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‘Alma Negra’ estreia no cinema e revisita o soul brasileiro

Documentário de Flavio Frederico chega aos cinemas em 14 de maio

Pista da Chic Show (Divulgação)

Pista da Chic Show (Divulgação)

Após passar pelo circuito de festivais nacionais e estrangeiros, o longa “Alma Negra, do Quilombo ao Baile” chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 14 de maio. Dirigido por Flavio Frederico, o documentário parte dos bailes black, da música negra brasileira e de nomes como Carlos Dafé, Tony Tornado, Zezé Motta, Dom Filó, Seu Jorge e Sandra de Sá para investigar um movimento cultural que atravessou as décadas de 1960 e 1970 como espaço de afirmação negra.

Com roteiro de Mariana Pamplona e Flavio Frederico e direção musical de BiD, o filme passa por Tim Maia, Cassiano, Gerson King Combo, Beatriz Nascimento, Lélia Gonzalez e Edneia Gonçalves.

Em entrevista à Billboard Brasil, Frederico conta que o projeto nasceu como um documentário musical. A pesquisa mudou o rumo do filme. “A gente percebeu que era muito mais do que isso”, afirma o diretor. Para ele, o que aconteceu nos bailes black foi uma verdadeira revolução cultural negra no Brasil.

A vigilância nos bailes

Frederico diz que a equipe buscou costurar a história musical a um movimento intelectual negro mais amplo. “Aqueles bailes lotados eram o ponto de contato desse pensamento com a massa”, afirma. Documentos levantados pela Comissão Estadual da Verdade do Rio mostraram que investigadores monitoraram artistas, DJs e produtores de bailes black sob a suspeita de que o movimento pudesse estimular uma organização racializada contra o regime. O Instituto Vladimir Herzog também registrou que relatórios oficiais tratavam o “black power” como tema de interesse dos órgãos de informação. Na avaliação de Frederico, a ditadura teve dificuldade de entender o fenômeno.

“A ditadura não conseguiu enxergar direito aquilo. Acho que eles não conseguiram decifrar o movimento”, explica. “No começo, talvez nem tenham se preocupado tanto. Mas, quando os bailes começaram a crescer, veio o medo de que acontecesse no Brasil algo parecido com o que eles associavam aos Panteras Negras nos Estados Unidos. E havia também a necessidade de vender a ideia de um país sem racismo. Então, no Brasil da ditadura, o negro que falava em racismo era tratado como racista. É impressionante. Eles chegaram a colocar espiões infiltrados nos bailes, gente de cabelo black, para observar o ambiente”.

“Alma Negra” também diferencia os circuitos do Rio de Janeiro e de São Paulo. Segundo Frederico, os dois polos têm origem parecida nos bailes de família, organizados em bairros periféricos com discos, toca-discos e equipes de som. No Rio, o movimento explode primeiro, com força das equipes e dos bailes espalhados pelos subúrbios. Em São Paulo, a Chic Show, ligada ao Palmeiras, vira um motor central da cena.

Do ‘Balanço Black’ ao longa

As cidades também tinham musicalidade diversa. “No Rio, você tinha as músicas black soul e as lentas. Em São Paulo, você tinha o soul, as lentas e o samba-rock”, resume o diretor.

Frederico já havia trabalhado esse universo na série “Balanço Black”, exibida pelo Canal Curta!. A série também tratava da história do movimento soul no Brasil e tinha direção de Frederico.

A diferença, de acordo com o diretor, está no recorte. “Balanço Black” nasceu com uma linha mais musical, com versões novas de clássicos dos anos 1970 produzidas por BiD. O longa, por sua vez, ganhou uma estrutura mais política, especialmente com a entrada de Mariana Pamplona no roteiro. “O longa sempre teve a proposta de ser mais político”, afirma.

Antes da estreia comercial, “Alma Negra” passou por festivais no Brasil e no exterior. O release cita exibições no Festival do Rio, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no Festival de Havana, no Fest Aruanda, na Mostra de Tiradentes, no FESTin, no IN-EDIT Brasil, no Citronella Doc e no DH Fest.

Frederico diz que a reação nos festivais mostrou a capacidade do filme de alcançar públicos diferentes. Ele cita uma sessão lotada no Odeon, no Rio, durante o Festival do Rio, e afirma que a obra pode furar um pouco essa bolha do documentário. A meta, segundo ele, é chegar a um circuito mais amplo, para além do público já interessado em cinema documental ou música brasileira.

Serviço

Filme: “Alma Negra, do Quilombo ao Baile”
Direção: Flavio Frederico
Roteiro: Mariana Pamplona e Flavio Frederico
Direção musical: BiD
Estreia nos cinemas: 14 de maio
Distribuição: Synapse
Classificação: 12 anos
Gênero: documentário

Em São Paulo, o Cine Belas Artes exibe uma sessão-debate em 14 de maio, às 20h, com conversa com o diretor Flavio Frederico após a sessão.