Sting explica o que alimenta masculinidade tóxica em sua visão
Músico afirma que 'perdemos o rumo da nossa energia'

Sting (divulgação)
Ao anunciar que o musical inspirado na infância de Sting em uma família de construtores navais ingleses retornará ao West End de Londres neste outono, o cantor declarou ao The Guardian que a desindustrialização moderna levou os homens a serem menos produtivos fisicamente.
“Eu trabalho com as mãos todos os dias como músico e tenho sorte. É raro um homem moderno usar as mãos e a força para fazer qualquer coisa. Perdemos algo nesse sentido”, disse o músico, que no início deste mês elogiou a ética de trabalho extraordinária de seus filhos adultos, confirmando que não pretende deixar sua considerável fortuna para eles.
“Não tenho respostas, mas talvez a toxicidade na sociedade atual seja resultado de termos perdido essa direção para nossa energia, essa força masculina. Raramente precisamos usá-la.”
O musical “The Last Ship” estreou em Chicago em 2014, antes de seguir para a Broadway, Reino Unido, Irlanda, Toronto e, posteriormente, para turnês pela América do Norte e pelo mundo. A peça conta a história dos homens que trabalham em um estaleiro semelhante ao Swan Hunter em Wallsend, perto de onde o cantor cresceu, antes que a desindustrialização nas décadas de 1970 e 1980 levasse ao seu fechamento.
O espetáculo apresenta uma trilha sonora em grande parte original, composta pelo artista, juntamente com quatro canções já lançadas de sua carreira solo: “Island of Souls”, “All This Time”, “When We Dance” e “Ghost Story”.
O cantor, que voltará a estrelar o musical quando este estrear no Theatre Royal Drury Lane, em Londres, em setembro, atribuiu o fechamento dos estaleiros ao fracasso de uma série de governos ingleses.
“A riqueza da Grã-Bretanha foi criada nas minas de carvão, nas cidades siderúrgicas, nas cidades industriais e nos estaleiros. Todas essas habilidades foram descartadas pelo sonho de a falecida primeira-ministra Margaret Thatcher de uma economia de serviços”, afirmou.
A história aborda o sentimento dos personagens masculinos de que a perda de seu trabalho fisicamente exigente equivale ao apagamento de suas identidades. “Afinal, o que somos nós, homens, sem um navio para terminar?”, pergunta um dos personagens em determinado momento.
E embora seja um olhar carinhoso sobre mais uma indústria que sucumbiu às mudanças da industrialização na era moderna, o baixista deixou claro que suas mãos eram feitas para dedilhar o instrumento, não para o trabalho árduo de soldagem, fabricação e instalação de tubulações.
“Eu sou o cara que não queria trabalhar lá, e com razão”, disse ele. “Eles trabalhavam com amianto, todo tipo de produto químico tóxico. Ao mesmo tempo, sinto nostalgia do senso de comunidade em que fui criado. Aquele ambiente era tão rico em simbolismo.”
“A cidade, embora muitas vezes estivesse deprimida, tinha muito orgulho dos navios que ali eram construídos. O trabalho era horrível, perigoso e árduo, mas aqueles caras podiam olhar para trás e dizer que construíram aquilo. O orgulho cívico era enorme.”
O artista está atualmente em turnê com sua banda solo Sting 3.0, que fará uma série de nove shows no Metropolitan Opera House, em Nova York, a partir de 9 de junho.
[Este conteúdo foi traduzido/adaptado da Billboard. leia o texto original, em inglês, aqui.]
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