Ebony detalha processo criativo de ‘KM2 (De Luxo)’ em faixa a faixa
Projeto propõe aos ouvintes um mergulho nas histórias do disco

Ebony (Fernando Mendes)
Após apresentar ao público o projeto “KM2 (De Luxo)”, versão mais completa de um dos trabalhos mais importantes de sua trajetória, Ebony dá continuidade ao universo do álbum com o lançamento de um material especial em formato de faixa a faixa, dia 12 de maio de 2026, em comemoração a um ano do álbum “KM2”. A novidade nasce como uma extensão do trabalho e propõe aos ouvintes um mergulho nas histórias, referências e processos que deram forma à obra inicial.
Além do registro audiovisual, o projeto chega ao Spotify em formato de álbum, tornando a experiência ainda mais completa e de fácil consumo. Entre uma faixa e outra, o público é capaz de ouvir os comentários da artista, quase como um audiobook musical, acompanhando as músicas e suas histórias a partir da perspectiva de quem as criou.
O Faixa a Faixa surge do desejo de registrar a história de “KM2” a partir do olhar de Ebony, reunindo bastidores e processos criativos em um material durável e disponível nas principais plataformas digitais. Em um cenário em que muitas narrativas musicais são contadas indiretamente e, muitas vezes, acabam se perdendo na mídia online e física, a artista propõe um registro mais direto e permanente da própria arte.
No álbum, Ebony parte de vivências íntimas para construir uma narrativa coletiva sobre cura, ascensão, autonomia e o que significa existir como uma mulher negra periférica dentro da sociedade. Em “KM2 (De Luxo), essas questões aparecem de forma ainda mais madura, acompanhadas por uma artista mais segura de sua linguagem, escrita e potência.
Assista ao faixa a faixa de Ebony
Mais do que revisitar as próprias canções, o projeto busca documentar a construção de “KM2 (De Luxo)” a partir do olhar da própria artista. Entre relatos sobre composição, memória e criação, Ebony apresenta aos fãs as camadas que sustentam o disco original e transforma o material em uma catalogação de sua trajetória artística e emocional.
Introduzindo o trabalho, em “KM2”, faixa que dá nome ao projeto, Ebony parte do desejo de traduzir em som a sensação de estar em Queimados, município natal da cantora. A música nasce de uma pesquisa sonora sobre infância, território e memória, reunindo ruídos, vozes e imagens que remetem ao cotidiano dos moradores, à melancolia de crescer no Rio de Janeiro e aos sons que atravessaram sua origem.
Faixa a faixa
Já em “Parte do Mundo”, uma das faixas preferidas da artista, Ebony revisita a experiência de crescer em um ambiente atravessado pela religiosidade. A canção fala, de forma irônica e melancólica, sobre uma infância em que tudo aquilo que não era entendido como sagrado passava a ser visto como “do mundo”. Na letra, a artista pede desculpas à mãe, mas também afirma sua existência fora de limitações impostas pela sociedade. Ao se reconhecer como parte do mundo, Ebony transforma o sentimento de culpa em uma declaração de pertencimento.
Apesar de ser interpretada como uma música romântica, “Gin com Suco de Laranja” parte de outro lugar para Ebony. A faixa observa uma personagem em estado de ego trip, alguém que se apresenta como é, sem prometer mudanças ou tentar se adaptar ao desejo do outro. Inspirada por relações e vivências, a música carrega sensualidade com ironia e distância emocional. Mais do que falar sobre romance, a canção apresenta uma personagem que reconhece o próprio comportamento e esclarece que se relacionar com ela significa lidar com sua forma de existir.
Em “Hong He”, Ebony mergulha em uma pesquisa sobre house music e música eletrônica. A faixa traduz o caos, tanto na sonoridade quanto na escrita, abrindo espaço para uma Ebony que também deseja dançar dentro do próprio álbum. A música ainda carrega uma homenagem importante a Rita Lee.
“Não Lembro da Minha Infância” é uma das faixas mais sensíveis do projeto. A música parte da psicologia de que determinadas experiências podem bloquear lembranças como forma de proteção, e a artista utiliza desse ponto de partida para discorrer sobre uma infância que nem sempre pode ser levada com leveza. Sem tentar transformar dor em uma história bonita, a faixa acolhe a possibilidade de nem todo mundo ter uma origem feliz para contar. Acima de tudo, a música existe para relembrar a artista de que muitas dores são compartilhadas, mesmo quando parecem solitárias.

Escrita ainda no período das músicas da primeira versão de “KM2”, “Dona de Casa” chegou a ser descartada antes de encontrar seu lugar em “KM2 (De Luxo)”. Com um tom cotidiano, a faixa foi pensada inicialmente como um interlúdio de construção simples. Nela, Ebony reafirma uma maturidade feminina dentro do rap e recupera um espaço atravessado por expectativas sobre o que uma mulher deve ser. Com raiva, ironia e punchlines, a música funciona como uma poesia direta e feita sem a intenção de parecer complexa.
Em “Festas & Manequins”, Ebony fala sobre aparência, feminilidade e a forma como meninas negras vivenciam o mundo de maneira diferente. A artista parte de memórias marcadas por comentários negativos sobre sua aparência e observa, com ironia, o estranhamento de hoje ver outras pessoas desejando o que antes era usado contra ela, demonstrado no verso “Eu nunca fui essas meninas tipo manequim / Por isso é estranho elas querendo ser iguais a mim”.
“Triplex” é uma canção antiga, escrita em um momento em que Ebony ainda sentia a necessidade de afirmar o que havia conquistado e carrega em sua letra um impulso de afirmação, quase como um grito de quem reivindica autoridade a partir da própria trajetória. Ao revisitá-la agora, com 25 anos, a artista reconhece uma distância entre a mulher que é hoje e a artista que escreveu os mesmos versos aos 19 anos.
Considerada por Ebony uma das faixas mais divertidas dentro do álbum, “KIA” não segue uma narrativa linear e se constrói a partir de fragmentos de diferentes histórias, sensações e observações. O sarcasmo nasce da irreverência da raiva feminina, tratada pela cantora como um forte sinal presença, postura e classe.
“Vale do Silício” marca um divisor de águas para Ebony. Especialmente pela presença de Black Alien, artista que Ebony admira profundamente e reconhece como uma figura fundamental para o rap, a parceria abre espaço para uma conversa sobre vida e formas de atravessar o mundo sem permitir que a violência alheia defina o seu próprio caminho. A faixa também aborda a sensação de ser uma pessoa preta e nerd, muitas vezes colocada em um lugar de estranhamento. Ao falar sobre paz, karma e percepção, a música propõe uma forma mais madura de lidar com tudo o que é projetado sobre si.
“Roubando Livros” funciona como uma segunda parte de “KM2”. Com uma base em boombap, a música parte de um desejo de provar domínio técnico e reafirmar seu lugar dentro do rap. Um ponto alto na faixa é a forma como a artista brinca com o artigo masculino e feminino ao reivindicar para si o lugar de melhor rapper vivo, questionando o debate que persiste até os dias atuais de que mulheres fazem apenas “rap feminino”.
Encerrando a narrativa, “Chefe” apresenta uma Ebony mais leve e despreocupada. A faixa é liricamente simples por escolha, feita para dançar e celebrar, sem depender de duplos sentidos ou camadas escondidas. A música materializa uma faceta importante do rap, ligada ao prazer, e brinca ao cantar “Depois eu respondo / eu tô com o presidente”, o que hoje poder ser uma referência ao encontro entre Ebony e Lula durante a assinatura do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, no Palácio do Planalto.
Ouça Ebony
TRENDING
- Fãs brasileiros criam música em homenagem ao Stray Kids 12/05/2026
- SAINT SATINE: conheça o novo grupo feminino da HYBE com brasileira 12/05/2026
- Virada Cultural 2026: veja a programação completa por palco em São Paulo 08/05/2026
- Anime Friends 2026: veja o line-up do festival em São Paulo 12/05/2026
- Jung Kook, do BTS: ‘Me sinto mais vivo quando tudo parece caótico no palco’ 12/05/2026