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BTS faz retorno emocionante a Londres após espera de 7 anos: melhores momentos

Última apresentação do grupo no Reino Unido foi em 2019, no Wembley

BTS

BTS (BIGHIT MUSIC)

Já se passaram sete anos desde que os gigantes globais do K-pop, o BTS, se apresentaram no Reino Unido. A última vez que o septeto viu as icônicas cadeiras vermelhas do Estádio de Wembley foi em 2019, mas na segunda-feira (6) — com toda uma pandemia e uma série de alistamentos militares obrigatórios já superados — eles atravessaram a capital para chegar ao Tottenham Hotspur Stadium, onde realizam duas apresentações como parte de sua grandiosa turnê “Arirang World Tour”.

A turnê marca o retorno do grupo com sua formação completa desde a “Permission to Dance on Stage” de 2023 (que passou apenas por Seul, sua cidade natal, e algumas cidades dos EUA) e celebra o lançamento de “ARIRANG”, ocorrido em março. O álbum leva o nome do “hino não oficial” da Coreia do Sul, uma canção folclórica tradicional profundamente ligada à história emocionalmente turbulenta do país.

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Embora descrito como uma celebração da herança coreana do grupo, o projeto também teve um caráter decididamente internacional, contando com créditos de produção de grandes nomes do Ocidente, como Mike WiLL Made-It, Kevin Parker (do Tame Impala) e Ryan Tedder. O álbum reapresenta o BTS ao mundo através de uma sequência de faixas vibrantes e contagiantes que, como ficou evidente neste show, foram feitas sob medida para serem ouvidas em estádios.

Quando os sete integrantes do BTS — RM, Jin, Suga, J-Hope, Jimin, V e Jung Kook — subiram ao palco, era fácil esquecer o quanto de sua carreira recordista aconteceu longe dos olhos dos fãs britânicos. “Dynamite”, possivelmente o maior sucesso do grupo, foi lançada no verão de 2020 e catapultou o fenômeno a uma onipresença inegável no mainstream. Na sequência, o BTS conquistou o topo da Billboard Hot 100 e indicações ao Grammy, realizou projetos solo e turnês oficiais, além de passar por um hiato exigido pelo serviço militar obrigatório.

Com muito a celebrar e relembrar — desde clássicos antigos até novos sucessos e tudo o que veio entre eles —, estes foram os melhores momentos do retorno triunfante do BTS ao Reino Unido.

BTS
BTS (BIGHIT MUSIC)

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Melhores momentos do BTS em Londres

Músicas feitas para estádios
Embora o motivo de “Arirang” remeta a uma canção folclórica ancestral, o álbum em si transborda faixas criadas para ecoar com força máxima em grandes sistemas de som. “Preciso que o estádio inteiro pule”, disse o rapper Namjoon quando “Body to Body” começou a ganhar força. É menos um pedido e mais uma ordem de quem sabe exatamente o que está fazendo: simplesmente não há como vivenciar a explosão da batida de uma música do BTS sem tirar os dois pés do chão.

A imponente e agressiva “Hooligan” abre o show como um grito de guerra, enquanto “FYA” — inspirada no estilo Jersey club — poderia ter arrancado o teto do estádio, se este já não estivesse aberto para deixar entrar uma brisa mais do que bem-vinda. Sucessos consagrados como “Mic Drop” e “Not Today” também foram incluídos com maestria, deixando a plateia, carregada de energia acumulada, ansiando por um breve momento para se sentar e recuperar o fôlego.

Narrativa sublime
Desde o início, “ARIRANG” foi construído sobre uma mitologia: uma canção que carrega o peso de séculos de identidade e resiliência coreanas, encapsulada na metáfora deste grupo, lançado no cenário global como representante de sua terra natal. É compreensível, então, que — ao contrário das turnês anteriores do BTS — esta aposte mais na narrativa do que na coreografia, apresentando-se por vezes quase como um teatro de caixa-preta em meio à arquitetura vasta de um estádio.

Tecidos de seda que remetem à arte performática tradicional representam águas fluidas no single principal “Swim”; bandeiras de batalha surgem em “Body to Body”; e um labirinto em constante transformação compõe o cenário para o hino introspectivo “Merry Go Round”.

Os próprios integrantes adotam uma abordagem mais teatral para suas músicas, utilizando plataformas que sobem e descem e esteiras circulares para encenar algumas das canções de cunho mais existencial. Para um grupo formado por homens que já passaram dos 30 anos, trata-se de uma mudança inteligente em relação às exaustivas coreografias ao vivo a que estão acostumados.

Coreografia impressionante
Dito isso, trata-se de um show do BTS; portanto, você jamais sentirá falta de movimentos sincronizados e impactantes. É verdade que o septeto simplificou parte da coreografia em relação às turnês anteriores — assim, em vez de se doarem 150% a cada segundo de todas as músicas, os integrantes concentram essa energia intensa em um ou dois refrões para satisfazer o público. De certa forma, isso gera uma emoção ainda maior: enquanto você assiste a “Mic Drop” ou “Run BTS”, fica na ponta da cadeira — ou melhor, na ponta dos pés, já que ninguém fica sentado em um show do BTS —, aguardando o momento em que eles assumem a formação e deixam você de queixo caído.

BTS
BTS (BIGHIT MUSIC)

O amor pelos sucessos de sempre
A turnê “Eras Tour”, de Taylor Swift, pode ter criado expectativas irreais nos fãs que frequentam shows, levando-os a presumir que os artistas apresentarão uma coletânea de seus maiores sucessos em todas as datas da turnê. De fato, houve certa reação negativa aos primeiros shows da “Arirang World Tour” do BTS, já que o repertório concentrava excessivamente músicas do álbum mais recente, especialmente em comparação com turnês anteriores.

Embora apenas cerca de um terço das músicas do repertório remeta à carreira de uma década do grupo antes da pausa, algumas verdadeiras preciosidades ainda ganham seu momento de destaque. Canções como “Fake Love” — o hino de atmosfera intensa e sensual que foi uma das primeiras a colocá-los sob os holofotes do Ocidente — ocupam um lugar de destaque no setlist, ao lado de “músicas secretas” selecionadas a partir de uma variedade de faixas, desde singles mais recentes do grupo até favoritas dos fãs e canções menos conhecidas.

Coros de fãs
Os coros de fãs são um elemento fundamental da estrutura do K-pop. Geralmente criados pela gravadora e divulgados aos fãs, eles consistem nos nomes dos integrantes do grupo — e, às vezes, em algum verso ou tema marcante — encaixados nas pausas da música. Na Coreia, onde os fãs costumam reservar suas manifestações de apoio para esses momentos predeterminados, eles representam uma forma organizada de demonstração de admiração. Mas, em um estádio em Londres, onde são gritados com a força de mil gols decisivos de última hora em uma Copa do Mundo, a experiência assemelha-se a uma catarse coletiva. Antes de “Mic Drop”, 60 mil fãs bradam “Kim Namjoon! Kim Seokjin! Min Yoongi! Jung Hoseok! Park Jimin! Kim Taehyung! Jeon Jung Kook! BTS!” como um grito de guerra.

O cabelo de Jimin
Uma cabeleira tão poderosa que merece um destaque à parte. Com o lançamento de “ARIRANG”, Jimin surgiu exibindo um visual marcante: uma vasta cabeleira loira, situada em algum ponto entre o corte repicado estilo Farrah Fawcett e o mullet de David Bowie no filme “Labirinto”. Em Londres, os fios estavam em seu auge — com um poder digno de Sansão —, balançando intensamente a cada movimento de bate cabeça.

Canções secretas carregadas de emoção
Em cada parada da turnê mundial Arirang, o BTS apresentou duas “canções secretas”. São faixas do repertório anterior que não entraram no setlist oficial, mas foram escolhidas a dedo para cada nova data. Até agora, houve sucessos inegáveis ​​e favoritos dos fãs, como “Pied Piper”, “Magic Shop” e “Mikrokosmos”; por isso, Londres trazia uma certa pressão: o que oferecer a um público que esperou sete anos e quatro álbuns para vê-los?

A primeira escolha foi uma música emocionante: “Life Goes On”, o hino sobre a pandemia — mas não exatamente sobre ela — lançado no auge dos momentos mais sombrios do lockdown de 2020. Para o grupo, a faixa foi um marco importante, pois garantiu o primeiro lugar na Hot 100 com uma música que não era em inglês. Para os fãs, ela também teve um impacto profundo, sendo o primeiro lançamento após um longo hiato do grupo. De muitas formas, eles retornaram com ela para compensar o tempo perdido.

Depois que todos secaram as lágrimas, chegou a hora de extravasar a energia. A segunda música surpresa foi “Dionysus”, um sucesso maximalista e explosivo do álbum “Map of the Soul: Persona” (2019), que faz todo mundo bater cabeça. “Tocamos essa música pela última vez há sete anos, aqui no Wembley”, gritou Namjoon para a multidão — e, para muitos, aquela também tinha sido a última vez que haviam cantado a plenos pulmões junto com o grupo.

[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].