ela não foi indicada em nenhuma das categorias frequentemente chamadas de “Big Four” (As Quatro Grandes) — Álbum, Gravação ou Música do Ano, além de Artista Revelação — até 1999, quando “Ray of Light” concorreu a Álbum do Ano e sua faixa-título disputou Gravação do Ano. Ela foi indicada para Gravação do Ano novamente dois anos depois por “Music” — sua única outra indicação em uma categoria do Big Four até hoje.

Isso reflete a visão inicial da indústria — que claramente se provou errada — de que Madonna poderia ser apenas um sucesso passageiro. Madonna não foi convidada para fazer parte da sessão de gravação repleta de estrelas de “We Are the World” em 28 de janeiro de 1985, embora tivesse conquistado seu primeiro hit no Top 10 do Billboard Hot 100 — “Borderline” — mais de sete meses antes. Madonna, não pela primeira ou última vez, riu por último: sua música “Crazy for You” desbancou “We Are the World”, do USA for Africa, do primeiro lugar do Hot 100 em maio de 1985.

Madonna teve mais obstáculos no caminho até a aceitação final por parte dos votantes do Grammy. Singles históricos como “Like a Prayer” (1989) e “Vogue” (1990) não foram indicados ao Grammy em nenhuma categoria, nem mesmo em Melhor Performance Vocal Pop Feminina. Madonna nunca foi indicada para Música do Ano, embora tenha escrito ou coescrito 32 de seus 38 hits no Top 10 do Hot 100.

Madonna também ainda não ganhou um Grammy em uma categoria de performance vocal. Os votantes do Grammy há muito tempo são atraídos por cantores com grandes potências vocais nas categorias de performance — pense em Whitney Houston e Celine Dion. A própria Madonna já disse que não se encaixa nesse molde. “Eu sei que não sou a maior cantora ou dançarina, mas isso não me interessa”, disse ela uma vez. “Estou interessada em ser provocativa e instigar as pessoas.”

Madonna não é a única superestrela pop cuja contagem de Grammys é menor do que se imagina. Janet Jackson, por exemplo, ganhou apenas cinco Grammys e teve apenas uma indicação (como artista principal) em uma categoria do Big Four — Álbum do Ano por “Control”. (Seu álbum seguinte, “Janet Jackson’s Rhythm Nation 1814”, não foi indicado nessa categoria, embora tenha sido eleito para o Hall da Fama do Grammy este ano.)

Vários fatores desempenharam um papel nisso: o Grammy não adicionou categorias de “álbum por gênero” (como Melhor Álbum de Pop Vocal) até 1995. O Grammy também eliminou a categoria de Melhor Gravação de Disco após apresentá-la apenas uma vez, em 1980, e não voltou a incluir uma categoria especificamente dedicada à dance music até 2005.

O foco da Academia nos últimos anos em expandir e diversificar seus membros, com o objetivo de adicionar mais integrantes jovens, mulheres e não brancos, veio tarde demais para beneficiar Madonna e Jackson no auge de suas carreiras. Artistas como KATSEYE, Addison Rae e Tate McRae foram indicadas nos últimos anos. A Academia dos anos 1980 provavelmente as teria ignorado.

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Madonna ganhou três de seus sete Grammys até hoje nas categorias de filme e vídeo. Ela ganhou o prêmio de Melhor Filme Musical duas vezes: por “Blonde Ambition – World Tour” em 1992 (sua primeira vitória no Grammy em qualquer categoria) e por “The Confessions Tour” em 2008. Ela ganhou o prêmio de Melhor Videoclipe uma vez, por “Ray of Light” em 1999 — que também é o seu único vídeo até hoje a levar para casa o prêmio de Vídeo do Ano no MTV Video Music Awards.

Dois de seus outros Grammys até o momento foram em categorias de dance — Melhor Gravação de Dance por “Ray of Light” em 1999 e Melhor Álbum de Dance/Eletrônica por “Confessions on a Dance Floor”. Suas outras duas vitórias no Grammy até hoje foram de Melhor Álbum de Pop Vocal, por “Ray of Light” em 1999, e Melhor Canção Escrita para Mídia Visual, por “Beautiful Stranger”, do filme “Austin Powers: O Agente ‘Bond’ Cama” em 2000.

Se “Confessions II” vencer como Melhor Álbum de Dance/Eletrônica, esta será a quarta vez nos últimos cinco anos que uma mulher vence nessa categoria. Beyoncé venceu em 2023 com “Renaissance”, seguida por Charli xcx em 2025 com “Brat” e FKA Twigs em 2026 com “Eusexua”.

Stuart Price, que coproduziu todas as faixas de “Confessions II” com Madonna, também ganharia se o álbum levasse o prêmio de Melhor Álbum de Dance/Eletrônica, assim como aconteceu em “Confessions on a Dance Floor”. (Ele também seria covencedor nas outras duas categorias de dance).

Madonna tem um histórico misto no recebimento de grandes honrarias institucionais — embora, aos 67 anos, ainda haja tempo. Pelo lado positivo, ela foi incluída no Rock & Roll Hall of Fame em 2008, no primeiro ano em que esteve elegível. Seu álbum “Like a Virgin” também foi escolhido para o Registro Nacional de Gravações, administrado pela Biblioteca do Congresso, em 2023.

Por outro lado, ela ainda não foi incluída no Songwriters Hall of Fame (Hall da Fama dos Compositores) ou recebeu o Prêmio Gershwin de Canção Popular, que também é administrado pela Biblioteca do Congresso. E nenhuma de suas gravações foi incluída no Hall da Fama do Grammy até o momento, embora as mais antigas estejam elegíveis desde 2008.

Mas o Grammy está claramente ciente do poder de sua estrela. Madonna foi escolhida para abrir a transmissão do Grammy três vezes — o mesmo número de vezes que qualquer artista desde a primeira transmissão ao vivo em 1971. Ela abriu o show em 1999 com “Nothing Really Matters”, de “Ray of Light”; em 2001 com “Music”, junto com Lil Bow Wow; e em 2006 com uma mistura de seu hit “Hung Up” com “Feel Good Inc.”, do Gorillaz, performance na qual os dois atos receberam a companhia do De La Soul.

Os únicos outros artistas a abrirem a transmissão três vezes são Whitney Houston, Paul Simon (contando a abertura de Simon & Garfunkel) e U2 (contando uma participação especial em uma abertura de Kendrick Lamar). Todos esses três artistas são considerados realeza legítima do Grammy. Simon e o U2 ganharam múltiplos Grammys tanto para Gravação quanto para Álbum do Ano. Houston também venceu nessas duas categorias de destaque, embora apenas uma vez em seu caso.

Ouça ‘Confessions II’, da Madonna

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].