Filho do Piseiro transforma aniversário em espetáculo e grava DVD gigante no AM

Filho do Piseiro (Reprodução Instagram)
A Praia da Ponta Negra, em Manaus, amanheceu tomada por estruturas metálicas, painéis de LED, cabos, caixas de som e uma equipe operando em estado de adrenalina. No centro de tudo isso, Filho do Piseiro, um artista que há poucos anos cantava na porta de um açougue agora se prepara para registrar o primeiro DVD da carreira — e a Billboard Brasil acompanhou cada detalhe desse momento histórico.
No dia 16 de maio, data em que completa 24 anos, o Filho do Piseiro, nascido Everton da Silva de Souza, transforma sua cidade natal no palco de um espetáculo que simboliza não apenas um marco profissional, mas um retorno emocional às raízes que moldaram sua trajetória. “É meu primeiro DVD, gente… e logo aqui, na minha terra”, disse o cantor, ainda impressionado com a dimensão da produção. “O negócio é pressão.”
Nascido e criado na comunidade do Caldeirão, em Iranduba, região metropolitana de Manaus, Everton começou a cantar ainda adolescente — primeiro nas resenhas de bairro, depois na porta do açougue do tio, onde tentava atrair clientes com voz e violão. A virada veio no segundo semestre de 2025, quando vídeos dele fazendo a “boca de médio grave” viralizaram nas redes e impulsionaram faixas como “Meu Pai Paga a Minha Faculdade” e “Raparigas”, que alcançaram milhões de reproduções nas plataformas.
Sem gravadora, sem empresário e sem qualquer estrutura profissional, ele aprendeu na prática — entre pequenos cachês, golpes e improvisos — a transformar a própria alegria em ofício. O que começou como brincadeira em churrascos de fogo de chão rapidamente o levou ao topo dos virais do Spotify e abriu caminho para a agenda lotada que ele vive hoje.
Ao observar o cenário montado na Ponta Negra, o artista não escondeu o impacto. Para ele, o DVD é a síntese de tudo o que viveu até aqui.
“É realização. É sonho”, afirma em entrevista à Billboard Brasil. “Eu nunca imaginei algo dessa dimensão. Ver isso aqui montado, na minha terra, no dia do meu aniversário… é algo que ainda estou tentando acreditar.”
A grandiosidade da estrutura — que ele descreve como “gigantesca” — reforça a virada de chave na carreira de um artista que cresceu sem gravadora, sem grandes investimentos e sem atalhos.
Do açougue ao palco: a conversa com o passado
Perguntamos ao cantor o que o Everton de 2019 — o jovem que cantava na frente do açougue do tio — diria ao Filho do Piseiro de hoje. A resposta veio carregada de memória e maturidade: “Ele diria: deu certo. Continue. Passe pelos trancos e barrancos, aprenda com os golpes, não desista”.
Para ele, aquele período foi essencial para aprender a dar valor ao próprio trabalho e entender que a alegria que carregava desde criança poderia se transformar em carreira.
Quando questionado sobre o momento em que percebeu que estava “vencendo”, o artista rejeita a ideia de vitória como ponto final. Para ele, o processo é contínuo — e a verdadeira conquista está no público.
“Eu percebi que estava conquistando meus passos quando vi crianças, pais, famílias inteiras me recebendo com carinho”, diz. “Não é só um público específico. É todo mundo.”
O artista destaca que cada abraço, cada aperto de mão e cada demonstração de afeto são, para ele, a maior vitória possível. “Se eu estou vencendo, é porque vocês me dão esse amor.”
O médio grave como identidade artística
O efeito vocal que o tornou viral — o famoso “boca de médio grave” — nasceu ainda na escola. Ele lembra que, ao ver um colega tentando reproduzir o som, percebeu que conseguia fazer aquilo naturalmente. Quando começou a cantar forró, passou a inserir o efeito nas pausas das músicas, até que o público começou a reagir com surpresa e entusiasmo.
“Eu vi que ninguém fazia. E vi que a galera gostava. A partir daí, virou parte da minha linguagem musical”, explica.
Hoje, o médio grave não é apenas um truque: é assinatura e identidade.
O DVD na Ponta Negra é um gesto simbólico: um artista que saiu da periferia de Manaus, viralizou, conquistou o país sem gravadora e agora retorna à própria terra para celebrar, com o próprio povo, o início de um novo capítulo. A noite promete ser histórica — para ele, para Manaus e para o piseiro.
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