Charli xcx: ranking de todas as faixas de ‘Music, Fashion, Film’
Billboard classificou todas as 11 músicas, da menos marcante à melhor

Charli XCX (Paul Kooiker)
Depois de meses de expectativa, Charli xcx lançou “Music, Fashion, Film”, seu sexto álbum de estúdio.
O trabalho sucede o fenômeno “Brat”, que redefiniu a trajetória da cantora em 2024, e apresenta uma sonoridade que amplia o espaço das guitarras sem abandonar as raízes eletrônicas e pop que marcaram sua carreira.
Muito se especulou sobre uma possível mudança definitiva para o rock, principalmente após o lançamento de “Rock Music”, primeiro single do projeto.
A resposta, porém, está longe de ser tão simples. Embora o novo disco incorpore elementos do grunge, do indie e do rock alternativo, a produção continua profundamente conectada ao universo pop e dance que tornou Charli uma das artistas mais influentes de sua geração.
+ Leia mais: Charli xcx dirige Vincent Cassel no clipe de ‘Camera’; assista aqui
O resultado é um álbum que experimenta novas texturas sem perder a identidade. Em vez de romper com o passado, “Music, Fashion, Film” expande a estética construída pela cantora nos últimos anos e reforça sua disposição para desafiar rótulos.
Veja o ranking de “Music, Fashion, Film” de Charli xcx
11. “2007”
A música mais leve do disco também parece ser a menos essencial do álbum.
O refrão repetitivo (“Posso te levar ao paraíso como se fosse 2007 / Uma estrela pop no meu quarto como se fosse 2007”) e a batida acelerada soam como se tivessem sido transportados de uma fase anterior da carreira da artista.
É um experimento divertido, e o clipe com temática inspirada no TikTok quase parece um desafio para que o público transforme justamente essa faixa no sucesso inesperado desta era e a faça viralizar de verdade. Ainda assim, é a única música do disco que não parece pertencer completamente ao conjunto.
10. “I’m Afraid”
“George gosta dela”, insiste Charli xcx sobre seu agora marido, George Daniel, no vídeo que introduz “I’m Afraid” no filme “Music, Fashion, Film”.
É fácil acreditar nisso, embora a música do álbum com as letras mais diretamente relacionadas ao companheiro de vida da cantora esteja longe de ser uma canção de amor tradicional.
Em vez disso, ela concentra a atenção nas inseguranças diante de um relacionamento capaz de mudar sua vida: “Tenho medo, tenho medo / Não sou nada sem ele / E se eu estragar tudo? /Pegue o anel, pegue o anel.”
A produção acompanha esse turbilhão emocional com uma atmosfera tempestuosa, repleta de distorções, névoa sonora e mudanças bruscas de dinâmica. O resultado pode ser menos envolvente do que boa parte do restante do álbum, mas continua profundamente impactante.

9. “Yeah”
Outra das músicas menos densas de “Music, Fashion, Film”, “Yeah” funciona melhor do que “2007” justamente por atualizar de forma mais natural a sonoridade eletropop característica da cantora com influências do garage rock.
Nos versos, ela recusa um pedido abstrato enquanto guitarras carregadas de tensão conduzem a faixa.
Então vem a virada: “Espera… agora eu quero sentir isso”, dando lugar a um refrão dominado por sintetizadores distorcidos que certamente ganhará proporções gigantescas durante a próxima turnê. Tem tudo para se tornar uma das favoritas dos fãs.
8. “Magic Metal Montana”
A canção de amor mais pura de “Music, Fashion, Film” não é dedicada a George Daniel, mas ao colaborador de longa data de Charli xcx, compositor e produtor A.G. Cook. Isso não significa, porém, que “Magic Metal Montana” seja sentimental.
“Eu choraria se você morresse” talvez seja seu verso mais emotivo, mas é interpretado de forma tão direta que soa quase como uma provocação. Como acontece em outras músicas de Charli sobre pessoas importantes em sua vida, o maior valor está na honestidade.
Versos como “Você é meu melhor amigo, mas a gente não conversa / A gente faz música, é assim que conversa” capturam a singularidade da relação entre os dois de uma forma que declarações mais efusivas jamais conseguiriam.
Considerando que a predecessora mais evidente dessa faixa em “Brat” foi escrita para uma alma gêmea artística que já não estava mais viva para ouvi-la, é ainda mais emocionante saber que Cook pôde apreciar esta música, participando inclusive de sua criação.
7. “Card Declined”
Talvez diga muito sobre a arte de Charli xcx o fato de ela reservar uma das faixas mais grunge e dissonantes de “Music, Fashion, Film” para falar sobre compras.
Claro que, como a própria cantora explica no filme que acompanha o álbum, a música não trata apenas de consumir, mas da tentativa de encontrar uma versão nova e melhor de si mesma por meio dessas aquisições.
“Vou comprar algumas joias / Uma personalidade / Toda uma história de vida”, ela planeja, até descobrir que talvez o limite do cartão não seja suficiente para tudo isso: “Cartão recusado”. Simples, mas extremamente eficaz.
6. “Camera”
A última das faixas lançadas antecipadamente por Charli xcx para divulgar “Music, Fashion, Film” é a que mais se concentra no terceiro elemento que dá nome ao álbum.
Em “Camera”, a cantora explora sua relação turbulenta com a lente diante da qual passa boa parte da vida. É um retrato honesto e revelador de um de seus vícios menos condenáveis, embora talvez dos mais autocentrados.
“Estou sendo idiota pra caralho por tentar ser uma garota na tela quando estou fazendo 34 anos?”, ela se pergunta.
Tudo isso é embalado por um dos grooves mais irresistíveis do disco e um refrão que fica na cabeça desde a primeira audição.
A música poderia facilmente ter sido o principal single desta era, mas perde um pouco de força ao encerrar sua seção de breakdown de maneira menos explosiva do que promete, justamente quando parecia pronta para alcançar um novo nível.
5. “Rock Music”
“Rock Music” talvez tenha sido um manifesto conciso e deliberado demais para funcionar como um single de apresentação nos moldes tradicionais do pop.
A faixa estreou na 86ª posição da Billboard Hot 100 e deixou a parada na semana seguinte, sem retornar desde então.
Ainda assim, é difícil imaginar uma abertura mais eficaz para “Music, Fashion, Film”. “Acho que a pista de dança morreu”, declara Charli sobre guitarras que alternam entre riffs de punk e sintetizadores inspirados no house.
“Então agora estamos fazendo rock.” A empolgação parece ser interrompida de propósito: sua última declaração, acompanhada por guitarras intensas, é subitamente interrompida como se um CD tivesse travado, sem nunca voltar.
A impressão é de que Charli também não tem certeza de quanto acredita na própria afirmação, e parece não se importar se o público também duvidar.
4. “Wink Wink”
Levar qualquer coisa que Charli xcx diz completamente ao pé da letra sempre foi uma aposta arriscada, e “Wink Wink” parece debochar justamente de quem insiste em fazer isso.
Logo na primeira estrofe, ela conduz o ouvinte por uma sequência de provocações e despistes: “Eu costumava lamber creme de morangos no verão / E talvez eu tenha transado com o seu pai / Brincadeira, só falei isso pelo efeito.”
O momento mais impactante, porém, fica para o fim, quando ela surpreende com uma declaração vulnerável: “Mas o que eu quero dizer é que acho que as pessoas podem mudar.
” Tudo culmina no refrão mais irresistível do álbum: “É a verdade, e eu preciso ser sincera / Eu não sou mais uma garota má, eu prometo… / Piscadinha, piscadinha.”
A última parte sempre esteve implícita, e ouvi-la dizer isso tão explicitamente soa quase como uma revelação. A menos que, é claro, não seja.
3. “No One Lasts Forever” (feat. David Cronenberg)
Enquanto o renomado diretor Martin Scorsese representa a parte “Film” na capa de “Music, Fashion, Film”, é o cultuado cineasta de ficção científica David Cronenberg quem faz a única participação especial do álbum, encerrando o disco em sua faixa final.
A música consegue o quase impossível: encontrar uma perspectiva inédita para um tema tão recorrente quanto viver o presente diante da inevitabilidade da morte.
Charli xcx transforma essa ideia em liberdade, reconhecendo que nem mesmo o auge de sua fama é capaz de alterar os fatos fundamentais da existência.
A participação de Cronenberg reforça a diferença entre imortalidade artística e imortalidade humana, encerrando a música com um ciclo hipnótico de palavras ao mesmo tempo inquietantes e reconfortantes: “Eles morreram. Eles se foram. Ninguém dura para sempre.”
2. “Persona”
Prepare-se para as comparações com “Girl, So Confusing”, e elas não serão injustas. Assim como um dos destaques de “Brat”, “Persona” coloca em primeiro plano uma relação complexa com uma figura pública não identificada que faz parte do universo de Charli xcx.
Ao longo da música, a cantora alterna julgamento e compreensão, inveja e desprezo. No início do refrão, provoca: “Não engasgue com o próprio ego quando me vir chegando.” Já no fim, admite: “Você acha que é muito esperta. Eu também acho. Você sabe que eu vejo você quando você me vê.”
É o tipo de música sobre celebridades que ela parece ser uma das poucas artistas capazes de escrever. À primeira vista, pode até soar como uma diss track, mas, em vez de usar sua percepção sobre a personagem para destruí-la, ela escolhe compreendê-la.
A atmosfera cambaleante e cheia de atitude da faixa acompanha perfeitamente essa ambiguidade: confiante na superfície, mas, no fundo, cheia de dúvidas. O resultado é uma música tão sedutora quanto confrontadora.
1. “SS26”
“Estamos caminhando por uma passarela que leva direto ao inferno / Nada vai nos salvar, nem a música, a moda ou o cinema.”
Seria de se imaginar que uma breve crise existencial de Charli xcx diante de sua impotência em tempos apocalípticos resultasse em uma declaração grandiosa. Mas boa parte do charme irresistível de “SS26” está justamente no contrário. O possível fim do mundo aparece como apenas mais um item na longa lista de preocupações de uma estrela pop ocupada e, provavelmente, nem o mais urgente delas.
Poucos momentos capturam tão bem a genialidade autoconsciente como artista contemporânea quanto ouvi-la cantar suavemente sobre uma linha de baixo delicada: “Fui hackeada / Tiraram tudo de contexto, obviamente / Mas eu não fiz isso / Mesmo que tivesse feito / Escrevi um pedido de desculpas muito bom no aplicativo de notas.”
[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].
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