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Trilha de ‘Cem Anos de Solidão’ evolui com o destino de Macondo

Compositores revelam bastidores da música da segunda parte da série

Camilo Sanabria e Juancho Valencia, da trilha de Cem Anos de Solidão (Netflix)

Camilo Sanabria e Juancho Valencia, da trilha de Cem Anos de Solidão (Netflix)

A música é um dos elementos centrais da construção de “Cem Anos de Solidão”, série inspirada na obra de Gabriel García Márquez. Na segunda parte da produção da Netflix, a trilha sonora acompanha a transformação de Macondo, refletindo tanto a expansão da cidade quanto seu gradual declínio. Os compositores Camilo Sanabria e Juancho Valencia detalharam como a música foi concebida para ampliar a narrativa e aprofundar a experiência emocional do público.

Trilha sonora acompanha a evolução de Macondo

Responsável pela composição da trilha original, Camilo Sanabria explica que seu trabalho foi criar uma identidade sonora própria para a série. Segundo ele, a música funciona como “um ator invisível”, responsável por traduzir emoções, reforçar conflitos e revelar aspectos da narrativa que nem sempre aparecem de forma explícita na tela.

Ao todo, cerca de cem músicos participaram das gravações. Foram compostas aproximadamente quatro horas de música para a primeira parte da série e outras três horas para a segunda.

De acordo com Sanabria, a evolução musical acompanha diretamente as mudanças vividas por Macondo. Com a chegada da ferrovia, de novas influências culturais e da modernização, a trilha incorpora elementos inspirados no Caribe colombiano e na obra de Lucho Bermúdez, aproximando ritmos tradicionais de referências da música erudita.

“Elementos que normalmente não andam juntos começam a interagir, como um clavicórdio e um tambor de vallenato, ou um coro lírico acompanhado por ritmos caribenhos”, afirmou o compositor.

Música também retrata o declínio da cidade

À medida que a história avança, a trilha sonora também se transforma. Sanabria explica que buscou transmitir musicalmente a decadência de Macondo por meio de timbres desgastados, afinações menos precisas e uma presença mais etérea dos instrumentos de sopro.

“O grande desafio era encontrar beleza na destruição. Existe algo profundamente comovente em ver um mundo desmoronar”, disse.

O compositor acredita que um dos fatores reconhecidos pelo Grammy Latino foi justamente a originalidade da proposta sonora, construída a partir da combinação entre tradições indígenas, africanas e ocidentais.

Para ele, o maior desafio do projeto foi imaginar como seria o som do realismo mágico criado por Gabriel García Márquez.

“Todo mundo já imaginou ‘Cem Anos de Solidão’ à sua maneira. Eu queria criar algo que não fosse apenas folclórico nem uma trilha cinematográfica convencional”, afirmou.

Canções em cena ajudam a contar a história

Enquanto Sanabria foi responsável pela trilha incidental, Juancho Valencia assumiu a direção musical das canções executadas dentro da narrativa. Coube a ele produzir todas as músicas tocadas pelos personagens durante festas, casamentos, funerais, encontros amorosos e celebrações.

Segundo o músico, foram criadas cerca de 36 peças inéditas para a segunda parte da série, desde composições intimistas até grandes arranjos para conjuntos com mais de 15 músicos.

Valencia conta que o envolvimento dos diretores Laura Mora e Carlos Moreno com a música contribuiu para ampliar sua presença na narrativa.

“Os dois gostam de contar histórias por meio da música. Quando entrei para a equipe, encontramos espaço para levar essa imaginação ao limite”, afirmou.

Após as filmagens, todas as músicas foram regravadas em estúdio. Os vocais foram registrados em cidades como Barranquilla, Cartagena e Palenque, enquanto as percussões foram captadas em diferentes regiões da Colômbia, incluindo Urabá, Medellín e Montelíbano.

Para Valencia, esse processo permitiu preservar a autenticidade sonora da produção, enquanto Sanabria utilizou esse material como base para integrar as canções à trilha original da série. Juntos, os compositores ajudaram a construir uma identidade musical que acompanha os cem anos da trajetória de Macondo e reforça o universo criado por Gabriel García Márquez.

+Leia mais: ‘Cem Anos de Solidão’: os segredos da trilha de série da Netflix

Ouça a trilha de Cem Anos de Solidão