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‘Confessions on a Dance Floor’, de Madonna: as 12 faixas avaliadas

Veja o retrospecto da odisseia dance de Madonna em 2005

Madonna

Madonna (Rafael Pavarotti)

Lançado em 9 de novembro de 2005, “Confessions on a Dance Floor” mostrava uma Madonna pronta para a festa.

“Quando escrevi ‘American Life’”, disse a cantora, referindo-se ao seu álbum anterior em uma entrevista de 2005 à MTV, “eu estava muito agitada com o que acontecia no mundo ao meu redor. Eu estava com raiva. Tinha muita coisa para desabafar. Fiz muitas declarações políticas. Mas agora, sinto que só quero me divertir; quero dançar; quero me sentir leve e animada. E quero proporcionar a mesma sensação às outras pessoas. Há muita loucura no mundo ao nosso redor, e quero que as pessoas sejam felizes”.

Vinte e um anos depois, esse sentimento continua atual. Com tanta loucura ao nosso redor, Madonna está prestes a lançar “Confessions II”, uma sequência da obra-prima de 2005 que trouxe sucessos como “Hung Up” e “Sorry”, ao mesmo tempo em que resgatou o cabelo repicado e os collants para o espírito da época.

“Confessions on a Dance Floor” passou uma semana no topo da Billboard 200 e 13 semanas em primeiro lugar na parada Top Dance Albums, conquistando o Grammy de Melhor Álbum de Dance/Eletrônica em 2007. O álbum acumula agora 1,9 bilhão de reproduções oficiais sob demanda globalmente e 315,1 milhões nos EUA, segundo a Luminate.

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Esses números refletem o fato de que o álbum foi um clássico instantâneo, unindo as influências da cultura de clubes presentes nos trabalhos anteriores de Madonna em uma dúzia de faixas centradas na disco music e no dance-popgêneros relacionados, porém distintos, da acid house explorada em seu álbum essencial de 1998, “Ray of Light”.

Criadas em parceria com o produtor Stuart Price (com quem Madonna também trabalha em “Confessions II”), essas produções inventivas foram elevadas por letras que equilibravam desafio e vulnerabilidade; no geral, “Confessions on a Dance Floor” transmitia uma sabedoria conquistada com vivência, embalada por uma música que continua tão divertida hoje quanto Madonna planejou que fosse na época.

Antes do lançamento de “Confessions II” nesta sexta-feira, 3 de julho, apresentamos um ranking de todas as faixas de seu antecessor, “Confessions on a Dance Floor”.

Madonna
Madonna (Divulgação)

12. “Isaac”

Fazendo referência ao estudo da Cabala que Madonna iniciou no final dos anos 90 e ao longo da primeira metade dos anos 2000, “Isaac” começa com o cantor israelense de origem iemenita Yitzhak Sinwani entoando um cântico hebraico tradicional. Essa aura mística combina bem com a música, rica em arranjos de cordas; embora a faixa não pareça ter muita ligação com o restante do álbum — que é mais voltado para a sonoridade disco —, ela flui de maneira agradável e dinâmica.

11. “Like It or Not”

A faixa de encerramento de “Confessions” situa o álbum em um terreno mais suave e menos voltado explicitamente para as pistas de dança do que as 11 faixas anteriores, de energia mais elevada. No entanto, os temas de desafio que permeiam o disco encontram aqui sua conclusão, com Madonna cantando “É assim que eu sou / Você pode gostar ou não / Pode me amar / Ou me deixar / Porque eu nunca vou parar”, acompanhada por um violão delicado e uma produção eletrônica de sonoridade vibrante e contida, que une os diferentes elementos eletrônicos presentes ao longo do álbum.

10. “Push”

Funky, embora um tanto carregada, “Push” é a penúltima faixa de “Confessions”; nela, Madonna expressa sua gratidão à pessoa que a impulsionou a alcançar suas conquistas. A música soa um pouco saturada, incorporando muita percussão manual, sons de sininhos cintilantes, ondas de sintetizador e uma melodia quase infantil que, em certos momentos, remete a “Genius Of Love”, do Tom Tom Club.

9. “How High”

“É engraçado / Passei a vida inteira / Querendo que falassem de mim / Fiz de tudo / Praticamente tudo / Para ver meu nome em luzes”, relembra Madonna em “How High”, uma reflexão com toques de disco music na qual ela se pergunta: “Isso vai importar quando eu partir?”. Dada a autoconfiança extrema que marcou sua carreira, é interessante ouvir uma Madonna vulnerável enquanto ela parece questionar seu legado — com a produção vigorosa e centrada na percussão contrastando fortemente com a vulnerabilidade da letra, ao mesmo tempo em que sua urgência também amplifica a mensagem da canção.

8. “Jump”

Gravada na memória de uma geração como a música de abertura de “O Diabo Veste Prada”, “Jump” evoca, consequentemente, imagens de Anne Hathaway escovando os dentes diante de um espelho de banheiro embaçado pelo vapor. No entanto, quando desvinculada do filme, “Jump” revela-se uma faixa de música eletrônica elegante e vigorosa, que remete à era “Bedtime Stories” — o álbum de Madonna lançado nos anos 90 — e transmite todas as lições de resiliência e coragem que ela assimilou desde então.

7. “Forbidden Love”

A segunda música com esse título no catálogo de Madonna — sucedendo a parceria com Babyface lançada em 1994 no álbum “Bedtime Stories” —, esta “Forbidden Love” transborda sintetizadores típicos dos anos 80 e uma produção ao estilo de Giorgio Moroder. Ela é tão influenciada pela música eletrônica da época em que Madonna despontava para a fama que soa como se tivesse sido realmente lançada naquela década. Com uma natureza experimental semelhante à de “Future Lovers”, a faixa evolui para uma produção pulsante e envolvente, pontuada por detalhes sonoros cintilantes, evocando a sensação de assistir ao nascer do sol após uma longa noite de festa.

6. “Let It Will Be”

Madonna adota um tom contemplativo na metade do álbum, refletindo sobre o próprio sucesso ao cantar “agora posso lhe falar sobre sucesso, sobre fama”, enquanto um sample de seção de cordas cria uma atmosfera de urgência que contrasta com a mensagem de “apenas deixe acontecer” (just let it be). Como uma espécie de “prima” de “Hung Up” — porém com uma sonoridade mais introspectiva —, a música muda de rumo, aventurando-se pelo território do synth-pop ao estilo Pet Shop Boys e, assim, fazendo referência a outra vertente e era da música dance que inspiraram o álbum “Confessions”.

5. “I Love New York”

Combinando música eletrônica, batidas de bateria potentes e toques de guitarra com power chords, “I Love New York” presta homenagem à cidade onde Madonna se tornou uma estrela, fundindo a aspereza, o estilo e a garra de Nova York em quatro minutos e meio de execução precisa. Embora a letra nem sempre funcione perfeitamente (“Não gosto de cidades, mas gosto de Nova York / Outros lugares me fazem sentir uma boba”), a produção robusta — tão ousada e confiante quanto os próprios nova-iorquinos — compensa isso com folga.

4. “Sorry”

“Sorry” começa exatamente onde “Hung Up” termina, com Madonna e Price entregando mais um hino de disco-pop vibrante e de estrutura impecável, feito para agitar a pista. Sustentada por uma batida de bumbo insistente, a faixa traz Madonna pedindo desculpas em francês, italiano, espanhol, japonês, hebraico, hindi, polonês e holandês, antes de soltar uma letra desafiadora — marca registrada sua — no bom e velho inglês, ordenando: “Não tente se explicar, porque palavras não custam nada / há coisas mais importantes do que ouvir você falar”. Se você prestar atenção por baixo dos vocais, ouvirá a linha de baixo imponente e fluida que serve como a espinha dorsal da música. No fim das contas, não há nada pelo que pedir desculpas aqui.

3. “Get Together”

A segunda faixa de “Confessions” faz a transição do álbum, saindo da sonoridade disco-pop precisa de “Hung Up” para a atmosfera mais envolvente e dominada por sintetizadores de “Get Together”, uma faixa de electro-pop mais contemplativa.

Fazendo referência ao hino disco-funk de 1980 da The S.O.S. Band, “Take Your Time (Do It Right)” — com Madonna cantando “Baby we can do it/ Take your time/ Do it right” —, a música traz todo o calor e a sensualidade da euforia do êxtase, ganhando riqueza sonora e intensidade à medida que Madonna declara: “Você acredita em amor à primeira vista? / É uma ilusão / Eu não me importo”. É uma vibe com a qual qualquer pessoa que já tenha se apaixonado na pista de dança — nem que fosse apenas por uma noite — provavelmente consegue se identificar.

2. “Future Lovers”

A quarta faixa de “Confessions” começa com uma declaração sedutora: “Vou falar com você sobre o amor”, afirma Madonna. “Vamos esquecer sua vida / Esquecer seus problemas / Burocracia, contas e fardos / Venha comigo.” Então, à medida que a batida cresce, ela faz um convite: “Na demonstração desta evidência / Alguns chamaram de religião / Isso não é coincidência / Você gostaria de experimentar?”

A religião em questão aqui é a da pista de dança, um conceito que pode soar clichê — até que você o vivencie pessoalmente. O trunfo de “Future Lovers” é que a faixa não apenas faz referência a esse poder espiritual, mas funciona como um portal para vivenciá-lo; a produção insistente, combinada a vocais com camadas crescentes e ondas de sintetizadores, cria um estado de hipnose, êxtase e, por fim, pura felicidade.

Um sample de “I Feel Love”, de Donna Summer (eleita pela Billboard, no ano passado, a música dance número 1 de todos os tempos), ajuda a faixa a alcançar esse estado elevado, assim como as sutis referências a “Tomorrow Never Knows”, a ode dos Beatles à consciência pura. Embora “Future Lovers” fuja um pouco do padrão convencional do dance-pop, ela funciona efetivamente como a tese central de “Confessions” sobre a razão pela qual a pista de dança é tão importante para tantas pessoas.

1. “Hung Up”

Obviamente! Lançada em outubro de 2005, “Hung Up” é o primeiro single e a faixa de abertura do álbum, além de seu pilar estético e espiritual. Construída em torno de um sample de teclado da música “Gimme Gimme Gimme (A Man After Midnight)”, do ABBA (de 1979), a canção reintroduziu os titãs suecos da disco music aos universos da dance music e do pop, muito antes de tocar ABBA em sets se tornar uma tendência na cena eletrônica. A produção de Price une essa base disco a uma batida que parece vir debaixo d’água e a uma linha de baixo vigorosa e potente, que desempenha um papel fundamental ao elevar a música ao status de hino das pistas de dança.

O videoclipe, por sua vez, apresentou o visual característico de Madonna para a era “Confessions”; seu cabelo loiro repicado e o collant rosa (usado com salto alto!) não apenas se tornaram a marca registrada do álbum, mas também uma contribuição importante para suas constantes reinvenções de estilo.

No entanto, embora o visual fosse inédito, parte do material não o era: Madonna fez uma referência a si mesma ao aproveitar os versos “Time goes by so slowly for those who wait / And those who run / Seem to have all the fun” (“O tempo passa tão devagar para aqueles que esperam / E aqueles que correm / Parecem se divertir mais”) da música “Love Song” (sua parceria com Prince no álbum “Like a Prayer”, de 1989) e transformá-los no eixo filosófico de “Hung Up”. Aqui, contudo, a ideia ganha um caráter de urgência graças a um BPM muito mais acelerado e ao som de tique-taque de relógio que abre a faixa — um sinal de que o tempo não espera por ninguém e de que, com “Hung Up”, havia chegado novamente a hora de Madonna.

Ouça Madonna

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].