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Liniker celebra era ‘CAJU’ com show em estádio: ‘Nunca negociei quem eu sou’

À Billboard Brasil, cantora fala sobre a mini-turnê 'Bye Bye – CAJU'

Liniker

Liniker (Karolina Wielocha/Divulgação)

A despedida de “CAJU” será do tamanho do impacto que o álbum teve na trajetória de Liniker, transformando sua carreira como cantora, mas também muito além disso. Após consolidar o disco como um dos principais da música brasileira recente, a cantora prepara quatro apresentações inéditas da turnê “Bye Bye – CAJU”. A primeira é sábado (11) no Nubank Parque, em São Paulo, estreando como headliner em um estádio. Liniker recebeu a Billboard Brasil durante um ensaio com o balé desses shows – só uma das novidades de seu evento mais ambicioso.

“É um show em estádio, então tudo se triplica, tudo se expande, tudo ganha proporções homéricas”, disse a cantora. A nova montagem terá banda ampliada para 19 integrantes, 10 dançarinos no corpo de baile e uma estrutura pensada especialmente para marcar o encerramento do ciclo.

Liniker diz que o espetáculo representa uma nova etapa de sua carreira, agora também como empresária à frente da Breu, companhia responsável por parte da realização da turnê, feita ao lado da 30e. “Hoje eu cuido do meu trabalho não só enquanto um sonho, mas também como negócio, como estrutura.”

A dimensão do projeto também carrega um significado simbólico. Primeira artista transgênero a ganhar um Grammy Latino, Liniker afirma enxergar sua trajetória como prova de que é possível ocupar novos espaços sem abrir mão da própria identidade. “Nunca negociei quem eu sou para existir e poder chegar nesses espaços tão pela porta da frente”, afirma.

Ao olhar para trás, a cantora acredita que o maior legado do álbum está na relação construída com o público, como na faixa-título, “CAJU”: “Algo que era tão pessoal meu se tornou também verbo na boca dos outros. O poder de uma canção é muito grande, porque transforma vidas que você nem conhece. Esse é o grande presente da minha carreira.”

Leia a entrevista completa com Liniker:

O que nessa trajetória toda de “CAJU”, levando a esses shows inéditos em estádio, mais te marcou ou surpreendeu?
Liniker: Surpreender, sempre vai, porque a carreira, a vida, está sempre em transformação. Eu não sou a mesma de seis anos atrás, da nossa última. E não sou a mesma de 2016, quando eu lancei meu primeiro disco. É muito bonito acompanhar de dentro cada transformação da minha trajetória, não só profissional, mas pessoal também. Tudo do que eu vivi foi na prática. O início de uma carreira, o início de um sonho virando trabalho, uma vida pública sendo vivida na frente de tanta gente, com tão pouca idade. Quando eu comecei, eu tinha 19 para 20 anos. Hoje, com quase 31, tem uma mudança significativa em tudo. Não é um peso, de ser pesado, mas é um peso de maturidade que acontece com todo mundo que amadurece.

E como isso se amarra neste show?
Me ver no lugar de viver um grande projeto como esse, não só a nível de estrutura, mas a nível de sonho também, é realmente desafiador. Não desafiador como ‘não dou conta de fazer’. Mas de acreditar, mesmo, que foi possível construir isso com verdade e com trabalho, que é só o que eu tenho feito. E a forma como eu tenho provado quem eu sou, onde eu existo, como eu quero me comunicar, qual é a minha forma de amor com as pessoas, é por meio do trabalho, da minha verdade, do que eu escrevo.

Você acha que esse ciclo todo trouxe alguma transformação que você já tenha notado?
Sigo fiel a mim mesma, em ser hoje uma cantora que cuida também do meu trabalho, não só enquanto um sonho, mas também como negócio, como estrutura. De ser dona de uma empresa que me aporta e me possibilita fazer meu trabalho da melhor forma possível e entregar a melhor qualidade para o meu público, dentro do que eu acredito. Acho que foi a transformação profissional mesmo é muito nítida na minha vida, e como eu precisei amadurecer internamente para hoje ser não só uma artista que canta para muitas pessoas, mas alguém também que gerencia e organiza a carreira como um patrimônio meu.

O que as pessoas podem esperar desse show em termos de estrutura, de música?
É um show em estádio, então tudo se triplica, tudo se expande, tudo ganha proporções homéricas. É um show muito pensado para concluir em grande estilo esse disco que mudou minha vida, esse disco que teve um marco significante na minha trajetória. É um show que tem uma equipe gigantesca, uma banda maior do que as bandas que a gente já vinha fazendo desde o começo da turnê de “CAJU”. É o meu primeiro show com corpo de baile, com coreografias e com pesquisa de ritmo, não só musical, mas ritmo coreográfico. Estou muito feliz.

Não só um show pop, mas um show de uma artista brasileira ocupando pela primeira vez espaços como esse, como ter um show proprietário dentro de um estádio em São Paulo. E a qualidade no sentido de dar o meu melhor também, não é só sobre a estrutura, mas é sobre como eu me coloco disponível e inteira para ofertar meu trabalho.

É uma oportunidade que também se expande para outras pessoas, seus músicos, o Balé Caju Negro. Como foi montar esse show?
A banda base já está comigo há algum tempo e a gente somou fazendo audições. A mesma coisa aconteceu com o balé, a gente abriu uma audição. A diretora coreográfica é a Gabriela Cabo Verde. E a gente, juntas, foi trazendo para dentro um corpo de baile que fosse diverso, que fosse plural e que, ao mesmo tempo, representasse os fãs comigo ali no palco, que acompanham a minha trajetória e que eu vejo dançando no palco, na plateia. Então, tudo se expande de um jeito muito lindo. É um show dirigido em parceria da Breu, que é a minha empresa, com a 30e. Então, é algo bem novo mesmo na minha vida, bem especial.

 

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Você começou essa trajetória muito jovem. Como é poder ocupar esse espaço de representatividade?
Eu vejo avanço, eu vejo a possibilidade de fazer um trabalho tão genuíno e, ao mesmo tempo, potente, mesmo dentro de um Brasil genocida, de um Brasil transfóbico, de um Brasil racista. Acho que ser uma artista independente, que nunca negociou com quem eu sou para existir e poder chegar nesses espaços de uma forma tão pela porta da frente, com tanta gente dentro da minha equipe que eu me vejo também, fazendo para um público que eu me vejo, é realmente significativo.

Eu sei do tamanho do trabalho de montar um show como esse, mas você já pensa num novo ciclo? Você já tem ideias para um próximo disco?
Eu não estou com pressa. Eu estou, de fato, focando em viver agora com qualidade para que isso não passe, para que não seja uma coisa efêmera. Acho que, quando você faz uma coisa tão grande, é muito fácil você focar numa coisa já querendo outra, com fome de novidade ou com fomo de novo disco. Obviamente tenho um novo trabalho em processo, mas não é para agora, não é uma coisa que eu quero começar a falar agora. Eu estou, de fato, focada em dar tchau para “CAJU”.

Nesse repertório de “CAJU”, teve alguma música que, passando esse tempo, te surpreendeu, que cresceu? Ou que se tornou outra coisa do que era ali no estúdio, no começo?
Acho que a faixa-título mesmo, “CAJU”. É uma música que eu vejo como transformou a vida das pessoas e como as pessoas interagem com ela de um jeito muito pessoal. Algo que era tão pessoal meu se tornou também verbo na boca dos outros. Então, acho que o poder de uma canção é muito grande, é muito forte, porque transforma vidas que você nem conhece. E isso, para mim, é o grande presente da minha carreira, de poder me comunicar com as pessoas dessa forma íntima através do que eu escrevo.

Turnê “Bye Bye – CAJU”

  • 11 de julho de 2026 — São Paulo (Allianz Parque)
  • 22 de agosto de 2026 — Rio de Janeiro
  • 19 de setembro de 2026 — Belém
  • 7 de novembro de 2026 — Salvador

Serviço – São Paulo

Data: 11/7
Local: Nubank Parque – av. Francisco Matarazzo, 1.705, Água Branca
Horário: 19h.
Ingressos: a partir de R$ 165 em eventim.com.br