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Anitta lança clipe de ‘Desgraça’ e traz Pombagira, candomblé e brasilidade

Primeiro ato de 'EQUILIBRIVM' mergulha em símbolos afro-brasileiros

Anitta

Anitta (Mar+Vin)

Anitta lançou o videoclipe de “Desgraça”, faixa inaugural de seu novo álbum, “EQUILIBRIVM”. A produção é a primeira de uma narrativa em quatro atos que, por meio do audiovisual, refletirá a jornada de autoconhecimento e espiritualidade da cantora, que também é representada pelas letras e sonoridades do disco.

“É um videoclipe cheio de simbolismos. Fala muito sobre fé e força feminina, claro, mas também sobre brasilidade. Foi exatamente a partir desses elementos, a força e a conexão com o meu país, que a minha busca pelo equilíbrio começou. É por isso que decidimos começar assim o primeiro ato da narrativa”, a cantora explica.

“A Pombagira que eu interpreto nesse clipe tem um pézinho em heroína de Jorge Amado, sabe? É sensual, destemida”.

“DESPACHO” é o nome deste primeiro ato. Os três demais – respectivamente “FÉ E FESTA”, “DEUS MÃE” e “RENASCIMENTO” – serão lançados semanalmente até o dia 7 de maio. Além disso, a carioca promete também visuais para as faixas “So Much Love” e “Deus Existe”.

Assista ao clipe de ‘Desgraça’, de Anitta

Inspirado por símbolos e ritos do candomblé, assim como expressões da cultura popular brasileira – como o realismo fantástico e o Cinema Novo –, “DESPACHO” inicia-se com Anitta atravessando a noite de uma pequena cidade. O clima noturno muda quando, ao acender uma vela vermelha, ela assume a figura de uma Pombagira, que causa caos e transformação pelas ruas ao som de “Desgraça”.

Nídia Aranha, diretora criativa de todo o projeto “EQUILIBRIVM”, também comenta a produção.

“‘Desgraça’ abre o álbum, não por acaso, como uma saudação a Exu. Que é quem abre caminhos, conduz mensagens e conecta mundos. É a abertura simbólica que autoriza essa história a começar. Narrativamente, acompanhamos uma mulher que canta uma desilusão amorosa, mas que no filme não está em falta.

“Pelo contrário, ela está inteira e transita com autonomia, acompanhada por essas entidades da rua que dançam, bebem, celebram e atravessam com ela esse processo.”

A coreografia do videoclipe é assinada por Cassi Abranches, do Grupo Corpo. E nasce da pesquisa acerca dos movimentos e gestos de incorporação, em diálogo com o candomblé.

A produção integra ainda mais elementos de conexão com a cultura popular, como as máscaras do Mestre Zimar – artesão e criador popular maranhense, reconhecido por sua arte inspirada em figuras simbólicas como os cazumbás, personagens que misturam o lúdico, o espiritual e o ancestral.

Brilha também em “Desgraça” a potência comunicativa da moda. André Philipe, que co-assina o styling de todos os visuais ao lado de Daniel Ueda, relembra que Anitta guiou o trabalho por meio de referências à Pombagira Sete Saias, assim como inspirações de dramaticidade e romantismo brasileiro e latino.

“Trouxemos também elementos que inspiram poder, como as correntes. As cores também são muito propositais: o branco do início do clipe (em referência à vestimenta característica dos praticantes em iniciação no candomblé), o vermelho da Pombagira, o dourado, preto, prata… Já os vestidos mais curtos oferecem mais esse toque de sensualidade, com a referência dessa mulher latina, que é quente e romântica”.

Anitta
Anitta (Jhuan Martins)

João Miranda, responsável pela beleza de Anitta no videoclipe, também comenta as reflexões e referências que originaram seu trabalho no projeto.

“Como é um álbum que fala sobre natureza, ancestralidade e espiritualidade, trouxemos uma versão dela mais natural. Para funcionar dentro da proposta de contato com a natureza e com a espiritualidade. Mas ‘Desgraça’ é um dos momentos mais noturnos desse projeto. A maquiagem veio como essa representação da força de uma mulher independente, de representar, junto com a roupa, essa figura feminina em um lugar de poder. O clipe é muito sobre isso, né? Sobre essa mulher no comando”.

Também presente em todos os visuais do novo álbum está Ginga Pictures, que colaborou com Anitta em projetos icônicos como o medley “Funk Generation: A Baile Funk Experience” e o documentário “Larissa: O Outro Lado de Anitta”, da Netflix.

“Mais do que clipes isolados, estamos falando de um universo audiovisual pensado de forma integrada, do início ao fim”, divide Felipe Britto, sócio-fundador da produtora, sobre a série de visuais que compõem a trajetória do disco.

“O processo começa pela escuta. Antes de qualquer locação ou cenário, a gente precisava entender o que esse álbum representa para a Anitta e o que a Nídia [Aranha] estava enxergando como linguagem visual. A partir disso, o projeto foi sendo construído de forma bastante colaborativa”.

Anitta
Anitta (Mar+Vin)

Felipe destaca também o importante trabalho dos demais criativos que trabalham no projeto, como o diretor Manuel Nogueira e o Estúdio Arado, de Minas Gerais.

Lançado na última quinta-feira (16), o disco “EQUILIBRIVM” é o oitavo da carreira de Anitta. Conta com a participação de Shakira, Liniker, Marina Sena, Luedji Luna, Ebony, Papatinho, Rincon Sapiência, King Saints, Melly, Os Garotin, Los Brasileros, Ponto de Equilíbrio e Emanazul.

Com 15 faixas, o trabalho propõe reflexões sobre espiritualidade, amor, fé e empoderamento feminino, ao mesmo tempo em que explora sonoridades diversas da música brasileira e suas festas.

Ouça ‘EQUILIBRIVM’, de Anitta