Alok fala sobre retorno a Londres com grandioso show ‘Rave The World’
'É algo pessoal para mim', comenta sobre sua volta ao Reino Unido

Alok (foto: reprodução)
Quando Alok voltar a Londres em junho, não será apenas mais um show.
Ele está retornando a Brixton — a mesma região da capital onde trabalhou como bartender após se mudar para lá em 2010 e enfrentar dificuldades para conseguir apresentações — para estrear o “Rave The World”, um novo conceito que vem desenvolvendo tanto em seus shows ao vivo quanto em sua música. A apresentação acontecerá por apenas uma noite na O2 Academy Brixton, em 5 de junho, e carrega um peso pessoal significativo para ele.
O projeto também marca uma mudança em relação à era “Keep Art Human”, um show baseado em ideias sobre tecnologia, presença e a forma como as pessoas se conectam com a música. Essa produção apostava fortemente em escala, com grandes estruturas de palco, dançarinos coreografados e uma narrativa visual que se desenrolava ao longo da apresentação — conceito que ele levou ao Coachella em 2025.
Com “Rave The World”, ele segue por um caminho um pouco diferente. A proposta é simplificar tudo para algo mais imediato, um conceito que seja compreendido em segundos, seja em um palco de festival ou instalado no meio da rua. No centro da ideia está o que ele chama de “rave box”, uma estrutura compacta em que vídeos pré-gravados de dançarinos são projetados de uma forma que faz parecer que eles estão fisicamente presentes.
O projeto também foi pensado para circular com facilidade. Diferentemente das produções anteriores, que dependiam de grandes estruturas e dezenas de performers, essa nova versão consegue transitar por diferentes espaços sem perder impacto visual.
Ao mesmo tempo, o conceito vai além do palco. Em entrevista exclusiva à Billboard U.K., Alok revelou que está encerrando sua gravadora Controversia e lançando um novo selo com o mesmo nome do projeto, “Rave The World”. A ideia é criar um espaço voltado para músicas mais conectadas a clubes, raves e festivais, e que nem sempre se encaixam no sistema das grandes gravadoras.
Quando se mudou para Londres com seu irmão gêmeo, o cenário era bem diferente. O projeto de psytrance dos dois tinha começado a ganhar tração, mas a mudança não saiu como esperavam. “Não tínhamos pedidos, não tínhamos shows”, relembra. “Eu e meu irmão encerramos o projeto.” O que veio depois foi um recomeço, que acabou levando Alok a iniciar sua carreira solo.
Agora, mais de dez anos depois, ele retorna àquela mesma parte da cidade para concluir uma missão iniciada há mais de uma década.
Billboard U.K.: Você morou em Londres em 2010. O que lembra daquela época e como ela te moldou?
Alok: Eu morava lá com meu irmão gêmeo [Bhaskar Petrillo], e tínhamos um projeto de psytrance chamado Logica. Estávamos indo muito bem em plataformas como o Beatport e recebíamos muitos pedidos na Europa. Nos mudamos para lá achando que seria ótimo para a carreira, mas aconteceu exatamente o contrário. Não tínhamos pedidos, não tínhamos shows.
Foi aí que criei meu projeto solo, Alok. Foi um momento em que meio que me libertei de uma prisão que eu mesmo tinha criado. Eu vinha de uma cena muito underground e queria fazer algo diferente.
Quando voltei para o Brasil, falei para o meu pai que queria desistir da música e entrar na faculdade, porque era muito complicado viver de arte. Eu via todo mundo passando dificuldades financeiras. Mas meu pai me disse que, se tivesse o meu talento, seria muito maior do que eu era e não estaria desperdiçando tempo. Ele disse: “Se você quer abandonar alguma coisa, abandone a faculdade.” Então eu pensei: “OK, essa será minha última tentativa. Vou continuar fazendo isso, mas do meu jeito, não do jeito que querem que eu faça.” E essa foi a melhor decisão.
Por que era importante voltar para Brixton para esse show específico e fazê-lo por apenas uma noite?
Quando estava em Londres, comecei a entregar meu currículo em todos os clubes, mas ninguém respondia. Um dia, um clube disse que não procurava DJs, mas precisava de um bartender. Então comecei a estudar e virei bartender em um pub em Brixton. Voltar para lá agora parece fechar um ciclo completo.
Nem foi ideia minha no começo. A equipe sugeriu porque queria fazer algo que encerrasse esse ciclo. Quando me apresentaram a ideia, isso trouxe muitas memórias e gatilhos.
Acho que preciso passar por isso. É algo pessoal para mim. Às vezes você tenta evitar, tipo “por que voltar para Brixton de novo?”. Mas agora preciso voltar e, de certa forma… me curar.
O que é “Rave The World” e como essa ideia surgiu?
Para eu realmente mover algo em uma direção, preciso ter um propósito. Caso contrário, aquilo não me motiva. No ano passado completei 34 anos e, pela primeira vez, percebi que existe uma nova geração chegando e moldando a cultura de uma forma que eu nunca tinha visto. A minha geração seguia muitas regras. Essa é completamente diferente. Eles têm internet, poder nas redes sociais e estão mudando tudo.
Naquele momento, senti que precisava me conectar com eles. Então começamos a pensar em um conceito e, no início, era algo como “save the world”. Mas perguntei à filha do meu diretor criativo — ela é da geração Z — o que achava, e ela disse que estava cansada de ouvir isso. Ela falou: “Não existe outro mundo, esse é o único, e vocês falharam com ele e agora querem que a gente o salve.”
Isso foi muito interessante porque percebemos que não estávamos conectados. Então pensei: “OK, tira o ‘S’ de ‘save’ e transforma em ‘rave the world’.” Quando joguei no Google, apareceu “você quis dizer ‘save the world’?”. E eu respondi: “Não, quero dizer rave it.” Quando contei isso para ela, ela disse que era incrível e se conectou com a ideia. Foi assim que tudo nasceu.
Você mencionou uma “rave box” como parte do show. Como isso funciona na prática?
Precisávamos de algo super simples e eficiente, algo que você entenda em poucos segundos. Porque com “Keep Art Human” precisávamos de um palco enorme, tipo 50 dançarinos e tudo mais. Não era fácil levar aquilo para qualquer lugar.
Então criamos essa “rave box”. Gravamos dançarinos reais e os projetamos dentro da estrutura, então, quando você vê o show, parece que eles realmente estão ali. E podemos colocar essa caixa em qualquer lugar do mundo, até no meio da rua, e as pessoas entendem imediatamente. Foi assim que concentramos tudo em um único conceito.
Você já tocou para multidões gigantescas ao longo dos anos, incluindo mais de um milhão de pessoas em shows como o da Praia de Copacabana. Como é sentir isso em tempo real?
Sinceramente, quando você toca para mais de um milhão de pessoas, só percebe isso quando vê as imagens depois. No momento, você não consegue entender de verdade.
Foi por isso que criamos a pirâmide, com 30 metros de altura e visão em 360 graus, para que eu consiga ver todo mundo ao redor. É o único palco em que consigo enxergar a multidão inteira. Faz anos que fazemos shows gigantes, mas acho que agora as pessoas estão prestando mais atenção.
Você colaborou recentemente com Khalid em “Dive Into Me”. Como isso aconteceu?
Já tínhamos trabalhado em algumas versões de “Dive Into Me” usando samples de “What’s a Girl to Do”, do Fatima Yamaha, mas não tínhamos os direitos para lançar. Então Khalid surgiu com uma versão e tentamos novamente.
Ele mudou a letra do verso e fez um trabalho fantástico. Passamos cerca de oito horas no estúdio gravando várias linhas. No dia seguinte ele disse que ainda sentia falta de algumas coisas e voltou ao estúdio outra vez. Eu adorei trabalhar com ele. Ele trabalha muito duro e tem muita paixão pelo que faz.
Você também apareceu recentemente na Sphere com ILLENIUM, um dos espaços mais comentados do mundo atualmente. Como foi essa experiência?
É um daqueles lugares realmente únicos no mundo. A experiência é completamente fora da realidade. É algo que pode mudar a indústria da música. Mas não era meu show, eu estava apoiando o ILLENIUM. Ele fez tudo e me deu espaço com visuais e efeitos. Foi muito humilde da parte dele fazer isso. A performance dele é tão impressionante que parece um filme.
Além do conceito e do show “Rave The World”, você também está lançando uma nova gravadora com o mesmo nome. Como será essa próxima fase?
Vou lançar músicas que combinem com esse conceito. Não serão muitos lançamentos, porque não estou preocupado com quantidade. Quero lançar apenas aquilo em que realmente acredito. Algumas dessas músicas talvez não sejam aceitas por grandes gravadoras porque são mais voltadas para clubes e festivais, mas essa é a direção agora.
[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].
TRENDING
- Morre Luiz Carlini, a lenda por trás do solo de ‘Ovelha Negra’ 07/05/2026
- HYBE lança nova gravadora dedicada aos grupos femininos 08/05/2026
- Rock in Rio 2026 adia venda geral de ingressos; veja nova data 06/05/2026
- Global Citizen Rio: veja line-up e como conseguir ingressos 08/05/2026
- Primavera Sound São Paulo 2026: apostas para o line-up 07/05/2026