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Como uma faixa obscura de LA virou a base dos beats do funk carioca?

Conheça história do Volt Mix, beat lendário do funk carioca

Conheça a história do Volt Mix, beat que marcou os bailes cariocas dos anos 1990 (Reprodução)

Conheça a história do Volt Mix, beat que marcou os bailes cariocas dos anos 1990 (Reprodução)

O que “Nosso Sonho”, “Rap do Solitário” e “Cerol na Mão” têm em comum? Os três hits ajudam a contar a história de uma faixa obscura, a Volt Mix, batida mais famosa nos primeiros anos do funk carioca. Antes do tamborzão dominar os bailes nos anos 2000, foi esse loop seco, eletrônico e hipnótico que sustentou boa parte da estética dos anos 1990, servindo de base para MCs, equipes de som, montagens e raps que moldaram o gênero.

O Volt Mix não nasceu no Rio. Mas foi no Rio que ele virou funk.

O Dia Nacional do Funk, celebrado neste domingo (12), é uma boa data para olhar para uma das bases mais importantes da história do gênero. Para quem cresceu ouvindo funk nos anos 1990, o nome pode até não ser familiar. O som, sim. O Volt Mix foi a base que sustentou raps, melôs, montagens e disputas de galera em uma fase decisiva do funk carioca.

O que é o Volt Mix?

O Volt Mix vem do “808 Beatapella Mix”, faixa do lado B do single “8 Volt Mix”, lançado em 1988 pelo DJ Battery Brain, codinome de Mark Rogers. O disco saiu pelo selo Techno Hop Records, de Los Angeles, ligado à cena electro da Costa Oeste dos Estados Unidos.

A base foi construída com a Roland TR-808, bateria eletrônica central para várias linhagens da música negra e eletrônica dos anos 1980. No Volt Mix, bumbo, caixa, chimbal e pequenos cliques metálicos formam uma célula rítmica seca, repetitiva e aberta o suficiente para receber vozes por cima. Era exatamente o que os DJs e MCs cariocas precisavam.

No Rio, o disco foi descoberto e divulgado por Carlos Machado, o DJ Nazz. Ele era um dos nomes ligados ao circuito de importação de vinis raros, comprados fora do país e revendidos a DJs e equipes de som.

Nos primeiros anos de consolidação comercial do funk carioca, muitos MCs cantavam sobre bases instrumentais importadas. A voz brasileira entrava por cima de grooves vindos de discos de electro, rap, bass music e outras cenas dos Estados Unidos. O Volt Mix se destacou porque tinha uma estrutura direta: era simples, marcante e funcional.

Nem todo clássico dos anos 90 usa Volt Mix

A força do Volt Mix é tão grande, que a memória popular passou a atribuir a ele mais músicas do que deveria. Essa é uma armadilha comum quando se fala da história do funk. Muitas bases dos anos 1990 compartilham estética parecida, mas não vêm do mesmo disco.

“Rap da Felicidade”, de Cidinho & Doca, por exemplo, costuma aparecer em conversas sobre o Volt Mix, mas sua base é associada a “122 BPM”, dos Willesden Dodgers, faixa do disco “Jive Rhythm Trax”. O mesmo vale para “Rap do Silva”, de Bob Rum, também ligado a essa base.

Já “Rap das Armas”, de Júnior e Leonardo, tem outra origem melódica, relacionada a “Your Love”, do The Outfield.