‘Lost Weekend’, de Phoebe Bridgers: veja o ranking das 16 faixas
Artista de indie rock retorna com seu primeiro álbum solo em seis anos

Phoebe Bridgers (Grosby Group)
O álbum mais recente de Phoebe Bridgers, “Punisher”, foi lançado em junho de 2020, nos primeiros dias de incerteza da Covid-19. Embora tenha sido composto antes da pandemia, o álbum tornou-se a trilha sonora perfeita para o confinamento: sardônico, reflexivo e inquieto, ele capturou involuntariamente o espírito da época — especialmente com o grito para o vazio na faixa de encerramento, “I Know the End”.
Bridgers não pôde fazer turnê com “Punisher” logo após o lançamento; em vez disso, realizou algumas transmissões ao vivo de seu apartamento, batizando a iniciativa de “World Tour” de 2020.
Com o relaxamento das restrições em 2021, ela compensou amplamente o tempo perdido com a “Reunion Tour”, que começou em setembro de 2021 e terminou em abril de 2023 — bem a tempo de iniciar uma turnê com o boygenius (seu supergrupo com Julien Baker e Lucy Dacus), que se estendeu até 2024, e de participar, em carreira solo, de uma dúzia de shows da “Eras Tour”, de Taylor Swift.
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Em maio deste ano — após uma pausa de quase dois anos, período em que permaneceu longe dos holofotes —, Bridgers reapareceu para seu primeiro show solo em três anos, em uma casa de espetáculos para 400 pessoas em Roswell, Novo México. Ela passou o restante do mês fazendo apresentações surpresa menores e sem o uso de celulares; os repertórios eram compostos majoritariamente por músicas já lançadas, mas incluíam algumas inéditas.
Essa sequência de shows culminou em uma apresentação muito maior: um show no Madison Square Garden, patrocinado pelo Tidal, em 4 de junho. No dia seguinte, Bridgers anunciou uma turnê oficial para o outono; em 24 de junho, ela finalmente revelou aos fãs que um novo álbum estava a caminho.
O álbum “Lost Weekend”, de sonoridade ampla e experimental — lançado nesta sexta-feira (14) pela gravadora Dead Oceans —, foi composto durante um período marcado tanto por perdas quanto pelo amor.
Muita coisa aconteceu com a cantora e compositora de Los Angeles desde 2020: desde o lançamento de seu próprio selo, Saddest Factory Records (que posteriormente se fundiu à Dead Oceans), o retorno aos palcos e o lançamento do álbum de estreia do boygenius, até o término de grande repercussão com o ator Paul Mescal, a morte de seu pai e o início de um novo relacionamento com seu parceiro (e agora colaborador creditado) Bo Burnham.
Com esses acontecimentos pairando ao fundo, Phoebe Bridgers adota um tom mais ousado em “Lost Weekend”. O álbum oscila entre o luto e a euforia, a agitação e o contentamento, com Bridgers cantando como alguém que já amou e perdeu — e que ainda tem algo a perder.
A extensa lista de créditos de produção de “Lost Weekend” inclui Phoebe Bridgers, Tony Berg e Ethan Gruska — ambos colaboradores de “Punisher” e do álbum de estreia de Bridgers, “Stranger in the Alps” — e Jack Antonoff, com produção adicional de Alex G.
Algumas faixas funcionam como transições de caráter ambiental, servindo de interlúdio, enquanto outras foram concebidas para se sustentar por conta própria. Ao longo de 16 faixas ambiciosas, Phoebe Bridgers tem espaço para explorar novos caminhos, o que ela faz incorporando um toque de country e elementos eletrônicos inéditos.
No entanto, embora o álbum possa atrair novos ouvintes, os fãs de longa data de Phoebe Bridgers não precisam se preocupar: as letras intrincadas que criam atmosferas envolventes, a voz delicada e poderosa e o humor ácido continuam presentes.

‘Lost Weekend’, de Phoebe Bridgers: ranking das 16 faixas
16. “Lost Parade”
Com apenas 56 segundos, esta faixa de transição pega o que parece ser uma gravação ao vivo de uma banda marcial improvisando sobre a melodia de “Liberty Tree” e aumenta o volume gradualmente, permitindo ouvir a multidão aplaudindo antes de a música desaparecer. A lista de créditos da faixa inclui o renomado produtor Jon Brion na guitarra elétrica e Nate Walcott no trompete — então, talvez tudo não passe de mágica de estúdio —, mas o efeito de gravação ao vivo continua sendo divertido.
15. “Panorama”
O oposto de “Lost Weekend”, “Panorama” começa de forma experimental antes de chegar à letra de Phoebe Bridgers, composta por um verso que soa como uma estrofe de poesia. Banjo e bandolim se unem a sintetizadores e guitarras para criar uma atmosfera suave que vibra e ganha um tom mais melancólico à medida que a música avança. “Um quarto de hotel com vista panorâmica / Escolhi este número pela vista”, ela canta, estabelecendo um breve cenário para o meio do álbum. Essa música certamente funcionaria bem em um planetário.
14. “Never Going Back!”
Esta faixa com menos de dois minutos começa com Phoebe Bridgers cantando a cappella, repetindo o mantra: “Nunca mais vou voltar atrás / Como era antes não é como é agora”. A música tem um ritmo vigoroso e impulsionador, conduzido por guitarras e bateria, que se alinha à sua mensagem de seguir em frente, enquanto uma mensagem de voz do pai dela, ao final, simboliza uma conexão com o passado sem permitir que ele sufoque o futuro.
13. “Other Plans”
Comparada às outras músicas de “Lost Weekend”, “Other Plans” tem uma lista de créditos enxuta — apenas Bridgers, Antonoff e Gruska — e uma simplicidade musical correspondente, com Bridgers no piano e Gruska nos sintetizadores, criando atmosfera; liricamente, ela é ao mesmo tempo vividamente específica (“Manchei de sangue minha camisa favorita / Você tremia como a última sobrevivente de um filme de terror”) e vaga (“Nosso amor tinha outros planos para nós”).
12. “Kill Me”
Uma das músicas que Bridgers apresentou em seu show no Madison Square Garden, em junho, “Kill Me” começa de forma tranquila, com um violão tocando em uma atmosfera inquietante e nebulosa. “Os tempos estão assustadores”, canta Bridgers com inquietação, antes de um refrão — “Isso vai me matar / Espere” — manter o tom. Embora seja uma música sombria, a parte instrumental pesada que a encerra é divertida, como uma bateção de cabeça em câmera lenta.
Essa faixa também marca sua primeira referência a “Bobby” — presumivelmente Burnham, cujo nome de batismo é Robert (“Bobby, você me ensinou que não sei nada”). E aquela voz que você ouve no final, cantando “tamam shud” (expressão persa que significa “está terminado” e foi popularizada por um misterioso caso de assassinato nos anos 1940)? A autoria é creditada a Son-John Johnson — embora soe muito como Cameron Winter.
11. “The Outside”
Na faixa de abertura do álbum, Bridgers processa sua voz através de um vocoder nos versos (“Crying in a suit and tie / But you should see the other guy” — Chorando de terno e gravata / Mas você deveria ver o outro cara) e dispensa o efeito no refrão (“When I am on the outside, watching / I am on the outside, watching” — Quando estou do lado de fora, observando / Estou do lado de fora, observando).
Os versos — um descrevendo um punho atravessando uma parede de gesso, o outro com um punho erguido no ar com entusiasmo — dialogam entre si; a faixa intimista, conduzida por teclados, prepara o terreno para as oscilações emocionais e sonoras do álbum, mas também se sustenta como uma canção belíssima por si só.
10. “Lost Weekend (Reprise)”
Uma última e comovente homenagem ao pai encerra o álbum. Phoebe Bridgers é creditada especificamente por tocar o “órgão de igreja”, cujas notas sustentadas conferem à música um tom fúnebre, embora sua voz flutue sobre elas, revisitando a melodia de “Lost Weekend”. “He’s not coming back as a bird” (Ele não vai voltar como um pássaro), ela canta, aceitando a ausência dele enquanto reconhece sua presença nas lições que guardou consigo.
9. “Liberty Tree”
Burnham cresceu em Hamilton, Massachusetts, a apenas 15 minutos do Liberty Tree Mall, cenário desta faixa de ritmo acelerado em que Bridgers e Burnham registram um momento em uma cabine de fotos.
“You were made in the image of god / But you look like your mom / In this picture of us / Falling in love that night / After our fight” (Você foi feito à imagem de Deus / Mas parece sua mãe / Nesta foto nossa / Nos apaixonando naquela noite / Depois da nossa briga), ela relembra, detalhando o início do relacionamento.
É um retrato do cotidiano que Bridgers encerra com um tom melancólico e sentimental: “Don’t die, Bobby / Before I die / It feels so good to have you in my life” (Não morra, Bobby / Antes de eu morrer / É tão bom ter você na minha vida).
8. “Lost Weekend”
Os primeiros minutos desta canção (que cita “The Last Great Washington State”, de Damien Jurado, talvez pela melodia) trazem a sonoridade clássica de Bridgers — memórias detalhadas, vocais captados bem de perto e apoiados apenas por notas sustentadas, confissões de amor e rompimento (“I’m supposed to be married, but I called it off” — Eu deveria estar casada, mas cancelei tudo; provavelmente outra referência a Mescal) — enquanto o minuto final explode em intensidade.
Trechos com falhas eletrônicas interrompem o som de cordas em movimento ascendente e descendente, enquanto fragmentos vocais desconexos — extraídos da faixa “Notjustmoreidlechatter”, do compositor Paul Lansky — passam em ritmo acelerado. É uma faixa-título apropriada, que une os estilos antigo e novo de Bridgers à medida que ela leva sua música a territórios inexplorados.
7. “The Governor’s Waltz”
Não se deixe enganar pela melodia cantarolante típica de caixinha de música (e, naturalmente, pelo ritmo de valsa): Phoebe Bridgers não está para brincadeira nesta faixa. “Eu fui a estrela do Baile do Governador”, ela canta — um papel que, pode-se dizer, ela desempenhou em 2021 ao desfilar em tapetes vermelhos com Mescal.
Fãs especularam que um dos versos seria uma alfinetada velada na atual namorada de Mescal (e fã declarada de Bridgers), Gracie Abrams, mas a verdadeira “apunhalada” vem da maneira como ela descreve um relacionamento em crise: “Então, vamos ver quanto tempo conseguimos ficar sem nos falar / Veja-me fingindo dormir / Estou ao seu lado, você está ao lado de nada / Você prometeu que nunca iria embora / Mas talvez você faça isso por mim”.
Os vocais de apoio sublimes de Caroline Shaw conferem à música uma aura fantasmagórica — algo apropriado para o que parece ser um exorcismo musical estranhamente agradável de um relacionamento fracassado.
6. “Haunted”
O virtuoso Chris Thile, do Nickel Creek, aparece com seu bandolim em meia dúzia de músicas de “Lost Weekend” e traz sua banda completa para a colaboração em duas faixas, incluindo esta.
O grupo é uma adição perfeita para “Haunted”, onde Bridgers — fazendo harmonias vocais com suas colegas do boygenius, Dacus e Baker — aposta em uma sonoridade “Americana” animada e com toques de folk, enquanto descobre as vantagens de superar as adversidades e viver para contar a história: “Você não terá que abrir um coração que já está partido”, ela canta. “A água vai fluir de qualquer jeito / Meu coração vai crescer de qualquer jeito”.
É um momento de empoderamento para Bridgers, à medida que ela leva sua composição além das reflexões sobre o passado e volta o olhar para o horizonte.
5. “Still Standing”
Phoebe Bridgers concentra-se em seu relacionamento complicado com o pai, reconhecendo as dificuldades que ele enfrentou (“Só para ser jogado na rua quando se vestia como uma garota”) sem justificar seu comportamento (“Você tentou me fazer sentir medo”) ou esquecer as cenas de violência física de que se lembra da infância (“Eu a encontrei sangrando sobre a pia / Mas, quando você pediu desculpas, estava olhando para mim”).
O zumbido grave de um sintetizador inicia a música, mas violões, bandolim e um toque suave de pedal steel entram para aliviar a atmosfera pesada, com Bridgers encerrando em um tom de reconciliação: “Obrigada por tudo”. A voz de Shaw — misturada à de Bridgers e talvez também à de Maria Taylor, que consta nos créditos — retorna para outro momento vocal arrebatador, lançando essa canção devastadora no ar como uma lanterna de papel.
4. “As Above”
Phoebe Bridgers soa agitada na penúltima faixa de “Lost Weekend”, de sonoridade etérea, cantando: “Tentando não olhar para baixo / Fazendo caretas para uma criança no avião / Tentando não surtar por estar alguns dias atrasada”. O arrependimento surge à medida que ela confessa o medo de morrer “antes de te levar a Coney Island / gritando na Wonder Wheel”.
A música atinge seu clímax com um som grave e retumbante que cresce, e Bridgers declara com firmeza: “Você não vai precisar acreditar em mágica / Deixe isso comigo, e eu farei acontecer”.
A declaração soa um tanto desequilibrada, como se Phoebe Bridgers estivesse cedendo sob o peso de realizar os sonhos de alguém, mas a quietude inicial da música retorna para o desfecho: “Como em cima, assim embaixo / Como foi, assim segue”.
3. “Bobby”
“The Governor’s Waltz” emenda diretamente em uma verdadeira canção de amor — na qual o próprio Burnham figura entre os vocalistas —, mas mantendo o estilo inquietante característico dela: com gritos distantes, bateria estrondosa e promessas de que ela mataria seus amigos caso seu novo amor não fosse com a cara deles.
A palavra “amor” não é dita, mas está presente em toda parte: não apenas na admissão de que seu parceiro “anda por aí com meu coração à mostra”, mas também nos detalhes pessoais revelados pela convivência (“Você canta no chuveiro / Eu falo comigo mesma”). “Agora não sei se dou conta hoje à noite / Mas o que você vai fazer com o resto da minha vida, Bobby?”, canta Bridgers com voz suave e doce, encerrando a música de forma ofegante.
2. “Lost Boys”
Phoebe Bridgers brilha em músicas lentas com letras capazes de causar uma morte por mil cortes ou de derrubar o ouvinte com um único golpe certeiro; no entanto, alguns de seus melhores trabalhos surgem quando ela acelera o ritmo, como fez em “Motion Sickness”, “Kyoto” e, agora, em “Lost Boys”.
O single do álbum é divertido, repleto de detalhes (“Aquela vez em Berlim Oriental / Quando você fez birra com uma 57 / E quebrou uma costela”) e uma música que gruda na cabeça de forma inesquecível, graças a um refrão triunfante — tanto literal quanto figurativamente, devido aos trompetes — sobre comportamentos juvenis que ninguém supera totalmente. Essa faixa deveria fazer parte de seu repertório para sempre.
1.“I Can’t Wait”
Tudo — a variedade de estilos musicais, o passado e o presente, a incerteza e a autoconfiança — converge em “I Can’t Wait”, a antepenúltima faixa de “Lost Weekend”. O ruído eletrônico e as vozes ambientes, elementos com os quais ela brincou ao longo de todo o álbum, misturam-se a uma guitarra de sonoridade direta e repetitiva; os dois estilos finalmente se sobrepõem de forma clara.
Ela imagina ser abandonada pelo parceiro (“Baby, baby, se você for embora / Pode me levar com você? / Posso ir no banco de trás”), mas também vislumbra uma vida a dois (“Até morrermos ou morrermos tentando”). É uma canção que evoca intensamente o momento presente, e Bridgers soa como alguém que está, ao mesmo tempo, no fim e no início de sua jornada.
Há um momento muito característico do estilo de Antonoff em que uma batida dançante entra, trazendo leveza, e aquela voz — provavelmente de Cameron Winter — retorna para um dueto enquanto ela canta: “A vida toda / Lado a lado / Hyde Jekyll Hyde / Finalmente juntos”, ao som de um violão e com a participação de uma gaita, creditada a Conor Oberst. A música cresce gradualmente antes de parar de repente — um desfecho definitivo que combina perfeitamente com essa faixa confiante, uma das melhores dela.
[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].
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