Luiz Carlini, o guitarrista de ROCK – escrito do tamanho da paixão que carregava
Leia a coluna especial para a Billboard

Luiz Carlini (Ativa Cinema Digital)
Escrever sobre Luiz Carlini é uma das tarefas mais difíceis da minha vida. Não apenas porque fui sua esposa, mas porque tive o privilégio de conhecer o homem por trás do artista que marcou definitivamente a história do ROCK brasileiro.
O público conheceu o guitarrista genial, dono de uma identidade musical única e responsável por alguns dos riffs e solos mais marcantes da nossa música. Eu conheci o homem apaixonado pelo ROCK, inquieto, curioso, generoso e sempre disposto a compartilhar conhecimento. Para o Luiz, a guitarra nunca foi apenas um instrumento. Era a forma mais sincera de expressar sua alma. Era um estilo de vida. E sim, o ROCK, para ele, sempre era escrito em letras maiúsculas, exatamente do tamanho da paixão que carregava.
Durante os 22 anos em que estivemos juntos, acompanhei de perto seu compromisso com a música, com a disciplina e com as pessoas. Luiz acreditava que um verdadeiro artista nunca deixa de aprender. Estava sempre pesquisando, ouvindo, estudando e conversando sobre o cenário do ROCK nacional e internacional. Tinha uma memória impressionante e encontrava prazer em dividir experiências, contar histórias, incentivar novos talentos e mostrar que a técnica só faz sentido quando vem acompanhada de emoção, verdade e respeito pela arte.
Sua partida deixou um silêncio impossível de preencher. Mas também deixou o volume mais alto de 73 anos de puro ROCK’N’ROLL. O que permanece para todos nós que tivemos a honra de caminhar ao seu lado é a responsabilidade de manter vivo o seu legado.
Por isso, a homenagem realizada durante o mês de julho, o mês do ROCK, na Fábrica de Cultura, tem um significado especial. Levar a história de Luiz Carlini às novas gerações é mais do que uma homenagem, é um compromisso com a memória do ROCK brasileiro.
Sempre me emocionava ver o brilho nos olhos dele quando jovens músicos se aproximavam após os shows em busca de uma foto, um autógrafo ou alguns minutos de conversa. Luiz entendia que aquele encontro era muito maior do que um registro. Era a continuidade de uma história. Ele via seu legado sendo reescrito pelas mãos de novos artistas e acreditava que o conhecimento só faz sentido quando é compartilhado.
Levar sua obra e seus ensinamentos aos territórios periféricos é democratizar o acesso à cultura e mostrar que o ROCK também pertence a esses jovens. A periferia brasileira é um dos maiores celeiros de talentos do país. Aproximá-los de mestres como Carlini significa ampliar horizontes, despertar vocações e fortalecer a identidade cultural de quem fará a música do amanhã.
Tenho certeza de que Luiz estaria emocionado ao ver sua trajetória chegando a esses espaços. Ele sempre acreditou que a música era capaz de transformar vidas, criar oportunidades e aproximar pessoas.
Essa homenagem celebra um guitarrista extraordinário, um mestre generoso, um artista carismático, um pesquisador da música e um homem que nunca deixou de sonhar. Como esposa, sinto uma saudade que não cabe em palavras. Como artista, sinto um orgulho imenso por ter dividido 18 anos de palco com ele na Banda Tutti Frutti e por tudo o que construiu. E, como brasileira, acredito que preservar sua memória é preservar um dos capítulos mais importantes da história do ROCK nacional.
Que as guitarras continuem ecoando sua história. Que seu nome siga inspirando novos talentos. E que Luiz Carlini permaneça exatamente onde sempre pertenceu: no mais alto Panteão da música brasileira, entre seus imortais, vivo em cada acorde, em cada palco e em cada coração que compreende que o ROCK tem o poder de atravessar gerações.

*Sol Ribeiro, cantora da Banda Tutti Frutti e esposa de Luiz Carlini. Atualmente realiza agenda das Fábricas de Cultura para conversar com jovens sobre a vida e trajetória de Carlini.
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